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Amor Falso Herança Verdadeira romance Capítulo 962

— Pode deixar comigo. Eu levo.

Rebeca estranhou.

Bruno sempre encontrou algum pretexto para lhe dar ordens, e ela já se acostumou a ser convocada até para as menores coisas. Ainda assim, não questionou. Apenas entregou os documentos ao assistente.

Pouco depois, as folhas voltaram à sua mesa.

A assinatura de Bruno atravessava o papel num traço firme, rápido e sem hesitação. A caligrafia era bonita, para irritação de Rebeca. Até nisso o homem precisava se sair bem.

— E o Sr. Bruno? Está se sentindo melhor? Não é nada sério, certo?

O assistente balançou a cabeça.

— Ele parece bem. Está em reunião desde cedo.

Se Bruno mantinha aquele ritmo de trabalho, então não devia enfrentar nenhum problema grave.

Rebeca relaxou e não tocou mais no assunto.

À tarde, saiu de uma reunião de projeto e encontrou Bruno vindo na direção contrária.

O terno escuro acompanhava seus passos sem uma dobra fora do lugar, e o nó da gravata permanecia impecável. O rosto, porém, traía todo aquele controle. A pele estava pálida, e sombras profundas marcavam a região sob seus olhos.

— Sr. Bruno.

Rebeca tomou a iniciativa de cumprimentá-lo.

Ele respondeu apenas com um breve movimento de cabeça.

Bruno passou tão perto que ela sentiu o ar se deslocar, mas não recebeu sequer um olhar. Em poucos segundos, ele já seguiu pelo corredor.

A distância calculada deixou Rebeca desconfortável.

Pelo visto, Bruno ainda estava ressentido.

Talvez fosse melhor assim. Com algum tempo, o interesse dele desapareceria, e os dois poderiam voltar a conviver sem que cada gesto carregasse um significado incômodo.

O volume de trabalho obrigou Rebeca a ficar até tarde.

Ao deixar o andar, passou diante do escritório de Bruno. A luz continuava acesa atrás das paredes de vidro, e a silhueta dele permanecia curvada sobre a mesa, sem qualquer sinal de que pretendia encerrar o expediente.

Bruno ainda se recuperava. Alguém devia lembrá-lo de que trabalhar até a exaustão não ajudaria em nada.

Rebeca diminuiu o passo.

Por um momento, quase bateu à porta. Depois se lembrou da frieza no corredor e continuou andando.

Se ele queria distância, ela respeitaria.

No caminho de volta, parou como de costume numa loja de conveniência e comprou algumas coisas para comer.

Para chegar ao condomínio, escolheu novamente o atalho. O trajeto economizava alguns minutos, mas atravessava um trecho em que os postes ficavam distantes demais uns dos outros, deixando longas faixas de sombra entre uma luz e outra.

Com a sacola na mão, Rebeca entrou naquela rua quase deserta.

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