Ao ouvir os murmúrios ao redor ficando cada vez mais altos, Tia Simone começou a perder a postura.
Ela também estava num beco sem saída.
O secretário e os assistentes de Sérgio Santana não atendiam de jeito nenhum.
O esquema de segurança no Grupo Oceano Internacional era mais rígido do que tudo, e como Sérgio ultimamente ia pouco ao escritório, ela não conseguia encontrá-lo.
Sem ser através de Júlia Guedes e da filha dela, Simone não conseguia pensar em outra alternativa.
Ela avançou, batendo nos celulares dos transeuntes: — O que estão filmando? Parem de filmar!
Júlia deu a ela um olhar impassível, sem intenção de se envolver mais.
Cobriu o rosto de Dora com o casaco e planejou voltar para casa.
Mas Tia Simone não desistiu tão fácil.
Ao ver que Júlia ia embora, aproximou-se para puxá-la.
— Não vá, se Sérgio não vier hoje, vocês não vão subir para o apartamento!
— O pai e a mãe dele morreram, fui eu quem o criei na infância. Até sou meia-sogra sua. Vocês dois não respeitam os mais velhos e ainda se acham superiores. Que coisa absurda!
Enquanto praguejava, Simone segurou o braço de Dora; as unhas cravando-se na pele macia da criança, deixando uma marca instantaneamente.
Assustada, Dora encolheu-se nos braços de Júlia.
O rostinho antes alegre franziu-se de dor, enquanto ela dizia baixinho: — Mamãe, tá doendo...
A voz doce da criança soou nos ouvidos de Júlia como agulhas espetando.
Júlia, cuidando da criança, não ousou usar força bruta.
Em pouco tempo, o casaco na cabeça de Dora foi arrancado.
As pessoas ao redor erguiam seus celulares, algumas até usando o flash.
Clac, clac, disparando tudo no rosto da criança!
Sentindo uma raiva avassaladora prender-lhe a respiração, Júlia ergueu o pé e chutou Simone diretamente para o chão.
— Ai! Agressão! A grande estrela, aproveitando-se da sua fama, está quebrando a lei!
Júlia riu, num misto de raiva e deboche.
As pessoas ao redor também demonstravam desgosto.

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