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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 405

— Eu não estou grávida... — Carolina ficou atordoada, ansiosa para negar de imediato. Mas, depois de alguns segundos em silêncio, até ela mesma começou a duvidar. — Estou?

Henrique pegou o celular, levantou-se e se afastou da mesa. Enquanto fazia a ligação, caminhou em direção à varanda.

O coração de Carolina disparou. Inquieta, ela ficou olhando para as costas dele. Sua mão desceu devagar até pousar sobre o ventre ainda plano.

Ela não queria estar grávida.

Uma gravidez colocaria Henrique numa situação difícil demais.

Mas ela também gostava muito de crianças. Se realmente estivesse esperando um bebê, como teria coragem de abrir mão dele?

Só de imaginar esse desfecho, uma dor sufocante começou a apertar seu peito.

Seu coração inquieto parecia afundar no mar, puxado pelo peso de uma pedra. A sensação era de asfixia, como se estivesse prestes a se afogar.

Carolina não sabia com quem Henrique falava ao telefone. Só via que ele estava sério, tenso.

Quando terminou a ligação, ele voltou para a mesa, deixou o celular de lado e disse com suavidade:

— Primeiro vamos comer.

Carolina não tinha apetite nenhum.

— Com quem você estava falando?

— Com um médico.

— Médico?

Carolina franziu a testa e olhou para ele.

Henrique pegou um pouco da carne desfiada e colocou na tigela dela.

— Pedi para ele vir aqui dar uma olhada em você.

Carolina assentiu. Baixou os olhos e ficou encarando a comida na tigela, distraída, com o coração em completa desordem.

Henrique largou os talheres e segurou sua mão gelada.

— Não fica nervosa.

Só então Carolina percebeu que a palma quente dele estava úmida de suor.

Quem estava nervoso, na verdade, era ele, não era?

Depois do jantar, o médico chegou.

Ela achou que fosse outro profissional. Mas, para sua surpresa, era o mesmo médico que, tempos atrás, havia avaliado seu estado emocional e explicado que o estresse vinha afetando seriamente seu corpo.

Na sala, o médico fez algumas perguntas, avaliou os sintomas de Carolina e pediu que ela fizesse um teste rápido. Pouco depois, ao ver o resultado, abriu um sorriso tranquilo.

— Parabéns aos dois. A senhora está grávida.

Ela não queria engravidar.

Não queria colocar Henrique numa situação difícil. Muito menos prejudicar a carreira dele ou o futuro daquela criança.

Mas, se aquele bebê tinha vindo por acaso, ela também não queria interromper a gravidez. Era o primeiro filho dela com Henrique. Ela não teria coragem. Não conseguiria abrir mão.

O que ela faria agora?

Henrique ergueu a mão e tocou o rosto dela. Com o polegar, enxugou delicadamente as lágrimas em sua bochecha e murmurou, com o coração apertado:

— Não pede desculpa. Eu não gosto de ouvir você dizendo isso.

— Eu não imaginei que fosse acontecer assim. Eu...

Carolina fechou os olhos. O peito doía, o coração batia descompassado, e seu corpo tremia de leve. As lágrimas caíam sem parar. Entre a emoção represada e os hormônios da gravidez, naquele momento ela simplesmente não conseguia controlar o que sentia. A voz saiu entre soluços, embargada pelo choro:

— Rick, eu falhei com você... E falhei com o nosso filho também...

Diante daqueles pedidos de desculpa repetidos, um atrás do outro, Henrique ficou aflito. E também irritado.

Aquela palavra cutucava nele uma ferida antiga.

Ele segurou os braços dela com firmeza, e sua voz ficou um pouco mais grave:

— Carolina, o que você está querendo fazer?

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