"Eva"
Depois de falar com o advogado, o José Miguel e eu ainda ficamos mais um momento no jardim, que era tão bonito quanto o interior da casa. Tinha plantas muito verdes com flores brancas salpicadas e num canto, sob um pergolado coberto por uma videira, tinha um sofá muito confortável. Realmente a casa do Matheus era um contraste com a personalidade agitada e inquieta dele.
Mas quando nós voltamos para dentro, eu vi a Gabriele encolhida no colo do Matheus, os dois estavam sussurrando e dando risadinhas como um casal completamente apaixonado. Era tão bonitinho de se ver. A Gabriele merecia alguém como o Matheus, que a tratasse com respeito e carinho, alguém que realmente estava disposto a valorizá-la.
- O que você acha de sairmos de fininho, amorzinho? - O José Miguel falou baixo para mim, mas nós estávamos próximos demais do casalzinho apaixonado que insistia que era só um lance passageiro.
- Seria mal educado da sua parte fazer isso, Rossi, principalmente depois que eu te aguentei chorando por quase uma semana. - O Matheus respondeu antes de mim, mas sem parar de dar beijos na Gabriele.
- Sendo assim... Cachorrão, muito obrigado pela hospitalidade, nos vemos no dim de semana... - O José Miguel começou a falar enquanto pegava minhas coisas e me puxava em direção a porta, mas foi interrompido pelo Matheus.
- Parado aí, Rossi! - O Matheus se levantou e caminhou até nós. - Eu estou nessa com você há tempo demais e eu não vou perder a fogueira da bruxa. Anda, eu vi que o Dr. Romeu te ligou, quando nós vamos atear fogona vadia morta?
- Claro que você vai querer estar lá! - O José Miguel riu.
- Eu, um balde de pipoca e uma caixinha de som tocando "Highway to hell"! - O Matheus sorriu. - Não perco essa festa por nada e não vou de preto, não estou de luto e nem demonstrando respeito, só uma infinita felicidade por você se livrar disso.
- Você ainda é um adolescente, não é?! - O José Miguel encarou o Matheus, mas embora o seu tom fosse de repreensão, a sua expressão era de pura diversão.
- Eu sou o que sou, Rossi, uma personalidade adoravelmente expansiva! - O Matheus respondeu. - Quando e a que horas?
- Quinta às dez!
- Quinta?! - O Matheus começou a rir. - Meu Deus, só melhora! A concubina do demo vai estar lá também? Ah, por favor, diz que vai.
- Melhor não, Matheus, ela vai fazer um escândalo. Minha intenção é fazer tudo e contar pra ela depois, quando a estiver varrendo da minha vida como o monte de sujeira que ela é. - O José Miguel parecia ter um plano.
- Ah, não, Rossi! Não seja chato! A locatária do inferno tem que estar lá! Vai ser divertido! Pensa nisso como parte da viagem dela de volta ao quinto dos infernos de onde ela não deveria ter saído. Por favor? - Os olhos do Matheus brilharam e eu gostava mais da idéia dele, então me juntei ao coro.
- Por favor, paixão, a idéia do Cachorrão é a melhor! Vai, o que é devolver para a cobra de aplique um pouquinho do tormento que ela te fez passar? Diz que sim! - Eu pedi com as mãos postas e no segundo seguinte estávamos o Matheus, a Gabriele e eu saltitando na frente do José Miguel.
- Rossi, eu nunca te pedi nada e você ainda me deve! - A Gabriele se lembrou e ele olhou para ela confuso.
- O que eu ainda te devo, Gabi? - Ele perguntou quase rindo.
- Lembra que eu fiz a Evita te perdoar por causa daqueles segredinhos? - A Gabriele atirou, se lembrando da noite que fez o José Miguel levá-la até o Matheus.
- Ainda, agiota? - O José Miguel respondeu com falsa indignação. - Tá bom, eu convido o diabo de saias. Agora nós estamos indo, tchauzinho pra vocês. - Com isso ele saiu me puxando pela sala.
- Depois eu sou o adolescente. Olha quem está com os hormônios em ebulição?! - O Matheus gritou quando já estávamos alcançando a porta.
- Como se você também não estivesse. - A Gabriele riu dele.
- Ah, quer saber, estou mesmo, Peste. - Ele respondeu e eu vi por cima do ombro ele se abaixar e jogar a Gabriele sobre o ombro enquanto ela ria.
- Agora, amorzinho, você é só minha pelo resto da noite. - O José Miguel declarou quando se sentou ao meu lado no carro. Ele colocou as nossas músicas para tocar e colocou o carro em movimento.
Nós ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas nos sentindo. A mão dele segurava a minha, fazendo movimentos circulares com o polegar nos nós dos meus dedos. Ele tinha uma aparência serena e um meio sorriso no rosto.
O vapor foi tomando conta do banheiro, como se nos isolasse do resto do mundo. Uma eletricidade percorria cada centímetro das nossas peles que se tocavam causando sensações perfeitas que se estilhaçavam para se construir outra vez.
Havia uma necessidade quase desesperada em nós, como se tivéssemos passado anos afastados e não apenas uma semana, era uma tensão que eu só me dei conta de que estava ali naquela proporção no momento em que a porta do apart se fechou atrás de nós. Mais do que nos tocar fisicamente, nossos corpos desenrolavam uma conversa silenciosa e urgente.
Meus dedos mergulharam nos seus cabelos, como se fosse possível puxá-lo para mais perto de mim, enquanto seus braços me mantinham firme contra ele, estávamos prestes a nos fundir um ao outro.
- Você não tem idéia do quanto eu fiquei ansioso o dia todo para ter você assim... só pra mim. - Ele falou com a voz rouca no meu ouvido, fazendo a minha intimidade pulsar por ele. - Eu morri de saudade, meu amor!
- Eu também estava ansiosa, não me faz esperar mais. - Eu arfei sentindo os dedos dele se apertarem na minha cintura.
- Olha pra mim, Eva, eu quero ver nos seus olhos que você é minha! Que você não vai me deixar nunca mais! - Ele procurou os meus olhos, que se abriram para ele, com todas as respostas que ele queria. Eu nunca poderia deixá-lo, eu o amava com todo o meu coração e ir embora quase me matou.
O olhar dele escureceu, estava completamente focado em mim, como se gravasse no fundo da memória cada detalhe do meu rosto enquanto e me entregava completamente a ele.
- Eu sou sua desde o momento que você tirou o copo das minhas mãos naquela boate, mesmo quando eu nem sabia o seu nome. - Eu declarei com o coração acelerado.
Ele sorriu como se eu fosse o mundo inteiro dele e no instante seguinte ele deslizou o seu membro para dentro de mim, devagar, com um cuidado absoluto que apenas precedia o momento em que nossos corpos se soltariam e perderíamos o controle, o que aconteceu no momento em que ele mordeu levemente o lóbulo da minha orelha. Nossos corpos se fundiram e se perderam um no outro.
Seus movimentos precisos foram intensos, rápidos e a cada investida tocando o exato ponto doce e perfeito que me fazia subir cada vez mais alto no prazer que se construía dentro de mim. Cada centímetro dele me invadindo irrradiava uma onda perfeita que irradiava pelo meu corpo e tocava cada terminação nervosa, enquanto eu busquei a sua boca com desespero. Nosso beijo foi faminto, selando nossa promessa de que pertencíamos um ao outro.
Enquanto atingimos aquele ritmo frenético, ignorando tudo o que não fosse o corpo dele no meu, o meu corpo se retesou inteiramente, minhas mãos se agarraram aos seus ombros, arranhando sua pele perfeita ali, enquanto eu buscava por ar. Seu ritmo era sem pausas, apenas movimento constante. E no momento em que o meu prazer transbordou, milhares de estrelas brilharam nos meus olhos e eu soltei um grito abafado pela minha boca contra o seu ombro. E enquanto aquela onde de choque percorria todo o meu corpo e o quebrava em milhões de pequenos pedaços, ele se deixou levar pela mesma força avassaladora que me consumiu.
Era como se nossos batimentos cardíacos ecoassem juntos em descompasso e tentando encontrar o mesmo equilíbrio. Nós permanecemos ali abraçados, num entendimento mútuo de que mais do que prazer, nós encontramos a nossa paz e selamos o nosso pacto de estarmos sempre juntos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...