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Amar Foi Perder o Controle romance Capítulo 450

A cada vez que passava por aquele procedimento e acordava, Carolina precisava de muito tempo para se lembrar de quem eram as pessoas ao seu redor.

Quanto mais sessões fazia, mais vazia sua memória parecia ficar. E mais tempo levava para reconhecer alguém.

Mais tarde, chegou a um ponto em que nem sabia por que precisava passar por aquele tratamento. Toda vez que acordava, esquecia quem estava ao seu lado. Esquecia até por que estava internada em uma clínica psiquiátrica.

O outono em Nova Capital era especialmente frio.

Carolina ficou internada no setor psiquiátrico por dois meses. Ao sair da última sessão, levou muito tempo até se recuperar, aos poucos, daquele estado apático.

Ela havia esquecido até os médicos e enfermeiros que vira pouco antes do procedimento. As pessoas ao seu redor, então, pareciam ainda mais estranhas.

Um homem muito bonito segurava sua mão e dizia:

— Amanhã vou viajar a trabalho para a base e vou ficar fora por uns quinze dias. Estamos na fase de testes do foguete, então realmente não consigo ficar aqui com você, nem pedir licença. Quando você receber alta, vou pedir à Lívia que venha buscar você.

Carolina só conseguia olhar para aquele rosto bonito e marcante. Acabou se esquecendo até de perguntar:

Quem era ele?

E quem era Lívia?

Quando o homem foi embora, beijou sua testa.

Carolina ficou paralisada de susto.

Aquele beijo inesperado na testa fez seu coração acelerar, suas bochechas esquentarem, e uma timidez inexplicável tomou conta dela.

Ele...

Quem era ele, afinal?

Mesmo sabendo que Carolina havia passado dois meses fazendo eletroconvulsoterapia, ele chegou sem se apresentar e, na hora de ir embora, ainda saiu beijando sua testa daquele jeito.

Sinceramente, era de deixar qualquer uma sem palavras.

Depois...

No dia da alta, Carolina viu no relatório os diagnósticos de depressão severa e transtorno afetivo bipolar. Logo abaixo, constava que ela havia feito vinte e cinco sessões de MECT em apenas dois meses.

Ela não conseguiu evitar um pensamento:

"Caramba!"

Lívia cuidou dos trâmites da alta, arrumou a bagagem e saiu caminhando com Carolina pelo braço, enquanto explicava:

— Meu irmão foi para a base. Ele está envolvido numa missão de lançamento, por isso não pôde vir buscar você no hospital. Minha mãe está em casa preparando um monte de coisa gostosa para você. Meu pai e meu irmão mais velho também estão trabalhando, então sobrou para mim vir buscar você.

— Obrigada, Lívia.

O corpo de Carolina estava rígido. A forma como Lívia segurava seu braço lhe causava uma sensação estranha, um pouco constrangedora, como se aquela intimidade ainda não lhe pertencesse.

Em meados de outubro, Nova Capital estava tomada pelo outono. As árvores de ginkgo tingiam a longa avenida de dourado. A luz morna do sol se espalhava por toda parte, enquanto uma brisa suave passava devagar.

Carolina seguiu Lívia para fora do hospital psiquiátrico.

Lívia colocou a bagagem no porta-malas. Carolina ficou parada à beira da rua, ergueu o rosto para o céu azul e respirou fundo.

Tudo parecia leve, como se até a respiração tivesse ficado mais fácil.

Que céu lindo.

E que alívio era, por enquanto, não se lembrar de nada...

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