"José Miguel"
A noite passou lenta e tortuosamente, meus olhos não se fecharam nem por um segundo. Enquanto eu andava de um lado para o outro naquele pequeno quarto do hotel simples que nós conseguimos na cidade, eu só conseguia pensar que queria estar lá fora procurando pela Eva. Mas o Matheus tinha razão, a cidade inteira parecia dormir. Nós perguntamos ao atendente do hotel sobre os irmãos Sanchez, mas ele não tinha idéia de quem estávamos falando, então a minha esperança era a esposa interesseira do Elias.
Às seis da manhã eu já estava na recepção do hotel, como havia combinado com o Matheus e a Gabriele e nós não levamos mais que meia hora para descobrir qual era a loja da família da Rochele, que para meu total desespero só abriria as oito da manhã.
- Calma, Rossi, vamos dar uma volta pela cidade, vai que temos sorte. - O Matheus sugeriu e nós saímos pela cidade.
Era uma cidade pacata, do tipo que se move preguiçosamente, sem pressa, sem o fervor dos grandes centgros urbanos. Nós entramos em vários comércios para perguntar sobre os Sanchez, perguntamos a vários moradores, mas a sorte estava de mal comigo. Era como se eles nem existissem naquela cidade. Às oito, antes que a Rochela conseguisse destrancar a porta da loja, o Matheus e eu já estávamos atrás dela.
- Bom dia, Rochele! - A minha voz soou grave e um tanto irritada. Eu não gostava daquela mulher, mas precisava da ajuda dela.
- Ai! Que susto! - Ela deu pulo e se enbcostou na porta da loja com a mão no coração. Mas quando viu o Matheus em frente a ela os seus olhos brilharam como se visse um belo diamante e um sorriso convidativo se desenhou no seu rosto. - Olha, se não é o Matheus Bittencourt no meu humilde estabelecimento?!
- Bom dia, Rochele! - O Matheus ofereceu a ela aquele sorriso que fazia as mulheres se derreterem por ele e sua voz era pura simpatia e calor.
Ele também não gostava dela, mas sabia que precisávamos dela e que o melhor caminho seria ser simpático. Ela estreitou os olhos e olhou dele pra mim e depois em direção ao carro estacionado do outro lado da rua, cujos vidros escuros não permitiam que ela visse a Gabriele que eu imaginava estava espumando de raiva por ver o Matheus flertar deliberadamente com a Rochele.
- E onde estão aquelas duas insuportáveis que se acham donas de vocês, bonitões? - A Rochele perguntou e destravou a porta da loja, nos convidando a entrar.
- Elas não estão aqui. - O Matheus ofereceu mais um sorriso e uma piscadela que fez a Rochele suspirar.
- Sorte minha! - Ela sorriu confiante para eles.
- Afinal, vocês têm uma boutique de acessórios para carros. Interessante! - O Matheus deu uma olhada em volta. - O Enzo se sentiria em casa aqui. - O Matheus riu, mas eu estava ficando irritado com a conversa fiada, queria ir direto ao ponto, mas entendia que isso não funcionaria.
- E quem seria Enzo? - A Rochele se direcionou a um escritório com paredes de vidro e nós a seguimos.
- Um amigo nosso. Ele é meio que aficcionado por carros. - O Matheus respondeu antes de se sentar na cadeira em frente a mesa como indicado por ela.
- Seu sócio oculto? - A Rochele parecia muito bem informada sobre o Matheus.
- O Enzo não é o meu sócio, é só um herdeiro. Parece que você pesquisou sobre mim. - O Mathesu estava sendo chjarmoso e cimpático.
- Só o necessário. O suficiente para saber que você está perdendo seu tempo com a insossa da Gabriele. - A Rochele era mais esperta do que parecia e a forma como ela falou da Gabriele deixava claro que ela a detestava.
- Eu nunca perco tempo! - O Matheus se debruçou sobre a mesa e a encarou. - E você sabe que eu não estou aqui para socializar, não é, Rochele?
- Seria adorável da sua parte me fazer uma visitinha de cortesia, mas eu tenho certeza que a sua intenção aqui não é essa. Então, me diga, Matheus, o que eu posso fazer por você? - A Rochele colocou a mão sobnre o queixo e esperou.
- Nós precisamos encontrar o seu marido. - Finalmente o Matheus esdtava cuidando dos meus interesses.
- E eu posso saber pra quê? Não me diga que ele te roubou a Gabriele e você veio buscá-la. - A Rochele estava quase perto da verdade, realmente o Elias tinha alguem que eu queria, mas não era a Gabriele.
- Não, não. Nós queremos propor um negócio a ele. Um negócio que pode ser muito bom para você. Eu soube do seu divórcio. - O Matheus a olhou como se solidarizasse e eu revirei os olhos.
- Ah! - Ela estalou a língua e fez um beicinho. - O Elias foi uma decepção, nunca pensou no nosso futuro. Nunca me deu a atenção que eu mereço.
- Ah, sinto muito! - O Matheus balançou a cabeça.
- Então, Rochele, onde nós podemos encontrar o Elias? - Eu perguntei impaciente.
- Calma, bonitão! Eu ainda nem ofereci um café a vocês. - Ela sorriu como se o mundo tivesse que esperar por ela. Mas eu a olhei irritado e impaciente. - Ele é sempre zangado assim? - Ela perguntou para o Matheus.
- Ah, não liga! O Rossi não é uma pessoa muito matinal. Mas, queridinha, eu adoraria tomar um café com você mais tarde, porém agora eu realmente gostaria de resolver minha questão com o Elias. Você se importaria de me dizer como encontrá-lo? Parece que os irmãos Sanchez não são pessoas muito sociáveis aqui na cidade, ninguém os conhece. - O Matheus derramou todo o seu charme para a Rochele e ela riu como se ele tivesse dito algo realmente engraçado.
- Pensei que no interior as pessoas se sentissem mais seguras. - O Matheus sorriu e se curvou sobre a cerca, como um paquerador à moda antiga.
- Com tanta coisa que a gente vê na TV e na internet, moço, não dá pra se sentir seguro. - A mulher até tinha razão, mas eu ainda queria matá-la.
- Querida, minha amiga Rochele me disse que eu poderia encontrar o Elias aqui, mas parece que não tem ninguém em casa.
O Matheus tirou o cartão da Rochele do bolso e mostrou para a mulher que deu um sorriso não muito sincero, me pareceu que conhecer a Rochele até fizesse as pessoas se abrirem, porém ela não parecia ser a pessoa mais querida da cidade.
- Moço, ele voltou de viagem ontem à noite, trouxe até a irmã, uma moça linda, mas sairam de madrugada. Eu conheço a moça que faz a limpeza para eles, vou ver se ela sabe de alguma coisa. - A mulher tirou o celular do bolso do avental e ligou, depois de alguns minutos ela voltou a sorrir para o Matheus. - Olha, o Elias, viajou por conta do trabalho, levou a irmã com ele, pelo que ele falou vai demorar a voltar.
- Que pena! E é comum ele viajar assim?
- Ah, é! Ele sempre viaja, geralmente não demora mais que uma semana fora. Ele voltou a morar aqui porque está brigado com a Rochele, dizem por aí que vão se separar. Mas ele e a Rochele moravam na casa no fim da rua, agora ela está morando lá sozinha.
Aquela vizinha parecia ser a repórter da rua, que sabia tudo sobre todo mundo.
- Entendi. Querida, posso deixar o meu cartão com você e você me avisa se vir o Elias de volta? - O Matheus pediu e a mulher fez que sim. Ele tirou o cartão do bolso e entregou a ela, se depedindo com aquele sorriso simpático e se virando de volta para nós indicando o carro. - Vocês ouviram, eles saíram.
- O que a gente faz agora? - A Gabriele me encarou.
- Agora eu fico nessa cidade até eles voltarem. - Eu respondi.
- Rossi, eu acho que a melhor coisa que podemos fazer é voltar e falar com a Marta. Eles com certeza vão fazer contato com ela. - O Matheus sugeriu e talvez fosse mesmo melhor d que ficar de cão de guarda na porta daquela casa parecendo um maníaco psicopata.
- Está bem, vamos voltar. - Eu concordei e entrei no carro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...