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Ame-me Outra Vez, Minha Ex! romance Capítulo 22

Júlia não fazia a menor ideia do que ele estava falando.

Mesmo assim, a atitude fria e a repulsa na voz dele a feriram.

Sem qualquer piedade, Sérgio jogou o objeto na lixeira bem na frente dela, exigindo que ela visse com os próprios olhos.

Mantendo a pose firme, Júlia se justificou:

— Não fui eu quem comprou isso.

Sérgio obviamente não acreditou:

— Então por que você me chamou de volta?

Terminar, divórcio, ir ao cartório.

Uma enxurrada de palavras passou pela cabeça de Júlia, mas, ao abrir a boca, nenhuma saiu.

Sérgio estendeu-lhe um cheque:

— Não vou remoer o que aconteceu ontem, mas não pode haver uma segunda vez. Pegue este cheque e dê um jeito de abafar as fofocas na internet.

Júlia, que estava morta de fome, perdeu o apetite num estalo.

Ela manteve a postura reta, ignorando completamente o cheque de dez milhões à sua frente, e apenas retrucou:

— Como eu deveria abafar isso?

Sérgio não tocou no café da manhã. Vestiu o paletó e sentenciou:

— Daqui para a frente, pare de fazer declarações na internet que causem prejuízos à Clarice e à empresa.

Ouvir o homem à sua frente — seu próprio marido — proteger e priorizar outra mulher daquela forma fez o coração de Júlia se contorcer em agonia.

Sérgio ofereceu o cheque mais uma vez. Ela ergueu o queixo, recusando-se a pegá-lo.

Com os olhos ardendo, Júlia mordeu a ponta da língua com tanta força que sentiu o gosto férreo do sangue.

Sérgio apenas olhou para o relógio e deu meia-volta.

Com o bater da porta, a corrente de ar derrubou o cheque que estava no móvel da entrada.

Arrastado para o pó.

Júlia caminhou até a porta, apanhou o papel e agachou-se, deixando que as lágrimas caíssem sem controle.

Ela não seria feita de idiota nunca mais.

Dinheiro e reputação. Ela ficaria com os dois.

Levou um tempo até que Júlia reunisse forças para falar. Quando conseguiu, ligou para Sérgio.

Mas a linha só dava ocupada.

Ao cair na caixa postal, ela ditou, sílaba por sílaba:

— Aceitei o dinheiro, mas isso não é para me calar. É uma indenização pelos danos à minha imagem. Não vou abafar nada. Se quiser me processar, estou à disposição.

— Não me diga que você sequer decorou as falas?

Natália tombou a cabeça, fez bico e fingiu hesitação antes de soltar:

— Não é isso. Eu só queria saber... essa cena do tapa, é para bater de verdade ou a gente finge?

— De verdade, claro! Nos meus sets, se dá para fazer real, não usamos truque de câmera!

Foi só depois de berrar isso que o diretor se virou para Júlia:

— Tudo bem para você?

Júlia só pôde concordar. E, como atriz, ela preferia a autenticidade de um tapa real.

Com todos em posição, o claquetista gritou:

— Cena 46, Câmera C, Take 1.

Júlia entrou no personagem em um segundo. Seus traços abertos e luminosos deram lugar à aura de uma beldade arrogante e gélida.

A mulher afastou as cortinas de contas e perguntou com voz arrastada:

— Quem está fazendo esse escândalo lá fora?

Natália entrou rasgando pela porta e, mirando o rosto impecável de Júlia, desferiu um tapa com toda a força de sua alma! O estalo ecoou.

A violência do golpe foi tamanha que chegou a arrancar um dos grampos do cabelo de Júlia!

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