Do lado de fora da ala de internação, havia um pequeno jardim cheio de árvores e plantas. O gramado verde parecia adormecido sob o sol.
A luz dourada da manhã atravessava a folhagem densa e projetava sombras irregulares no chão. Carolina e Lívia estavam sentadas em um banco comprido de madeira.
O ar trazia o frescor da grama. O vento de verão, misturando o calor seco da manhã a uma brisa mais amena, passava devagar por elas.
Carolina, porém, não conseguia sentir conforto.
Pelo contrário. Era como se estivesse presa dentro de um caixão transparente. Mesmo vendo tudo diante dos olhos, continuava confinada ao próprio mundo, estreito demais até para se virar. Aos poucos, começou a sentir falta de ar.
Ela se lembrava de quando a doença havia começado. Na época, os sintomas ainda eram leves, e as frases que mais ouvia da mãe eram:
— Depressão por quê? É só pensar positivo.
— Triste por quê? Pra mim, isso é falta do que fazer. Vai arrumar um trabalho. Quando começar a ganhar dinheiro, não vai ter tempo para ficar triste.
— Sofrendo por quê? Eu sofro cem vezes mais que você. Isso é frescura. É falta de ocupação. É drama.
Essa era a incompreensão do mundo diante da depressão, resumida da forma mais perfeita e cruel possível.
Carolina virou o rosto e olhou para Lívia.
Lívia percebeu seu olhar e perguntou com um sorriso:
— O que foi, cunhada?
Carolina não respondeu.
Quem nunca tinha passado por aquela doença conseguiria mesmo ter empatia por ela? Conseguiria entendê-la?
Será que Lívia também pensava como sua mãe? Que Carolina pensava demais, fazia drama, exagerava, e que bastava pensar positivo para melhorar?
A doença dela consumia demais quem estava por perto.
Era pesada.
Carregada de energia negativa.
E acabava afetando todos ao redor.
Com o tempo, será que todos se cansariam dela?
Será que passariam a odiá-la?
Será que, pouco a pouco, iriam se afastar?
— Lívia, eu estou bem de verdade. Você não precisa ficar o tempo todo aqui no hospital comigo.
Carolina queria que ela fosse embora, que não permanecesse ali absorvendo toda aquela negatividade.
— Não sou eu que estou te fazendo companhia.
Lívia enlaçou o braço dela e encostou o rosto em seu ombro. A voz saiu doce, com um toque manhoso.
— Estou de folga nesses dias, quase não tenho amigos e não tenho para onde ir. É você que está fazendo companhia para mim, cunhada.
Mesmo aquela tentativa de consolo não conseguiu dissipar a preocupação no peito de Carolina.
Foi então que o celular de Lívia vibrou duas vezes.
Ela pegou o aparelho, deu uma olhada na tela e se endireitou, procurando alguém ao redor. Ao longe, viu uma figura familiar se aproximando com uma criança no colo e uma sacola de frutas na mão.
— Aqui!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amar Foi Perder o Controle
Pq está dando erro na leitura do livro...
É sério . Está dando, pedindo pra acessar mais tarde, porém está cobrando dinheiro vulgo moedas, é errado isso...
Pq está cobrando moedas verso dinheiro e não estou conseguindo acessar o livro, pq dar um jeito de dar o acesso às moedas cobradas...
É possível obter o e-book completo?...