"Eva"
As lágrimas rolaram do meu rosto, grossas e pesadas, meus ombros se mexiam com os meus soluços, eu levei as mãos ao rosto o cobrindo, incapaz de olhar para ele com toda a dor exposta assim.
- Ô, meu amorzinho, não chora assim não! - Ele suplicou e nos virou na cama, me puxando para o seu peito e me abraçando enquanto passava as mãos carinhosamente pelos meus cabelos e minhas costas.
O meu choro era compulsivo, era a resposta de todo o acúmulo emocional dos últimos dias, uma explosão de emoções acumuladas convertidas em lágrimas incessantes. Eu chorei como se colocasse tudo para fora e durante todo o tempo ele me segurou nos seus braços, dando beijos carinhosos, passando as mãos pelos meus cabelos, como se dissesse "eu voltei", "eu estou aqui". E quanto mais ele fazia isso, mais eu chorava, porque não bastava que ele estivesse aqui, eu queria que ele ficasse para sempre.
Ele esperou pacientemente, sem me soltar, deixando que eu colocasse tudo para fora e, mesmo depois que o choro cessou, ele ainda me segurou em silêncio por um bom tempo.
- Você precisa se acalmar, amorzinho, pelo bem do nosso bebê. - Ele falou de repente, devagar, garantindo que eu ouvisse cada palavra, mesmo assim eu pensei que pudesse ter criado aquilo na minha mente.
- O que você disse? - Eu me afastei dele para observar o seu rosto e tinha um sorriso tranquilo lá.
- Eu disse que, pelo bem do nosso bebê, você precisa se acalmar. Suas emoções passam para ele. - Ele repetiu e eu tenho certeza que a minha expressão era de alguém totalmente confuso. Ele me puxou de volta para o seu abraço. - Eu tenho tantga coisa para te dizer, mas eu também quero aproveitar esse momento, com você de volta aos meus braços, quero matar essa saudade que parece que teima em não passar.
- José Miguel, eu vi... - As palavras se embolaram na minha garganta, eu estalei a língua e tentei de novo. - A Salma...
- Eva, a Salma é uma criatura desprezível, ardilosa e mentirosa. Eu vou fazer você esquecer todas as bobagens que aquela criatura falou. E você nunca mais vai se afastar de mim sem me dar a chance de explicar as coisas. - Ele falou sério e se esticou para pegar o celular sobre a mesinha de cabeceira. - Aliás, cadê o seu celular? Eu tentei falar com você a semana inteira, te enviei milhares de mensagens que eu nem sei se você viu ou ouviu.
- Ele está no fundo da minha bolsa sem bateria. - Eu comentei sentindo o meu rosto queimar. Ele realmente me procurou?
- Isso não pode acontecer, amorzinho, ainda mais agora. E se você se sentir mal, como você fala comigo? - Ele me questionou e ele tinha razão, eu não podia ficar incomunicável.
- Eu... - O que eu ia dizer? Que eu não ia fazer mais isso? Eu estava me afogando em confusão aqui e ele estava agindo como se nada tivesse acontecido.
- Amorzinho, presta bem atenção, o que a Salma te mostrou foi um trecho de um vídeo tirado de contexto. Ela colocou uma câmera escondida na sua sala e eu precisei ir até lá para pegar uns documentos no seu e-mail. Foi aí que o Matheus chegou e nós tivemos uma conversa. Eu vou te mostrar o vídeo inteiro, por favor, assiste com atenção e depois faça todas as perguntas que quiser. - Ele pediu e eu concordei.
Ele colocou o vídeo na tela e me entregou o aparelho. À medida que o diálogo acontecia diante dos meus olhos, minha atenção ficava mais e mais capturada pela tela, principlamente porque ele já começou dizendo que sentia a minha falta. As coisas que ele falou sobre mim, o sorrisinho no rosto enquanto dizia que era louco por mim, a confiança declarada, isso eu não tinha visto no vídeo que a Salma me mostrou. Então veio a menção a um diário, que também não estava no vídeo que eu vi, mas a reação dele a esse diário sim, essa estava no vídeo que a Salma me mostrou e aí eu fiquei confusa. Então veio a admissão de que precisava me contar algo e o conselho do Matheus para que ele contasse logo. Mas foi quando o Matheus falou que no diário tinbha tudo "desde o dia em qua vadia morta entrou na Bittencourt", eu comecei a me dar conta de que o José Miguel estava falando da esposa morta. O vídeo terminou com o José Miguel deixando a minha sala e quando terminou eu estava perplexa.
Ele confiou assim também na mulher que o traiu, como ele dava a confiança dele tão facilmente? Além do mais, eu conhecia a história dele, a fragilidade dele em relação a família, a vontade dele de pertencer outra vez a algo e a alguém. Eu queria me agarrar aquele amor que ele me oferecia, mas eu também queria ter certeza de que era real, que não era apenas porque eu estava grávida ou porque ele queria desesperadamente uma família.
Meus olhos seguraram os dele por um longo momento, sem coragem de falar, de perguntar, apenas minha mente rolando sobre toda a história. E quando eu consegui voltar a falar, eu despejei as minhas dúvidas.
- Eu não quero ser pra você o mesmo que a Cora, a mulher grávida com quem você se casou porque queria uma família. - Eu fiz uma breve pausa, mas não consegui conter a pergunta: - Por que você me ama?
A pergunta escapou dos meus lábios e eu o encarei amedrontada. Como eu reagiria se nao fosse amor, se fosse só a ilusão do amor pela necessidade de pertencimento? Eu sabia como eu reagiria, eu sabia que eu sofreria porque o que eu sentia por ele já era grande demais, já era amor demais e eu queria ser correspondida.
Seus olhos me fitaram por um momento, a confusão clara no seu rosto e eu tive dúvidas se ele conseguiria me responder. Então ele se ajoelhou em minha frente sobre a cama, pairando sobre mim, e tocou o meu rosto com uma delicadeza quase reverencial. E, de repente, eu entendi, havia mais sentimento nas pontas dos seus dedos do que nas palavras derramadas por ele.
- Eu te amo, Eva Sanchez, não tenha dúvida disso! Eu te amo, porque quando você foi embora eu senti como se morresse lenta e dolorosamente, porque quando você foi embora eu tive medo de perder algo insubstituível, porque você é única pra mim, porque só você pode preencher a sua ausência, porque você não é nada igual a ninguém. E você já quase me deixou duas vezes, então eu senti e pude confirmar. Eu te amo por inteiro, porque o que eu sinto quando você me toca eu nunca senti antes, porque você tem uma maneira muito particular de respirar quando dorme e isso me acalma, porque a maneira como você é fofa e desbocada é a coisa mais linda que eu já vi na vida, eu te amo porque quando você se afasta eu sinto a sua falta doer nos meus ossos. Eva, tem sido você desde o dia em que te conheci.
E eu estava chorando outra vez! Com o coração cheio, transbordando de amor e sentindo o amor dele emanar em minha direção com todo o seu calor. E no segundo seguinte os meus lábios já estavam presos aos dele outra vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...