"José Miguel"
Eu me levantei e nós saímos da sala da Marta. Eu estava me sentindo derrotado, mas ainda não tinha desistido e quando chegamos ao portão fomos alcançados pelo Edson e o Érico. Talvez eu tivesse uma chance.
- Esperem aí, todos três! - A voz do Edson soou firme atrás de mim. - Eu quero saber o que você fez com a nossa irmã, Rossi?
Eu estava pronto para contar a história e tentar convencê-los a me ajudar, mas a Gabriele pulou na minha frente.
- Você não o ouviu dizer que foi um vídeo tirado de contexto? Quer saber mais? Pergunta pra Eva, porque se vocês estão escondendo a minha amiga de mim, de mim, idiota, nós não temos porque compartilhar informação com vocês! - A Gabriele deu as costas para os irmãos da Eva e eu estava olhando para ela desesperado, eles eram a minha chance de encontrá-la e a Gabriele jogava a pá de cal. Eu estava pronto para contrariá-la. - Vocês dois, pra fora!
- Gabri... - Eu comecei, mas ela me deu um safanão.
- Eles não vão dizer, Rossi! - O olhar dela pra mim não deixava dúvida de que ela sabia o que estava fazendo. - Vamos, amanhã você explica tudo para a Marta. Pra esses dois bocós não!
- Gabriele, não abusa! Nós temos todo o direito de saber o que esse idiota fez com a nossa irmã, porque ela está arrasada. - O Edson avisou e ela se virou para ele num acesso de raiva.
- Ah, que não abusa o quê! Quem vocês dois pensam que são? Os paladinos da moral e dos bons costumes? Sempre prontos para apontar o dedinho acusador de vocês na cara dos outros, mas não prestam atenção nas merdas que fazem! Estão achando que estão protegendo a Eva de uma coisa que nem sabem o que é, sem dar chance pra ninguém explicar. Engraçado é que diziam que eu era como irmã de vocês, mas quando o outro bocó fez aquela palhaçada comigo vocês acobertaram as mentiras dele, sem pestanejar. Então com que direito vocês vêm julgar o Rossi, hein? - A Gabriele encarou o Edson sem dar chance a ele de questioná-la.
- Amo quando essa mulher fica brava! - O Matheus murmurou ao meu lado com um meio sorriso.
- Pra fora vocês dois! - A Gabriele se virou para nós e nos empurrou para fora.
Nós saímos da casa da Eva e entramos no carro, deixando um Edson estupefato com a audácia da Gabriele para trás.
- Gabi, o que você fez? Eu poderia convencê-los... - Eu reclamei enquanto o Matheus colocava o carro em movimento.
- Poderia nada, Rossi, se tem uma coisa que os quatro irmãos Sanchez são é cabeça dura e se decidem uma coisa fazê-los mudar de idéia é quase impossível, e eles são absurdamente leais um ao outro também e se a Eva pediu para não contarem onde ela está, eles não vão contar.
- E o que eu faço, Gabi? Eu não posso cruzar os braços. - Eu reclamei e ela sorriu.
- Sorte sua que eu gosto de você. - Ela declarou e colocou um endereço no GPS. - É lá que a Eva está! - Ela sorriu confiante apontando para a tela. - Aqueles idiotas, acham mesmo que me enganam.
- Que lugar é esse, Peste? - O Matheus a olhou por um breve momento.
- A cidade onde esses idiotas moram. Eles me subestimam demais, pensaram que eu não ia me dar conta. - A Gabriele reclamou. - Na verdade eu tinha que ter pensado nisso logo que eu percebi que a Eva estava se escondendo de mim também, mas quando eu cheguei e vi só dois patetas eu me dei conta, os três estão sempre juntos, como uma unidade inseparável, então se falta um é porque ele está com a Eva.
- Não estou entendendo. - Eu enfiei a cabeça entre os dois bancos da frente e olhei para a Gabriele.
- Ai, Rossi! Pensa! - Ela bufou. - Qual o único lugar na face da terra onde eu não colocaria os meus pés para procurar a Eva? Pelo menos ela acha isso, porque eu a procuraria até na casa daquela vaca da Rochele.
- Eles moram em algum lugar dessa cidade, não pode ser tão difícil. - A Gabriele olhou para frente como se pensasse.
- Não, não pode ser, a não ser pelo fatro de que aqui nesse lugar devem moras uma quinze mil pessoas! - O Matheus a olhava com descrença.
- A família da Rochele tem uma loja na praça da cidade. - Eu murmurei.
- Como é? - A Gabriele me encarou.
- A Eva falou qualquer coisa sobre a Rochele se achar melhor que os outros porque a família tem uma loja na praça da cidade. Foi naquele dia que ela confrontou o Elias, as duas brigaram antes de vocês chegarem. - Eu expliquei.
- Deus está me punindo, vou ter que pedir ajuda para aquela coisinha insuportável. - A Gabriele reclamou.
- Você não, porque eu duvido que ele te diga alguma coisa, mas para mim, eu tenho certeza que ela conta tudo. - O Matheus sorriu. - Vamos encontrar um hotel, porque já está tarde e a loja só vai abrir amanhã. E você precisa de um banho, Rossi.
- Matheus, eu preciso encontrar a Eva! - Eu reclamei.
- Rossi, isso é uma cidade do interior, as pessoas dormem cedo, acordam cedo e a essa hora se nós sairmos batendo de porta em porta nós podemos ser presos por perturbação do sossego. Eu sei que você quer encontrar a Eva rápido, mas o melhor que podemos fazer é pararm, descansar e amanhã bem cedo vamos a tal loja. - O Matheus tinha razão, mesmo que aquilo significasse mais horas de agonia para mim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...