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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 52

O rosto de Bianca, perfeitamente maquiado, perdeu parte do brilho num instante.

Será que o cliente estava mesmo tão pouco interessado, a ponto de se recusar a comparecer só porque Ayla não veio?

— A Ayla está de licença. Eu também sou gerente do Grupo Siqueira e posso acompanhar este projeto. Se a sua empresa estiver com dúvidas, pode analisar a proposta que preparei.

Antes que Gustavo pudesse dizer algo, Bianca se adiantou, entregando ao assistente a pasta com o material no qual passou a noite trabalhando.

O assistente hesitou, mas por cortesia, acabou aceitando.

Bianca estava confiante: bastava que vissem seu trabalho, e certamente se arrependeriam do tratamento que lhe deram.

Gustavo então acrescentou:

— Nossa equipe tem profissionais excelentes, não é apenas a Ayla. Peço que transmita ao Sr. Marcelo que a confiança dele em nossa empresa não será em vão.

Diante disso, o assistente apenas assentiu:

— Claro, peço aos dois que aguardem um momento. Vou entregar o material agora mesmo.

Assim que ele saiu, Bianca caiu na cadeira, visivelmente contrariada.

— Só reconhecem a Ayla? Desde quando uma parceria depende exclusivamente de um único funcionário?

Ela se recusava a acreditar que Ayla fosse realmente tão competente assim.

— A Ayla tem um talento raro no setor. Mesmo quando os dados das propostas são semelhantes, se passa pelas mãos dela, o retorno é garantido.

— O lucro de uma empresa é resultado do esforço conjunto de todos os departamentos. Como é que virou mérito exclusivo da Ayla?

Gustavo apenas relatava os fatos, mas Bianca não conseguia aceitar.

— O Sr. Marcelo é homem, não é? Todos esses clientes que só querem negociar com a Ayla... também são homens, certo?

A insinuação fez Gustavo franzir o cenho.

— Não fale besteira!

— Não é besteira. No mundo dos negócios, especialmente neste setor, não existem mulheres invencíveis. Só existem homens que já foram conquistados.

— Bia, desde quando você ficou tão amarga assim?

Ao ver o olhar decepcionado de Gustavo, Bianca percebeu que havia passado dos limites.

Bianca sentiu um nó prender-se em sua garganta. Faltou o ar por um instante e sua visão escureceu por breves segundos.

Nem mesmo Gustavo havia previsto esse desfecho. Seu rosto empalideceu, as palavras sumiram.

Durante todo o trajeto de volta, o silêncio se impôs entre os dois. Cada um mergulhado em seus próprios ressentimentos.

Bianca culpava Gustavo por ter se apoiado tanto em Ayla no passado... se ele não tivesse depositado tamanha confiança nela, talvez a empresa não estivesse agora refém de sua ausência.

Gustavo, por sua vez, se sentia decepcionado com Bianca. Achava que ela deveria ter sido mais equilibrada, mais contida.

Mal haviam retornado à empresa, e a notícia do cancelamento do projeto já corria pelos corredores como fogo em palha seca.

Ao passar pela área comum, Bianca escutou murmúrios abafados, olhares cúmplices e sorrisos disfarçados.

Era evidente que estavam zombando dela.

Apressou o passo, tentando ignorar. Mas, ao passar pela estação de trabalho onde Ayla costumava se sentar... agora vazia, seus olhos recaíram sobre um pequeno grupo de funcionárias jovens que Ayla havia pessoalmente treinado.

As viu digitando, concentradas em alguma tarefa.

Sem avisar, Bianca se aproximou e tomou o laptop das mãos de uma delas.

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