"Eva"
A enfermeira entrou no consultório e com um sorriso amável atendeu as orientações do Dr. Molina. Eu estava ansiosa e, depois daquela conversa entre o José Miguel e o médico, o meu coração batia descompasado. O José Miguel estava empolgado com a idéia de ser pai, mas ele já tinha sofrido perdas demais e isso me colocava mais uma preocupação.
- Querida, nós vamos começar coletando material para alguns exames simples e vamos conversar um pouco e depois vamos examinar você, determinar a idade gestacional e eu vou dar a vocês algumas orientações. Mas eu quero saber tudo, como você tem se sentido, seu histórico médico, se o papai está cuidando bem de vocês ou se eu preciso puxar as orelhas dele. - O médico sorriu e eu já estava encantada por ele como se ele fosse um ser encantado.
- Talvez puxar a orelha dele seja uma boa idéia. - Eu brinquei e eles riram.
- Amorzinho, eu queria te enrolar em plástico bolha e você diz que eu mereço um puxão de orelha? - O José Miguel perguntou com falsa mágoa.
- É melhor esquecer o puxão de orelha, Eva, ou ele coloca seguranças atrás de você! - O médico sorriu. - Me conta, você estava usando algum contraceptivo?
- Sim, pílulas, mas eu falhei alguns dias e certamente essa é a causa dessa gravidez. Normalmente eu sou tão atenta, mas nos últimos tempos aconteceu tanta coisa que eu meio que me distraí. - Eu confessei.
- Ah, eu sou uma ótima distração. - O José Miguel brincou com um sorriso convencido, arrancando uma gargalhada geral.
- Bom, Eva, esquecer as pílulas é como jogar na roleta, você pode não ganhar nada ou quebrar a banca. - O Dr. Molina ofereceu um sorriso radiante. - Eu adoro quando vocês quebram a banca. E você tem o resultado do exame que atestou a sua gestação aí?
- Eu tenho, doutor. - O José Miguel pegou o celular e entregou o aparelho ao médico.
- Já está adiantada. - O médico comentou. - Você não teve nenhum sintoma?
- Não senti nada ainda. E como tomo a pílula de forma ininterrupta, menos quando me esqueço, não poderia ter notado pela ausência do ciclo menstrual. - Eu expliquei e ele balançou a cabeça.
Nós conversamos longamente, ele foi minucioso, anotou cada detalhe e depois pediu a enfermeira que me preparasse para o ultrassom. Nesse momento eu estava no ponto alto da minha ansiedade e eu tremia um pouco, quando ele e o José Miguel se aproximaram da cama de exame, o médico tocou de leve a minha mão.
- Você está nervosa ou esse tremor é frio? Eu posso desligar o ar. - Ele sugeriu.
- Você está grávida, mas não tem o tempo de gestação que aquele exame sugere. Vamos fazer o ultrassom para confirmar tudo. - O médico se sentou e começou o novo exame, dessa vez um sorriso foi surgindo no rosto dele e isso sim me tranquilizou. - Vamos ver... - De repente as batidas rápidas de um coração foram ouvidas e eu arregalei os olhos. - Aí está o seu bebê, com sete semanas e não quatorze como o primeiro exame previa.
- O senhor está dizendo que o laboratório errou o meu exame? - Eu perguntei surpresa.
- Errou feio. O que aconteceu eu não tenho idéia, mas você tem apenas sete semanas de gestação. - Ele confirmou. - O importante é que o bebê está bem e você ganhou mais tempo para se preparar para a chegada dele.
- Como eles erram assim? Minha nossa, o José Miguel poderia ter duvidado que era o pai dessa criança. Eles poderiam ter causado um transtorno enorme na minha vida. Eu poderia nem, estar grávida. - Eu estava irritada com o laboratório e a minha cabeça dava voltas e eu só pensava em tudo que poderia ter dado errado.
- Amorzinho, calma! - O José Miguel tocou o meu rosto, levando a minha atenção para ele. - Está tudo certo! Eu não duvidei nem por um segundo que esse filho é meu, eu nunca duvidaria, Eva! Relaxa e aproveita o momento, respira fundo e escuta o coraçãozinho dele batendo forte, saudável, crescendo dentro de você. - Ele abriu um sorriso lindo e, com os olhos marejados, colocou a minha mão sobre o seu peito. - Sente isso? Tem dois corações batendo completamente apaixonados por você agora, o dele e o meu. - Ele se abaixou, me deu um beijo casto nos lábios e sussurrou. - Obrigado por me dar esse presente.
Eu estava soluçando de emoção, ele sempre tinha a coisa certa a dizer. Por um momento parecíamos só nós três ali, ele olhando nos meus olhos e o nosso pequeno bebê protegido dentro de mim. Claro, ainda era um feto, mas era o meu filho que, apesar de chegar de surpresa, estava solidificando aquele amor que existia entre o José Miguel e eu. Depois de um momento, ele secou os meus olhos e se afastou, então nós nos viramos para o médico.
- Agora eu entendi porque o Enzo o chama de Sr. Perfeito. - O Dr. Molina comentou comigo em tom divertido, me fazendo rir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...