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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 441

Carolina já não conseguia conter aquela irritação misturada a uma dor insuportável. Sua cabeça estava tomada pelo filho. Odiava a si mesma. Odiava o mundo.

Por que todas as desgraças tinham que cair logo sobre ela?

Era como se uma mão enorme apertasse seu coração ainda vivo e o arrancasse, pouco a pouco, de dentro do peito, rasgando carne, sangue e tudo ao redor. A dor era tão brutal que ela mal conseguia respirar.

Lívia a abraçou com toda a força que tinha.

Com o rosto encharcado de lágrimas, Carolina chorava aos gritos.

Aquele choro desesperado atraiu alguns pacientes que passeavam pelo jardim e também chamou a atenção das enfermeiras.

Uma delas se aproximou, aflita.

— O que aconteceu com ela?

Lívia nunca tinha visto Carolina naquele estado. Com os olhos cheios de lágrimas, balançou a cabeça e respondeu, engasgada:

— Ela tem depressão. Não sei o que aconteceu. De repente, começou a chorar desse jeito... E ficou batendo no próprio peito sem parar.

Ao observar Carolina, a enfermeira sentiu que aquilo não parecia apenas uma crise depressiva. Então reformulou a pergunta:

— Ela também tem transtorno bipolar?

Lívia assentiu.

Nesse instante, viu uma figura alta correndo de longe, vindo na direção delas em desespero.

Foi como se, afogada em alto-mar, ela finalmente encontrasse um pedaço de madeira ao qual pudesse se agarrar. Lívia se agitou na mesma hora e gritou:

— Rick! Rick, vem logo!

Henrique chegou correndo. Seu rosto estava tenso, tomado por uma angústia visível. Ele se ajoelhou diante das duas, com um joelho no chão, e tirou Carolina dos braços de Lívia.

Ele era forte. Com braços firmes, puxou o corpo trêmulo de Carolina para junto do próprio peito, largo e sólido, e a apertou contra si.

A respiração pesada e rouca dele tocava o ouvido de Carolina. Henrique fechou ainda mais os braços ao redor dela, impedindo que ela continuasse se machucando.

Sua voz, porém, saiu baixa e terna. Ele não tentou calar aquela dor. Não negou o sofrimento dela. Apenas deixou que aquela emoção existisse.

— Carol... Tudo bem chorar. Eu sei que dói. Sei que você está sofrendo muito. Eu sei. Chora o quanto precisar. Mas não pensa em desistir de você. Pensa em mim. Pensa em mim, Carol.

Carolina agarrou a roupa dele com as duas mãos, com tanta força que seus dedos quase se enterraram no tecido. Chorou até molhar o peito da camisa dele, tremendo inteira, tomada por pequenos espasmos.

Naquele instante, seu coração, esmagado pela dor, já não conseguia encontrar nenhuma razão. Ela queria acabar com aquela vida sofrida. Acabar com tudo.

Henrique continuou murmurando perto de seu ouvido:

A enfermeira perguntou:

— Ela está com depressão grave associada a transtorno bipolar? Querem levá-la ao pronto atendimento para aplicar um sedativo?

— Não precisa, obrigada.

Lívia recusou com educação.

Carolina já havia se acalmado um pouco. Henrique então a pegou no colo e caminhou em direção ao prédio da internação.

Lívia levou a marmita térmica que Henrique trouxera e as frutas que Larissa havia deixado, seguindo logo atrás.

De volta ao quarto, Henrique colocou Carolina sobre a cama, cobriu-a direito e se virou para fechar as cortinas, bloqueando a luz forte do sol. O quarto inteiro mergulhou numa claridade mais suave.

Ele voltou para perto da cama, puxou uma cadeira e se sentou. Segurou as mãos geladas e trêmulas de Carolina entre as suas e começou a esfregá-las devagar, aquecendo-as com o calor das próprias palmas.

Com a voz baixa e delicada, disse:

— Carol, respira comigo. Inspira por quatro segundos... Segura por dois... Agora solta bem devagar, contando até seis...

Carolina ainda soluçava. Seu corpo continuava tremendo sem parar. Mesmo assim, ouviu a voz dele e tentou ajustar a respiração ao ritmo dele.

Henrique repetiu o exercício uma vez, duas, várias vezes, com uma paciência infinita.

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