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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 484

— E, se eu não fizesse isso, você acha que ainda assim não iria correr para contar tudo à Ayla?

Uma única frase bastou para calar Rebeca.

Ela travou por um instante.

— O que você quer dizer com isso?

— Você ficou escutando atrás da porta do meu escritório e ainda quer posar de inocente? Eu trato você tão bem, e, mesmo assim, você insiste em virar espiã da Ayla. Confesso que isso me magoa um pouco.

A voz de Bruno seguia leve, quase divertida, como se tudo não passasse de uma brincadeira.

Ele adorava provocar Rebeca.

Mas gostar de mexer com ela não fazia dele um idiota incapaz de perceber intenções tão escancaradas.

No começo, Bruno até pensou em deixar passar, em consideração ao chá.

Só que, pensando melhor, se alguma coisa desse errado, quem pagaria a conta seria ele.

E Rebeca, com aquela carinha de boa moça, não teve um pingo de piedade ao tentar sondá-lo.

Se era assim, então ele também não precisava mais fingir.

O rosto de Rebeca perdeu um pouco da cor.

— Eu não estava escutando. Eu só fui levar o chá...

— O que foi que você ouviu?

Bruno a interrompeu. Mas, antes que ela pudesse responder, já emendou, sem lhe dar espaço:

— Embora, pensando bem, nem importa. Até eu fechar esse negócio, você vai ficar comigo o tempo todo. E pode se acalmar, eu não vou fazer nada com você.

— Bruno, você perdeu completamente a noção? Que tipo de homem se aproveita assim da situação? Eu confiei em você, e é isso que você faz? Me arma uma emboscada?

Rebeca se exaltou.

Ainda assim, mesmo nervosa, havia nela aquela fragilidade involuntária, o ar inocente que só tornava tudo mais irritante.

Bruno lhe lançou um olhar de lado e, de repente, encostou o carro junto ao meio-fio.

Antes que Rebeca entendesse o que estava acontecendo, ele arrancou o celular da mão dela.

Se não tivesse visto que ela já estava no meio de uma mensagem, talvez até se sentisse excessivo — como se estivesse, mais uma vez, machucando uma garota inocente.

— Bruno, seu cretino!

Rebeca jamais conseguiria vencê-lo na força.

Mas, se ele estava tão na defensiva, era porque a pessoa que iria encontrar naquela noite devia ser importante de verdade.

Bruno mandou levarem Rebeca para o quarto e a deixarem sob vigilância. Em seguida, virou as costas e subiu direto para o restaurante giratório da cobertura.

A essa altura, Bianca e Gustavo também já deviam estar chegando.

Ao parar diante da porta da sala reservada, Bruno ajeitou o colarinho, moveu levemente os lábios e vestiu aquele sorriso profissional que não chegava aos olhos.

Só então empurrou a porta e entrou.

Bianca e Gustavo estavam junto à janela, admirando a vista noturna da cidade.

— Srta. Bianca, Sr. Gustavo... finalmente nos conhecemos.

A voz de Bruno deslizou suave até os dois.

Ele fez um gesto com a mão, e todos que estavam dentro da sala saíram de imediato, se posicionando do lado de fora para guardar a entrada.

Bianca se virou ao vê-lo, um sorriso surgindo em seus olhos, e se aproximou logo para cumprimentá-lo com um aperto de mão.

— Então o senhor é o Sr. Bruno?

Mesmo representando o Grupo Vórtex naquela reunião, Bianca ainda sentia um nervosismo difícil de esconder diante de alguém da família Fonseca.

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