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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 447

Os cantos dos lábios de Henrique se ergueram levemente.

Carolina era fácil de agradar. Bastava um pouquinho de carinho para que seu mundo inteiro parecesse mais doce.

— Ficou muito entediada em casa? — Perguntou Henrique, acariciando os cabelos dela.

Carolina se lembrou de que os superiores dele haviam dito que Henrique estava pedindo licença com frequência demais. Ela não podia deixá-lo faltar de novo.

— Sua mãe fica comigo, e a psicóloga vem aqui conversar comigo. Não estou nem um pouco entediada.

Carolina afastou o rosto do ombro dele e recuou um pouco, encarando aqueles olhos profundos e bonitos.

— Eu só estava com saudade de você. Só isso.

— Eu fiquei fora de casa por menos de dez horas.

— Dez horas também é tempo demais.

Pela primeira vez, Henrique sentiu com tanta clareza aquele amor intenso vindo dela. Segurou o rosto corado de Carolina entre as mãos e beijou seus lábios macios e rosados.

Carolina mordeu de leve o lábio inferior. Seus olhos estavam límpidos, vivos, com um toque de timidez e encanto.

O pomo de adão de Henrique se moveu. O olhar dele esquentou.

— Já está quase na hora do jantar. Você está com fome?

— Não.

Carolina balançou a cabeça.

— Então a gente come mais tarde.

Henrique curvou levemente os lábios, pegou o celular e enviou uma mensagem para a mãe.

[Mãe, a Carol e eu vamos jantar mais tarde. Não precisam esperar por nós. Podem comer primeiro.]

Carolina inclinou a cabeça para espiar o conteúdo da mensagem.

De algum modo, entendeu o que se passava pela cabeça dele.

Henrique deixou o celular sobre a cama, ergueu-a nos braços e caminhou em direção ao banheiro.

— O que você quer fazer? — Perguntou Carolina, baixinho.

Henrique a colocou sentada sobre a bancada da pia. Com as duas mãos apoiadas ao lado dela, inclinou-se para a frente, aproximando o corpo do dela.

A distância entre os dois era mínima. A respiração quente dele tocava o rosto já corado de Carolina quando ele murmurou, com a voz rouca:

— Carol, você ainda sente algum desconforto?

— Não.

Carolina sorriu, tímida, e o encarou de perto. No movimento suave de seus olhos, uma tensão íntima começou a se espalhar entre os dois.

— Nas recomendações médicas, depois de quanto tempo você podia voltar a ter relação?

— Quatro semanas.

A Carolina de antes era saudável, corajosa, aberta, alegre, sorridente...

Havia nela muitas qualidades que Henrique amava: a inteligência, a vontade de aprender, a bondade, o senso de justiça.

A beleza era apenas um detalhe quase insignificante entre todos os brilhos que ela carregava. O que havia dentro dela era, de fato, o mais bonito.

Fora a doença que roubara, pouco a pouco, aquele brilho. E deixara em seu lugar apenas feridas e dor.

A banheira já estava cheia. Henrique a tomou nos braços e entrou com ela na água morna. Ali, dentro da banheira, beijou-a, acariciou-a...

Muitas vezes, ele se perguntava: "Quando ela poderia voltar a ser a Carolina saudável de antes?"

Lá fora, a noite estava turva.

Dentro do quarto, o calor era macio, quase primaveril. Nos braços de Henrique, Carolina sentia que a vida era plena. Bonita.

A intimidade dos dois era como chuva depois de uma longa seca. Nenhum dos dois queria sair do aconchego dos lençóis. Permaneceram abraçados, pele contra pele, sem qualquer barreira entre eles.

— Carol, vamos fazer a MECT.

Carolina franziu o rosto, contrariada.

— Por que você está falando disso de novo?

Henrique se sentiu profundamente impotente. Já havia consultado muitos professores renomados e escutado diversos casos de sucesso. A intervenção era o caminho mais rápido.

— Até agora, esse é o tratamento mais eficaz. Para mim, nenhum possível efeito colateral importa mais do que ver você saudável.

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