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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 309

Ela cobriu o rosto com as mãos e respirou fundo, tomada por uma irritação que quase a sufocava.

Ter de cruzar, todos os dias no trabalho, com um homem asqueroso daquele tipo, sempre rondando, sempre dando um jeito de surgir diante dela como um fantasma inconveniente, era insuportável.

Suas mãos tremiam de leve.

Abriu a gaveta às pressas, pegou o antidepressivo e engoliu o comprimido com um gole de água gelada.

A medicação já estava quase no fim.

Depois de resolver o que precisava no escritório, Carolina foi ao psiquiatra.

No hospital, passou pela consulta, fez o tratamento e retirou a medicação.

Quando já estava de saída, avistou no corredor uma figura conhecida.

Parecia Leandro.

Carolina acelerou o passo.

Ao se aproximar, viu que era mesmo o marido de sua melhor amiga.

Leandro carregava nos braços uma menininha de uns quatro anos. Ao lado dele vinha uma mulher com alguns exames nas mãos.

Ela tinha traços suaves, delicados, e falava com Leandro em voz baixa.

— Leandro.

Carolina o chamou.

Leandro se virou. No instante em que a viu, um lampejo de pânico atravessou seu rosto, mas ele logo se recompôs.

— Carolina?

Carolina se aproximou e, forçando um sorriso, perguntou:

— Ela é sua colega de trabalho?

Leandro pareceu sem jeito. Apertou a menina nos braços antes de responder:

— Ela é minha amiga, Vitória Carvalho. E esta aqui é a filha dela. A menina tem autismo leve. Vim acompanhar as duas ao hospital.

Em seguida, apresentou Carolina:

— Vitória, esta é a Carolina, melhor amiga da minha esposa.

Vitória sorriu e fez um leve aceno de cabeça.

— Oi.

Por educação, Carolina também assentiu. Depois voltou os olhos para Leandro.

— Pelo que eu me lembro, você cresceu em Porto Velho e estudou lá também. Desde quando arrumou amigos em Nova Capital?

Leandro ainda nem tinha conseguido responder quando Vitória se adiantou. Nem tentou disfarçar. Sua voz saiu com um leve deboche:

— Srta. Carolina, pelo seu tom, quem não conhece até pensaria que é você a esposa do Leandro.

O instinto de Carolina dizia que Vitória não era tão simples quanto queria parecer.

E a relação entre ela e Leandro parecia ainda menos inocente.

O rosto de Carolina se fechou.

Carolina abriu um sorriso radiante, apressou o passo, se agachou diante dele e ergueu a sacola que trazia na mão.

— Rick, trouxe romãs pra você. São as suas preferidas.

Desde o instante em que ela entrou, Henrique não tinha parado de observá-la com aquele olhar fundo e silencioso.

Ao ver o sorriso dela, o canto da própria boca se curvou de leve, quase sem que ele percebesse. Primeiro ele lançou um olhar para as frutas em sua mão; depois voltou a fitar aqueles olhos grandes, claros e brilhantes.

Como ele não dizia nada, Carolina pousou a sacola no chão e levou devagar as duas mãos até a mão dele, que repousava sobre as pernas, acariciando-a com suavidade.

Os dedos de Henrique se retesaram por um instante. Seu olhar desceu e pousou sobre os dedos finos e claros dela.

Então ele fechou a mão sobre a dela, apertando-a de leve, como se quisesse aquecê-la dentro da própria palma.

— Carolina... Por que suas mãos estão sempre tão frias?

Carolina não respondeu.

Uma doçura discreta se espalhou dentro dela.

A boca dele dizia que não a queria mais, mas cada gesto ainda revelava cuidado, atenção, preocupação.

Ela ergueu o rosto para encará-lo, com os olhos banhados de ternura, e falou em voz baixa:

— Rick... Me chama de Carol, como antes.

Henrique soltou um suspiro pesado, amargo.

Quando falou, sua voz saiu baixa e sem calor:

— Um apelido desses só nasce da intimidade. Entre nós dois... Ainda restou intimidade pra isso?

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