Entrar Via

Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 133

"José Miguel"

No caminho para o aeroporto eu pedi ao motorista que paresse brevemente em uma loja, comprei um celular pré pago qualquer e assim que me sentei novamente no taxi o habilitei. A primeira coisa que fiz foi pedir ao Matheus o número da Eva, porque o número dele era o único que eu sabia de cor. Ele me enviou o número e eu liguei, mas a minha chamada foi para a caixa de mensagens. Eu insisti mais três vezes, mas cada uma das chamadas foi enviada para a caixa postal. O meu dia tinha sido um inferno sem ouvir a voz dela.

Eu sai do taxi e entrei correndo no aeroporto, ainda digitando uma mensagem para o meu amorzinho e quando cheguei à pista, o Martinez me deu um sorriso e nós subimos a bordo do seu jato particular.

- Você parece ter saído de um furacão. - Ele perguntou assim que nos sentamos de frente um para o outro.

- Eu ainda me sinto no meio de um furacão. - Eu respondi e afivelei o cinto.

- É uma viagem de algumas horas, quer conversar? - Ele perguntou com aquele jeito de quem aceita um sim ou não com a mesma tranquilidade.

- Eu não vi a Eva hoje e nem consegui falar com ela. Aliás, esqueci o meu celular na empresa e comprei um pré pago, preciso te passar o número. - Eu avisei.

Ele tirou um cartão de visitas com o seu número de celular do bolso e me entregou. Enquanto eu salvava o contato e enviava uma mensagem para ele, o avião decolou e os olhos do Heitor estavam sobre mim como se enxergassem além do que eu tinha dito.

- Abre o seu coraçãozinho pra mim, Rossi. O Bittencourt não vai ficar magoado por você chorar no meu ombro. - A forma descontraída com que ele falou era diametralmente oposta ao seu semblante sério.

- É uma longa história, Heitor. - Eu suspirei e a aeromoça se aproximou com dois copos de whisky e um sorriso profissional.

- Como eu disse, é uma viagem de algumas horas. - Ele repetiu.

Eu pensei que seria bom conversar com alguém enquanto eu ruminava as escolhas ruins que eu fiz na vida. Eu tomei um gole do whisky e o encarei, com um suspiro longo eu comecei a falar.

- Eu fui casado, Heitor. - Foi a primeira coisa que eu disse e o sorrisinho esperto no rosto dele não deixou dúvidas.

- Até que enfim você contou. Sabe, eu fiquei muito magoado por não ter sido convidado para aquele casamento, espero que no próximo eu seja pelo menos padrinho! - Ele me pegou completamente de surpresa.

- Espera... você sabia?

- Do casamento, do motivo, do inferno que você viveu, da gravidez dos gêmeos e do acidente. Assim como eu vi o inferno que você atravessou nos últimos cinco anos e fiquei muito feliz quando você aceitou a Eva na sua vida. - Ele levou o copo a boca e depois me encarou. - O Matheus não é o seu único amigo, Rossi, por mais que você tenha tentado manter todos os outros a distância, eu, pelo menos, ainda me considero seu amigo.

- Eu sinto muito por ter sido injusto, mas eu estava completamente perdido depois que a minha mãe morreu, a situação com a Cora foi inesperada e longe de ser o que eu queria para a minha vida e depois ela se mostrou uma pessoa difícil e eu quis mantâ-la longe do meu trabalho na Lince, que era a única coisa que me mantinha com os pés no chão. - Eu me expliquei, mas agora eu percebia o quanto eu tinha sido egoísta e pensado só no que eu queria.

- Não se preocupe, eu entendo. Pelo que eu soube a sua falecida esposa fazia grandes escândalos. - O Heitor, de repente, parecia muito sereno e me lembrou do Nelson, para quem eu deveria ter ligado ontem à noite ao invés de ir encher a cara.

- Como você soube? Da coisa toda? - Eu fiquei curioso, porque sabia que não tinha sido através do Matheus.

- Ah, Rossi, eu sou um homem fiel que adora o chão que a esposa pisa agora, mas antes da minha deusa cruzar o meu caminho eu dormi com metade dessa cidade e certamente com todas as mulheres que estavam na sua folha de pagamentos na Bittencourt! - Ele sorriu. - E você sabe, nenhum veículo de comunicação é mais eficiente que a rádio fofoca em qualquer empresa. Tudo começou quando eu convidei uma delas para um fim de semana numa praia paradisíaca e ela recusou porque tinha que ir ao seu casamento. Então ela me contou tudo. Depois disso, foi natural, cada uma me contava uma coisa durante as nossas conversas e depois eu passei a perguntar porque parecia novela.

- Por que você nunca me disse nada?

- Tenho certeza que vai, mas agora me conta a fofoca toda, porque fofoca pela metade mata quem transporta informações gratuitamente. - O Heitor exigiu me fazenbdo rir novamente.

- Há umas semanas eu resolvi finalmente tirar as coisas da vadia morta de casa e encontrei um diário. O Matheus estava comigo e escondeu o diário que eu queria queimar sem ler. Eu achei que tinha queimado o diário, mas o Matheus estava com ele e leu. Ontem ele me contou o que tem lá. A vadia morta escreveu com riqueza de detalkhes todas as merdas que armou e eu caí como uma besta.

- É "caí como um patinho", mas acho que "como uma besta" serve também. E o que o Bittencourt fez com o livro da bruxa?

- Me estregou hoje. Está aqui na minha pasta, vou ler no hotel. - Eu expliquei e o Heitor estalou a língua e se mudou para a poltrona ao meu lado, colocando a pasta no meu colo.

- Anda, pega o livro proibido aí, vamos ler juntos. Nem a pau que você vai me deixar de fora dessa vez! - Ele exigiu e esperou, me encarando, como se não estivesse me dando escolha, mas estava, eu sabia que podia dizer não, mas talvez ter alguém que pudesse lidar com as minhas emoções enquanto eu lia aquilo fosse uma boa idéia.

Eu tirei o diário da pasta e o Heitor pegou a pasta e jogou na poltrona a nossa frente, fez um sinal para a aeromoça e ela encheu nossos copos outra vez. Então eu abri o diário entre nós e começamos a ler. Vez ou outra o Heitor soltava um palavrão, enquanto eu dizia repetidamente "não acredito", "vadia" ou "como eu acreditei nisso?", contudo, quando o comandante anunciou que deveríamos nos preparar para pousar, o Heitor e eu já gritávamos "filha da puta", "piranha" e "caralho" como se estivéssemos em um estabelecimento vulgar. E nem estávamos na metade do diário.

- No seu quarto ou no meu, Rossi? - O Heitor perguntou quando paramos em frente as portas dos nossos quartos lado a lado no hotel. Mas eu o encarei sem entender. - Não se faz de bobo, onde vamos terminar de ler o diária da piranha morta? Você não vai me excluir disso.

- Aaah! - Eu dei uma risada, porque apesar da raiva que eu estava sentindo, o Heitor estava fazendo aquilo parecer menos difícil. - Eu vou tomar um banho e tentar falar com a Eva. Podemos nos encontrar no restaurante em uma hora e depois do jantar...

- Te dou meia hora para tomar banho e ligar para a sua Evita. Depois disso eu bato na sua porta com o serviço de quarto. - O Heitor avisou e entrou no próprio quarto.

Meia hora depois o Heitor afundou o dedo na campainha do quarto, mas eu ainda não tinha conseguido falar com a Eva quando abri a porta para ele, só tinha recebido uma mensagem dela dizendo que ainda estava na farmacêutica e estava morrendo de saudade. Não falar com ela estava me deixando de péssimo humor.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe