"José Miguel"
Eu ainda não tinha voltado na Lince, afinal era fim de semana, mas o Enzo e o Heitor me deram notícias e, pelo que disseram, na quinta e sexta feira estavam todos agindo como se não soubessem de nada, como se a bomba ainda não tivesse estourado, ninguém tivesse se dado conta da demissão da Eva e eu estivesse ainda viajando para resolver coisas da empresa. E o Brandão, pelo que o Enzo me contou, esse estava pisando em ovos desde que delatou a Salma.
Quanto a mim, eu tinha passado mais horas no quarto da Eva nos últimos três dias desde que voltamos do interior do que a boa educação me permitiria em outras circunstâncias. Depois que a Marta me levou até lá e me disse para ficar o quanto eu quisesse, eu me senti um pouco menos turbulento, como se a sentisse um pouco comigo e isso me acalmava muito.
E depois disso eu simplesmente apareci no sábado à noite, depois que paramos com o diário, e eu não precisei me justificar ou pedir, a Marta me levou até o quarto novamente e, com o carinho maternal que ela me acolheu desde o primeiro momento, ela me desejou boa noite, assim, sem precisar dizer nada ela me deixou entrar e ficar lá pelo tempo que eu quisesse. Eu passei a noite e na manhã seguinte ela me fez sentar e tomar o café da manhã com ela. Só nós dois e aquela gentileza e docilidade que era toda ela em cada gesto, como se ela me compreendesse além das palavras.
Quando eu voltei para a casa do Matheus, nós não mergulhamos de uma vez no diário, nós tomamos um tempo conversando amenidades e só a tarde nós nos sentamos outra vez com aquela leitura indigesta. Mas depois que o telefone dele tocou e o Elias disse que a traria de volta, eu não consegui me concentrar em mais nada. Eu parecia uma criança andando de um lado para outro na sala do Matheus e a toda hora perguntando por notícias.
- Rossi, você vai estragar o meu piso, já estou vendo um buraco se abrindo aí. - O Matheus falou com aquele deboche tão característico dele.
- Redecora! Deixa a sua peste reformar o seu castelinho, eu pago, mas não me pede para ficar quieto.
- Eu gosto da decoração do castelinho, Rossi. Então para de andar. - A Gabriele passou por mim, me puxando e me fazendo sentar. - Olha, eu sei que você está ansioso, eu também estou, mas pode ser que o Eias não consiga convencê-la hoje. A Eva é teimosa, Rossi, quando enfia algo naquela cabeça dura é difícil fazê-la mudar de idéia.
- E o que eu faço, Gabi? Já tem quase uma semana que eu não a vejo, dias nesse tormento. Eu estou a ponto de voltar para aquela cidade e me sentar no portão da casa para esperá-los. - Eu confessei com ansiedade estampada nos olhos.
- Aí, se o Elias a convencer a voltar, vocês se desencontram. Calma, Rossi! As coisas vão se resolver. - O Matheus aconselhou e eu tentei me acalmar, falhando com sucesso e voltando a andar em círculos pela sala.
Já não era um horário aceitável para visitas quando o celular do Matheus tocou e finalmente era o Elias. Eles falaram rapidamente, na verdade, o Matheus mais ouviu, enquanto eu estava diante dele com o coração aos sobressaltos. Então ele encerrou a chamada, respirou fundo e me encarou.
- Era o Elias. Eles estão de volta. Ele disse que ela concordou em te procurar amanhã. - O Matheus falou calmamente e me jogou a chave do carro. - Eu sei que você não vai esperar.
Eu sorri ao pegar a chave e saí correndo enquanto gritava um "obrigado" sobre o ombro. Eu dirigi o mais rápido que pude e, quando cheguei a casa da Eva, a Marta parecia estar me esperando.
- Desculpe, Marta, mas eu preciso vê-la. - Eu tentei me justificar enquanto a abraçava, mas a Marta entendia, ela não precisava de uma justificativa.
- Eu tinha certeza de que você não esperaria. Ela está dormindo. Vai, você já conhece o caminho. - Ela me direcionou ao corredor.
Eu passei pelos três irmãos da Eva apenas com um meneio de cabeça, nenhum deles falou absoutamente nada, mas todos estavam tensos, eles estavam prontos para me colocar para fora se a irmã pedisse, eu só esperava que ela não fizesse isso. Mas antes que eu atringisse o corredor o Elias me chamou.
- Rossi, só para ter certeza, o que você vai fazer? - O Elias perguntou e a sua voz era pacífica.
- Eu não vou! - Eu respondi e me virei em direção ao corredor novamente.
Eu entrei no quarto e a vi deitada, virada de costas para a porta, a luz suave do corredor iluminou sua silhueta, coberta com um lençol fino, os cabelos brilhantes espalhados sobre o travesseiro. Ela estava de volta! Eu não queria acordá-la, mas eu também não iria embora, eu precisava dela, eu a queria, mais que tudo eu queria abraçá-la, garantir que nada do que a Salma a fez acreditar era verdade.
Eu entrei e fechei a porta, tirei os tênis e deixei ao lado da cama, então eu ergui o lençol que a cobria, me deitei devagar e a puxei contra o meu peito. Por um momento eu achei que ela tivesse acordado, mas não, foi mais como se ela estivesse sonhando. Ela se aconchegou nos meus braços e o seu perfume me inundou, me enchendo de uma calma e um conforto que eu não sentia há dias.
Eu a segurei nos meus braços, dei um beijo leve na sua cabeça e toquei a sua barriga, um pequeno sorriso floresceu nos meus lábios e eu estava exatamente onde eu queria estar, com o meu amorzinho e agora com o nosso bebê. Não demorou para que a minha respiração encontrasse o ritmo da dela e suavemente eu deslizei para um sono tranquilo enquanto a segurava comigo.
A cortina leve que tinha no quarto dela permitia que o amanhecer se anunciasse e eu acordei inundado por ela e pela claridade que adentrava o quarto, eu tinha certeza de que resolveríamos os nossos problemas e que eu garantiria de todas as formas que ela não se afastaria mais de mim. Eu fiquei ali, quieto, de olhos fechados, com os dedos roçando carinhosamente a sua barriga, de forma leve e sutil.
Depois de um tempo ela se mexeu um pouco e eu sabia que ela estava acordando. Então, como se percebesse a minha presença, ela tentou se desvencilhar de mim e se levantar rapidamente, mas eu a segurei firme no lugar, no meu abraço, o lugar onde ela pertencia.
- Fica quietinha mais um pouco, amorzinho, eu morri de saudade! - Eu pedi com a voz baixa e rouca, dando um beijo no seu pescoço, observando a pele dela se arrepiar com o meu toque.
Ela não me respondeu, ela não se mexeu, apenas respirou fundo, exalando um suspiro doloroso que me cortou o coração. O que estava se passando naquela cabecinha? Não era possível que eu estar aqui não significasse nada, que não levantasse dúvida sobre os últimos acontecimentos. Não era possível que ela não percebesse que nada daquilo era verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...