"Eva"
O Dr. Romeu previu que a Rochele pediria o divórcio ao Elias, o que o meu irmãop finalmente decidiu que queria e por isso protegeu a farmacêutica, porém o que a minha cunhada decidiu fazer foi muito pior e poderia causar um grande problema se nós não tomássemos providências.
- Eu não acredito que aquela patricinha fake é tão esperta assim, pedir judicialmente a alteração do regime de bens e para isso te acusar de ocultação de patrimônio é uma jogada muito suja até para ela. - Eu grunhi para o Elias.
Eu esfreguei os meus olhos e olhei a tela do meu celular descarregado mais uma vez. Eu tinha passado o dia entre reuniões na farmacêutica e perdi todas as chamadas do José Miguel e agora o meu celular estava sem bateria, eu tinha deixado o meu carregador extra na Lince e não tinha encontrado ninguém na farmacêutica com um carregador compatível com um celular da era das cavernas para carregar o meu aparelho, o que me deixava com ainda mais ódio daquela mulher interesseira. E, para piorar, nós ainda estávamos em busca de uma saída realmente efetiva.
- Não se esqueça, irmãzinha, do pedido de indenização e que ela deseja permanecer casada com o idiota porque "o ama além de si mesma". - O Érico zombou do Elias.
- Eu me pergunto como um advogado consegue colocar algo tão inescrupuloso no papel. - O Dr. Romeu resmungou. Até ele estava resmungando porque precisou cancelar o jantar com alguém importante e isso o tinha irritado profundamente.
Já era de madrugada quando o Dr. Romeu finalmente pareceu ter encontrado uma saída e nos dispensou com um sorriso confiante. Se ele não conseguisse arrasar com a patricinha de meia pataca no tribunal, eu já estava planejando matá-la e dissolver o corpo em ácido no laboratório da farmacêutica. Eu tinha certeza que o Matheus me ajudaria!
Mas quando eu cheguei em casa eu estava tão exausta que esqueci de colocar o celular para carregar e só na manhã seguinte, ao acordar atrasada, eu me lembrei dele. Correndo de um lado para o outro eu o coloquei para carregar, na esperança de que eu pudesse ao menos enviar uma mensagem para o meu amorzinho.
Assim que eu entrei no taxi eu peguei o celular e apertei o botão para ligar, mas aparentemente os dez minutos que eu levei para tomar banho e me trocar era pouco tempo demais para alimentar o meu dinossauro. Ele até ligou, mas com os alertas das mensagens chegando ele morreu de novo antes que eu pudesse dar bom dia para o José Miguel. Eu teria que esperar até estar na minha sala.
Eu passei às pressas pelo Júlio na portaria da Lince, dando só um adeusinho e um sorriso para ele e quando cheguei ao elevador, dei de cara com a última pessoa que eu queria ver, aquela chata da diretora de recursos humanos.
- Você está atrasada! Não pense que tem privilégios porque namora o seu chefe. - Ela latiu com um brilho malicioso nos olhos. Eu quase pude ver o veneno escorrer no canto da boca.
- Sra. Rezende, eu não gozo de privilégios e sei disso muito bem, no entanto eu também não tenho horário fixo. - Eu respondi e ela ergueu a sobrancelha.
- Você é bem atrevida! - Ela bufou. - Eu estava esperando por você, nós vamos para a minha sala.
- Algum problema, senhora? - Só me faltava essa mulher querer bancar a engraçadinha para cima de mim.
- Sim, Srta. Sanchez, temos um grande problema com os seus exames admissionais, mas vamos discutir isso na minha sala e acho melhor para a senhorita que seja agora, antes que comece o seu expediente. - Ela deu um sorriso frio, que me deixou inquieta, mas eu não tinha escolha, ela era diretora, eu uma simples assistente e ela queria tratar sobre questões profissionais, eu não poderia me negar.
- Está bem, Sra. Rezende. Eu a acompanho. - Eu respirei fundo e apontei para o elevador quando a porta se abriu.
- Pois é, grávida! E pelo que eu me informei, já estava com algo em torno de um mês quando começu na empresa. - Ela repetiu, mas as suas palavras ecoavam na minha cabeça como se ela estivesse vazia.
- Eu não estou... - Eu abri a boca só para ser sileciada pelo olhar fulminante daquela mulher.
- Pelo que sei o laboratório manda uma cópia dos exames para o e-mail dos funcionários. Além do mais, como mulher, essa informação não deveria te surpreender, afinal, você já deve estar sentindo os sintomas. - Ela me encarava como se me desafiasse.
- Eu não...
Eu não sabia o que pensar e muito menos o que fazer. A única coisa que se passava na minha cabeça era como. Quer dizer, eu sabia como, mas eu também usava um anticoncepcional. Então, como? Ela colocou o exame diante de mim.
- Veja bem, Srta. Sanchez, se nós tivéssemos a informação da sua gravidez, você não teria sido contratada, afinal, você sabe, é um grande inconveniente contratar uma mulher grávida. - Ela começou a falar e eu a encarei surpresa, afinal aquilo era totalmente absurdo. Mas ela não parou por aí. - Bem, eu liguei para o laboratório e me informei, perguntei se poderia haver algum engano ou se a gestação era tão recente que você não soubesse e eles me informaram a estimatimativa do seu tempo gestação de acordo com a dosagem hormonal e isso diz que você ficou grávida cerca de um mês antes de começar a trabalhar aqui. Interessante, não?
- Não... - Eu murmurei olhando para aquele papel que estava virando o meu mundo do avesso.
- Bem, Srta. Sanchez, não informar a sua gestação foi desleal da sua parte. Infelizmente eu não posso demití-la, mas acredite, eu vou, assim que o seu período de estabilidade passar. Mas eu quero te mostrar mais uma coisinha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...