"Eva"
Eu tinha muitos e-mails para responder, a quantidade de e-mails que eu recebia nessa empresa todos os dias era uma coisa fora do comum, parecia que eu trabalhava no setor de reclamação e não no departamento financeiro. O pior de tudo é que aqueles e-mails se acumulavam e eu parecia que nunca conseguiria chegar ao final deles. Então eu criei regras de classificação na minha caixa de e-mails de acordo com os remetentes ou alguns termos mais importantes e esses apareciam primeiro para mim, assim eu tentava não perder nada importante.
Eu estava totalmente focada em responder os e-mails, as pessoas naquela empresa mandavam e-mails por tudo, mas principalmente reclamando que o Rossi não tinha autorizado alguma verba e me implorando para convencê-lo do quanto era importante. Contudo, essa não era a minha única função e eu não podia ficar o dia inteiro presa a minha caixa de e-mail. Talvez eu devesse trabalhar aos finais de semana para tentar esvaziá-la. Eu já estava a ponto de gritar, quando o telefone sobre a minha mesa tocou.
- Eva Sanchez. - Eu atendi automaticamente.
- Amorzinho, preciso de você na minha sala depressa. A Salma pediu uma reunião, eu gostaria que você participasse porque eu não confio naquela mulher. - A voz do José Miguel era de descontentamento ao proferir o nome daquela mulher.
- Estou indo! - Eu coloquei o aparelho no gancho, peguei a minha agenda e a caneta e fui para a sala do Rossi. - Ainda não chegou?
- A Sara a segurou na recepção. Senta aqui! - Ele me apontou uma cadeira na lateral da mesa. - Essa mulher me irrita! Estava tão bom quando ela achava que eu era gay. Não conta isso para o Enzo!
- Tarde demais, eu vou contar. - Eu ri e a porta da sala foi aberta.
- Eu pedi uma reunião com você, Rossi, não com a sua assistente. - A Salma entrou e parou ao lado da porta, nos deixando ver o Brandão atrás dela.
- Ela é minha assistente, Salma, vai me acompanhar em qualquer reunião e qualquer lugar dessa empresa que eu queira! Já o Brandão, nem do seu departamento é, o que me deixa muito curioso para saber o que a duplinha dinâmica quer comigo. - O José Miguel estava sem paciência nenhuma para aqueles dois, era nítido.
O Brandão colocou a mão atrás da Salma e eu quase tive a impressão de que ele mexeu no quadro grande que ficava na parede, mas t6alvez ele tenha tocado a Salma, porque logo depois eles se olharam e ele deu um sorrisinho pra ela. Foi como se eles se comunicassem naquele olhar. Então ela andou até a cadeira em frente ao José Miguel, afastou a cadeira da mesa e deu uma cruzada de pernas no melhor estilo "mulher fatal", seria sexy, se ela não fosse tão desesperada por atenção. Eu não estava gostando da intenção desses dois.
- Rossi, isso aqui é uma reunião de diretores, sua namoradinha não precisa participar dela. - A Salma insistiu.
- Eu não me importo, acho até mais agradável! - O Brandão sorriu pra mim, como sempre canastrão. Ele não aprendia o lugar dele.
- Veja bem, Salma, ela não é minha namoradinha nestes termos depreciativos que você sugere. Ela é minha namorada! Eu tenho um relacionamento amoroso, estável e monogâmico com ela. Mas isso não interfere na minha relação profissional com ela, tampouco no nosso desempenho profissional e você já deveria saber disso, considerando os anos que eu trabalho nesta empresa. - O José Miguel a encarou, ignorando o Brandão completamente.
- Por isso mesmo eu acho estranho, Rossi. você nunca trouxe a vida pessoal para o trabalho, nunca nem aceitou os nossos convites para um happy hour, aí, do nada, começa a namorar a sua assistente. - A Salma insistiu. Essa mulher era insuportável.
- Diferente de vocês dois que pensam que a empresa é uma agência de encontros e saem com o máximo de funcionários possível. - O José Miguel acusou.
- Assim, você fere meus sentimentos, Rossi! Eu sinto atração por mulheres lindas, elas se atraem por mim e nós acabamos nos divertindo um pouco, mas tudo com consentimento mútuo e fora do horário de trabalho. - O Brandão tinha aquele sorriso cínico no rosto.
- E você, Salma, veio apenas escoltar o Brandão? - O José Miguel perguntou e eu ri da cara azeda da mulher muito branca com um bordô quase marrom nos lábios que estavam retorcidos.
- É isso aí, Rossi, a mesma coisa que o Brandão disse, eu vou ficar longe de você e dessa garotinha, vamos nos ater as questões profissionais. Mas quem perde é você que...
- Chega, Salma! Seu comportamento não é só irritante, é desrespeitoso e constrangedor. Se você não tem intenção de realmente ser uma profissional, mesmo ocupando um cargo de direção numa empresa do porte da Lince, então é melhor se manter longe de mim e da Srta. Sanchez, porque assim como eu avisei ao Brandão, mais um movimento ou comentário seu me assediando ou assediando a Eva e nós terminaremos, não só na sala do Martinez, mas nos tribunais, e isso não vai ser bonito. - O José Miguel rugiu e ficou de pé. - E se vocês terminaram, eu tenho trabalho a fazer.
- Você não vai mais ter queixas, Rossi. Nem você. - A Salma me olhou com desdém.
Eu juro que tive a impressão que, se o cabelo extremamente preto dela não tivesse um corte pixie, ela o teria jogado na minha cara quando se virou em direção a porta.
- Esses dois me irritam! - O José Miguel passou a mão no rosto.
- Eu também não gostei dessa reuniãozinha. - Eu olhei fixamente para a porta por um minuto, respirei fundo e me virei para o meu namorado. - Vamos até a copa tomar um café, o perfume enjoativo dela impregnou a sua sala.
Ele deu um pequeno sorriso pra mim e me apontou a porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...