Mas o café da manhã de hoje, tão farto, era claramente por causa da presença de Ayla. Como ele não conhecia o gosto dela, mandou preparar um pouco de tudo.
Daniel não disse nada, apenas levou a xícara de café à boca.
Ayla, por sua vez, pegou uma colher de bolo mousse de chocolate amargo e estendeu para ele:
— Este aqui está muito bom.
O homem ficou surpreso. As sobrancelhas quase franziram.
Ao perceber a reação sutil, Ayla se deu conta do que tinha feito.
— Me desculpa... Perdi completamente a noção. Como é que eu ofereço algo com a colher que eu mesma usei?
Ela tentou puxar a mão de volta, mas a colher já havia sido pega.
No segundo seguinte, o homem realmente provou.
O sabor doce e intenso escorreu pela garganta. Daniel ficou por um momento sem reação, até ele próprio se mostrar surpreso com o que tinha acabado de fazer.
— Senhor! — Exclamou Enzo, nervoso.
Não bastava o Sr. Daniel ter tocado na colher de outra pessoa, o que já seria impensável com a conhecida aversão dele a qualquer contato indireto. Mas comer sobremesa?
Todos sabiam que Daniel detestava doces. Em qualquer evento, se ele estivesse presente, nada com sabor adocicado sequer seria servido.
No entanto, ele engoliu o pedaço. Sem drama.
Daniel então lançou um olhar a Enzo. O clima mudou na hora. A pressão no ambiente fez com que Enzo engolisse seco e se calasse.
— Sr. Daniel, você não gosta de doces? — Ayla perguntou, percebendo o comportamento de Enzo e começando a desconfiar.
Ela ficou visivelmente sem graça. Será que ele odiava tanto doces assim? Será que forçou a barra?
Daniel pegou um guardanapo e limpou calmamente o canto da boca:
— Antes eu não gostava. Mas hoje... não achei tão ruim.
"Antes não gostava, mas hoje... tudo bem?"
O bolo era mesmo tão bom assim?
Ayla passou discretamente a língua pelos lábios, sem saber direito o que responder.

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