Larissa enxugou as lágrimas mais uma vez e abaixou o olhar.
Os olhos de Henrique estavam vermelhos. O rosto, completamente molhado. O punho cerrado tremia, as veias saltadas. A dor estampada nele era evidente e, ainda assim, ele continuava ouvindo, sem desviar a atenção.
— Henrique… Antes eu não entendia por que a Carol sofria tanto. Agora eu entendo. — Larissa respirou fundo. — Ela é como um gatinho que cresceu sem carinho nenhum, deixado num canto, como se não importasse pra ninguém. E, de repente, alguém aparece e a ama de verdade. Com intensidade. Ela saiu de um lugar vazio pra um lugar cheio de afeto… Passou a ser cuidada, protegida, tratada como alguém importante. Como se fosse tudo.
Fez uma pausa curta.
— E não foi por pouco tempo. Foram quatro anos. Depois disso… Não dá simplesmente pra voltar ao que era antes.
Ela engoliu em seco.
— A segunda vez que ela piorou foi quando você estava prestes a voltar pra Nova Capital… E, ao mesmo tempo, o pedido de revisão do caso do pai dela foi negado de novo. Foi demais pra ela. Depois de tudo isso… E do término com você… A depressão voltou pior. Muito pior. Virou um quadro grave.
A voz começou a falhar.
— Ela não te contou… Provavelmente porque tinha medo de você descobrir que ela tinha pensamentos suicidas.
As lágrimas voltaram a cair.
— Ela tomou remédio em excesso de propósito. Tentou se afogar na banheira. Subiu no topo de um prédio… Isso é o que eu sei. O que eu não sei… Pode ter acontecido muito mais vezes.
Larissa fechou os olhos por um instante.
— Ela viveu lutando contra isso, na beira do abismo. Queria viver… Mas a doença puxava pra baixo o tempo todo. E ela te ama tanto… Como ia ter coragem de te contar uma coisa dessas?
Respirou fundo, tentando se recompor.
— Desde pequena, tudo que ela queria era o amor dos pais. Mas eles sempre colocaram o irmão acima dela. Quando finalmente a mãe começou a enxergar quem ele realmente era… E passou a tratar a Carol com mais carinho… aconteceu aquela tragédia. E ela perdeu a mãe também.
A voz saiu mais baixa.
— Naquela época, eu achei que ela não ia aguentar. Mas ela dizia que estava bem. Sempre diz isso. Até hoje ela fala que, depois que voltou pra você, melhorou muito… Que está bem.
Fez uma pausa, insegura.
— Mas… Uma depressão nesse nível… Será que melhora assim tão fácil? Será que ela está mesmo bem? Eu não sei… Só ela pode dizer.
O mundo de Henrique parecia desmoronar.
Era como se algo tivesse sido esmagado dentro dele, sem deixar nada inteiro. Ele levou as mãos ao rosto, já encharcado de lágrimas. Os ombros, largos e firmes, cederam de repente.
Curvou o corpo.
O ar não vinha direito.
Nunca, em toda a vida, ele tinha sentido uma dor assim.
Comparado a isso… O término com Carolina não era nada.
Porque existia algo muito pior.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...