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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 468

Aquelas palavras tão cruas e carregadas de luxúria de Daniel fizeram Ayla sentir o sangue subir às orelhas.

Ela nem sabia quem comprou aquelas lingeries. Só percebeu que, depois que Daniel mandou organizarem o guarda-roupa dela algumas vezes, várias peças novas apareceram na gaveta.

E eram bem ousadas.

Por um momento, Ayla até pensou em Giovanna ou Letícia. Mas, lembrando do jeito das duas, sempre tão centradas, logo descartou a ideia. Nenhuma delas parecia o tipo de pessoa que se meteria em algo assim para apimentar a relação dos dois.

Agora, olhando para trás... será que Daniel realmente tinha esse gosto?

Não à toa, toda vez que ele a ajudava a pegar lingerie depois do banho, escolhia justamente aquelas peças.

No fim, era sempre Ayla quem trocava por outra.

Dentro de casa, ela mal tinha coragem de vestir aquilo.

Mas, diante do olhar quase suplicante de Daniel, seu coração amoleceu de novo. No fim, os dois cederam um pouco, e ela deixou que ele levasse apenas um conjunto mais provocante.

Ayla virou o rosto, corada, e resmungou baixinho:

— Daniel, você é... você é um tarado de verdade.

— É mesmo?

Daniel não pareceu nem um pouco abalado com a acusação. Olhou para a lingerie finalmente guardada na mala e respondeu, num tom grave e calmo:

— Homem é assim.

Ayla ficou sem fala.

Era isso? Ela tinha mesmo embarcado numa roubada?

Dizem que homem muda depois do casamento.

E, pelo visto, mudava mesmo.

...

Os exames de imagem que Daniel fez dois dias antes já tinham saído.

Pelo resultado, os hematomas internos quase tinham desaparecido por completo. Músculos e ossos também não mostravam nada preocupante.

Só havia uma sombra no estômago que ainda não aparecia com clareza. O médico já conversou com Daniel sobre isso antes. Tudo indicava que ainda fosse apenas um resquício do trauma, mas, por segurança, ele preferia que Daniel passasse por uma avaliação mais completa.

Depois de saber disso, Daniel não comentou nada com Ayla.

E, naturalmente, também não deixou que o médico tocasse no assunto com ela.

O relatório que mostrou para Ayla era tranquilizador.

Ao menos na superfície, sua recuperação parecia excelente, quase boa o bastante para que ela parasse de se preocupar.

Mas Ayla continuou inquieta. Puxou o médico de volta mais de uma vez, querendo confirmação atrás de confirmação. Só sossegou de verdade quando vários deles revisaram os exames de Daniel e garantiram que a recuperação dele estava excelente, e que, mantendo os cuidados e o tratamento, não havia motivo para preocupação.

Ao saírem do hospital, Enzo já os esperava para levá-los ao aeroporto.

Quando Ayla percebeu, empurrou de leve o peito dele.

— Eu acabei de dizer que você não pode beber...

Daniel não respondeu. Em vez disso, levantou-se e foi se sentar ao lado dela, colando o corpo ao seu. Então pegou um pequeno doce com o garfo e o levou até sua boca.

— Então eu compenso. Deixe que eu cuide de você.

Ayla já nem sabia mais o que fazer com Daniel.

Às vezes, ele a mimava tanto que parecia prestes a tratá-la como se fosse feita de cristal.

Mesmo assim, por mais que se visse sem palavras por dentro, seus lábios se abriram obedientes, e ela mordeu o doce que ele lhe oferecia.

O olhar de Daniel era escuro e profundo como tinta derramada, mas, sem o costumeiro fio de dureza, só restava nele uma claridade morna, serena, quase desarmante.

E Ayla não tinha defesa nenhuma contra aquilo.

Enzo chegou a se aproximar para atualizar Daniel sobre o itinerário, mas, ao ouvir o tom baixo da conversa entre os dois, recuou por conta própria.

Na verdade, só de olhar para aquele casal, até ele sentia o rosto esquentar.

Aquele homem era mesmo o mesmo senhor sempre frio e impecável que ele conhecia?

Enzo fechou o rosto, percebendo num estalo a razão da sua solteirice: ele era tímido demais e um zero à esquerda na hora de xavecar.

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