"Eva"
Eu olhei para cima e vi o rosto do Brandão, seus olhos me encarando com visível preocupação e eu sabia que eu deveria estar uma confusão de lágrimas e maquiagem borrada.
- Srta. Sanchez? Está tudo bem? - O Brandão segurou os meus ombros e me encarou. - Droga, não está bem. O que a Salma fez? - Ele perguntou com alguma irritação.
- Com licença, Sr. Brandão, me deixe passar. - Eu me desvencilhei dele e entrei no elevador, mas ele me seguiu para dentro.
- O que está havendo? Você está tremendo? Você está se sentindo bem? - Ele insistiu, mas não me tocou.
- Só me deixe... - Eu nem consegui completar a frase e desabei completamente, me encostei na parede do fundo do elevador e o choro se intensificou em soluços profundos e lágrimas que ardiam nos meus olhos.
- Merda! - Ele murmurou e fechou os seus braços em torno de mim, como se me oferecesse amparo. - Escuta, Eva, você não está bem e sei que não vai me contar o que aconteceu, embora eu tenha certeza que isso é obra da Salma, afinal, você estava no andar dela, mas deixa eu te ajudar, tá bom?! O que eu posso fazer por você?
Eu não tinha palavras, eu não sabia como reagir naquele momento, mas o jeito que ele me abraçou pareceu ser unicamente uma tentativa de consolo e eu só chorei e solucei sem protestar.
- Olha, eu não gosto do Rossi e eu realmente dou em cima de todas as mulheres e vivo dando em cima de você, mas eu não vou ser um canalha com você, eu não vou tentar me aproveitar da sua fragilidade. Então só me deixa fazer algo para ajudar. - Suas palavras eram honestas demais para serem falsas.
- Me tira daqui! - Eu pedi, porque eu queria fugir e porque ele me pareceu sincero naquele momento, diferente de todas as outras vezes.
- Está bem! - Ele respondeu e apertou um botão no painel do elevador.
Quando as portas do elevador se abriram, nós estávamos na garagem e ele estava com o celular no ouvido.
- Eu não estou conseguindo falar com o Enzo e sei que o Rossi não está na empresa hoje. Me diz para onde eu te levo. - Ele foi falando enquanto caminhava comigo, com um braço protetor sobre os meus ombros.
Eu ouvi o som do alarme destravando no sedan preto logo à frente, ele me conduziu até a porta do carona e a abriu para que eu entrasse.
- Você pode me levar para a minha casa? - Eu pedi quando me sentei, com as lágrimas ainda escorrendo pelo meu rosto.
Ele fez que sim, fechou a porta e deu a volta no carro. Quando se sentou ao meu lado ele apontou para o GPS no painel e eu coloquei o endereço. Ele me levou para casa, sem perguntas, sem gracinhas, sem nenhuma atitude que pudesse colocar em dúvida a honestidade do seu gesto. Ele simplesmente se sentou lá e dirigiu, num silêncio que era tudo o que eu precisava. Quando ele parou na porta da minha casa, ele me entregou um cartão antes que eu saísse do carro.
- Caso você precise de algo em que eu possa ajudar. - Ele disse simplesmente, segurando a ponta do cartão, se tentar me tocar ou dizer qualquer outra coisa.
- Obrigada, por ter me trazido, pelo cartão e por não ter feito nenhuma gracinha. - Eu não consegui sorrir, a dor ecoando dentro do meu peito era enorme e eu não conseguiria sorrir. Eu desci do carro e entrei em casa sem olhar para trás.
- Eva, minha filha, o que você está fazendo em ca...sa. - Minha mãe me olhou chocada. - Eva o que houve?
- Agora não, mãe, por favor! Só me deixa ficar no meu canto. E não fala pra ninguém que eu estou aqui. Você pode fazer isso por mim? - Eu pedi, sabendo que a minha mãe sempre respeitava quando eu pedia um tempo.
- Claro, minha filha! - Ela tocou o meu rosto docemente, seus olhos carregados de preocupação. - Você sabe que o meu colo está aqui para você assim que você estiver pronta.
- Mãe, eu estou bem, quando eu estiver pronta eu vou falar, mas fique tranquila, eu estou bem.
- Não está, filha. Você está fugindo. Pelas suas lágrimas eu sei que você brigou com o José Miguel e pelo seu pedido eu sei que você brigou com a Gabriele, que é como sua irmã, então querida, você não pode estar bem. E eu preferia você aqui, no meu colo, mas eu sei que você faz suas escolhas, como tem que ser, e sei que seu irmão vai te proteger. Então, só volta logo, porque eu vou morrer de saudade. - Minha mãe falou com a voz embargada e quando eu a bracei eu senti suas lágrimas quentes no meu ombro.
- Vou arrumar minhas coisas, Elias.
Eu saí da sala e voltei para o meu quarto, arrumei a minha mala e meia hora depois o Elias e eu saíamos de casa. Eu estava me afastando, fugindo sim dos problemas, mas eu não tinha força para enfrentá-los, eu não podia lidar com as acusações do José Miguel e eu não conseguiria olhar para a Gabriele. Não agora.
N.A.:
Olá, queridos... como estão?
Sasinhora, deu a louca? Quatro capítulos? Sério isso, gente? É que o povo ontem estava caladão, mas hoje está falando demais nos meus ouvidos... rs... e a confusão não está pequena não!
Olha, propositalmente tem dois dias que eu não leio os comentários de vocês (vou olhar retroativamente, mas confesso, estou em crise de abstinência!), porque eu sei que Joeva é fofo demais para se separar, mas as cobras traiçoeiras mundo afora não tiram folga, gente! Mas fiquem calmos, acho que de tudo sairão boas lições para esse povo todo. Querem spoiler para amanhã? Vou dar, só pra vocês não roerem os dedos. Amanhã teremos o povo louco atrás da Eva, teremos o Jose Miguel sendo surpreendido e teremos e confronto bem interessante entre aliados. Enquanto isso, para vocês não ficarem tristes porque eu gosto da minha tropa sorrindo, a Berta me contou que a Urtiguinha segue tirando o cochilinho da tarde!
Meus lindos, que todos tenham uma semana abençoada e cheia de bons sentimentos!
Beijo no coração, meus lindos!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...