"Romeu"
O Domani falava baixo no interfoni e eu não conseguia ouvir o que ele dizia a Eva, mas a reação nervosa dela e o sorriso diabólico no rosto dele me gharantia que era algo ruim. A conversa toda era ruim, especialmente a parte em que ela citou uma festa e ter sido drogada por ele, eu tinha certeza que a Marta não sabia disso e eu queria enterrá-lo mais fundo do que ele já estava. Como alguém faz algo tão terrível assim com sua própria filha? Ele era asqueroso, para dizer o mínimo.
- O que ele disse? - Eu tirei o interfone das mãos da Eva e coloquei no gancho. O Domani não se levantou, ele estava gostando de causar sofrimento a própria filha.
- Que a Cora é filha dele. - Ela sibilei, pelo canto do olho eu vi o sorriso satisfeito do Domani por ter conseguido abalar a Eva.
- Querida, deixa comigo. - Eu a ajudei a se levantar e puxei a cadeira na qual eu estava sentado antes mais para o lado, fora do campo de visão do Domani, e a ajudei a se sentar ali. Então eu me sentei em frente ao Domani e peguei o interfone.
- Você é muito gentil com a sua cliente, Romeu! - O Domani observou, o veneno escorrendo em suas palavras.
- Eu não tenho tempo a perder, Domani, e tampouco gosto de estar em frente a você, então me conte logo toda a história entre você e a Carmem. - Eu queria ficar o mínimo possível ali, precisava levar a Eva para fora.
- E quem você acha que é, Romeu, pra se sentar na minha frente e fazer exigências? - Ele deu um sorriso debochado.
- Sou quem ajudou a te enterrar aqui. E se você não me disser tudo o que eu quero saber, vou te mandar para um lugar ainda pior, com um companheiro de cela que não será tão gentil quanto o ferrolho.
- Você não pode tornar as coisas ainda piores pra mim. - Ele sorriu confiante.
- Você conhece a minha reputação, sabe que eu tenho muitos contatos e que eu não descanso até conseguir o que eu quero. Acha mesmo que não tem lugar pior do que esse aqui? Pois deixa eu te contar, imagina você numa cela, isolado do mundo, completamente sozinho, sem ver ninguém, sem ver nada além de uma cela minúscula, pelo resto da sua longa e desprezível vida. Imaginou? Esse lugar existe e eu posso te mandar para lá. Te garanto, você enlouqueceria muito rápido. Mas para você não ficar muito sozinho, eu posso conseguir que você receba frequentemente uma visitinha do "Elo Perdido" e o que ele vai fazer com você é muito pior do que o que o Ferrolho fez. Ah, só pra você saber, o "Elo Perdido", antes de ser preso, era um atleta de strongman, tem algo em torno de dois metros e quinze e um pouco mais de duzentos quilos, deu para ter uma boa idéia de como ele é, não deu?!
O Domani me observou por um momento, tentando conter o horror que transpassou seus olhos. Obviamente o Ferrolho tinha torturado o Domani, porque ele era um sádico, mas isso o Domani também era. Só que o "Elo Perdido" era muito pior, ele era quase irracional.
- Você está mentindo. - O Domani ia apostar e eu ri.
- Pergunte ao Ferrolho. - Eu ofereci e ele me fitou, antes de se afastar e chamar o Ferrolho que conversava com o advogado ao lado. Quando ele voltou a me encarar, estava lívido.
- Você vai ficar longe de mim, Romeu, e esquecer que eu existo. - Ele falou de um jeito nervoso e eu fiz que sim. - A Carmem trabalhou na farmacêutica, era uma recpcionista mal qualificada, mas ambiciosa demais e foi esperta o suficiente para engravidar.
- E você idiota o suficiente para trair a esposa. - Eu comentei e ele riu.
- A Marta é uma chata, ela tinha acabado de ter o Érico e estava ainda mais chata. E eu nunca suportei a vida de casado. A Carmem era uma vadia, andava atrás de qualquer um que tivesse dinheiro e eu quis me divertir, mas ela foi muito esperta, inventava uns preservativos coloridos que ela sempre tinha e eu usava. Fui tão inocente! A vadia furava os preservativos, acredita?!
- Então ela ficou grávida. - Eu nem me chocava com o que o Domani dizia, ele era um homem sem caráter, mas a coincidência daquilo era assombrosa.
- Ela ficou grávida, me chantegeou, queria que eu me divorciasse e me casasse com ela. - Ele riu. - Ela ainda não tinha se dado conta que eu não me importava com os fihos que eu já tinha, não ia me importar com o dela. Mas ela começou a me ameaçar com um escândalo, chegou a ir falar com a Marta, imagina, a Carmem acabou com ela. Então nós fizemos um acordo.
- Que acordo?
- Eu pagaria uma generosa pensão até a criança completar dezoito anos, mas não colocaria o meu nome nela e mandaria a Carmem para trabalhar com um conhecido meu, onde ela conheceria muitos empresários muito mais ricos que eu.
- Para onde você a mandou?
- Mandei as duas para o hospital. Depois disso eu não as vi mais, mas soube que a Carmem estava planejando uma vingança contra a família Rossi, por isso a Cora pediu ao Reinaldo que a empregasse na empresa do Matheus Bittencourt. Mas agora elas estão atrás da imbecil da Eva, devem estar querendo uma parte da farmacêutica. Como elas a descobriram? Essa idiota nem usa o meu sobrenome. O que elas querem?
- Domani, a Cora morreu. - Eu dei a notícia e não me preocupei em seu suave. - Há cinco anos, num acidente de carro.
- Menos uma para me odiar. - Ele riu e eu me perguntei que tipo de pessoa ele era e se poderia ser ainda mais vil do que já se revelara.
- Você ainda tem algum vínculo com a Carmem?
- Eu quero distância daquela cobra traiçoeira. E a Eva também, deveria fugir dela, a Carmem é maquiavélica, ela senta, elabora um plano de vingança, alimenta o ódio e ataca quando não se espera.
- A Cora era mesmo sua filha, você tem certeza?
- Eu fiz um DNA, Romeu! Aquela inútil era minha filha mesmo. - Ele respondeu sem hbumor, como se me dissesse que não era burro. - Quando eu parei de pagar a pensão o Reinaldo ainda conseguiu um emprego para a Cora, eu desconfio que eles tiveram alguma coisa, ela o chamava de "Tio Naldo", ela era tão safada quanto a mãe, vivia se metendo com velho rico por causa de dinheiro. Depois, não sei como, o Reinaldo conseguiu colocá-la na empresa do Matheus Bittencourt, acho que foi um favor que alguém fez para o Reinaldo.
- Entendi. Algo mais que eu queira saber? E é melhor não se fazer de bobo. - Eu avisei.
- Não, doutor! - Ele respondeu irritado. - Eu realmente me mantive longe delas, não precisava de uma mulher gananciosa e uma filha vagabunda.
- Muito bem! Passar bem, Domani. - Eu me levantei e fiz sinal para que o guarda o tirasse dali antes que ele pudesse ver a Eva de novo. Ela ainda parecia atordoada. Assim que ele saiu eu me virei para a Eva. - Vem, filha, vamos sair daqui.
As mãos dela estavam geladas e ainda trêmulas. Ela me olhou com olhos ansiosos e eu dei um sorriso para confortá-la, passei o braço pelos seus ombros e a tirei dali. Se tinha sido um choque para ela, seria uma bomba para o José Miguel.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...