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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 176

"Carmem"

O que estava acontecendo comigo? Desde aquela maldita estadia no hospital eu não estava sendo eu mesma mais. Eu passei a dormir tardes inteiras como se fosse uma senhora de oitenta anos cansada da vida. Sem esquecer daquela coceira irritante todos os dias que o Mauro me disse que era estresse e que melhoraria quando eu me acalmasse. Mas não estava melhorando!

E como eu ia me acalmar? Ninguém nessa casa me respeitava mais e agora eu tinha esse pastor alemão da Berta fazendo a minha guarda, ou melhor, me mantendo sob vigilância. Eu não tinha nem conseguido mandar lavar o meu carro ainda, aquele fedor parecia ficar cada vez pior. O José Miguel já não vinha em casa e sequer ligava para saber como eu estava. E, pior, ainda destruiu o túmulo da Cora. O que estava acontecendo?

O dia anterior tinha sido um verdadeiro pesadelo. Quando ele ligou dizendo para que eu o encontrasse no cemitério eu me enchi de esperança. Pensei que ele tivesse finalmente brigado com aquela mulherzinha e estivesse caindo na culpa e no desespero por ter quebrado a sua promessa. Mas não, ele tinha preparado uma armadilha para mim. Ele destruiu tudo, o túmulo que eu ergui com tanto esmero para fazê-lo se lembrar e se encher de culpa. O lugar onde eu o levei toda semana nos últimos anos para lembrá-lo que ele era meu.

Eu nunca fui burra, eu sempre soube que ele ficaria ao meu lado desde que eu tivesse como controlá-lo. Se eu não tivesse agido, eu teria perdido tudo, teria perdido meu precioso José Miguel como perdi o pai dele. O pai dele... eu tentei desesperadamente conquistar aquele homem, mas ele já era casado e para minha tristeza aquela mulher não era boba, ela sabia defender o território dela e ela acabou comigo. Ela me escorraçou da empresa deles e depois continuou me jogando para fora de cada evento, de cada lugar onde eu aparecia para cercá-lo. Mas eu continuei insistindo, até que ela contratou os seguranças, conseguiu uma ordem de restrição e me mandou para a delegacia umas três vezes. Aí eu recuei.

Não desisti, apenas recuei, porque eu sabia que seria bem mais fácil agir através da Cora. Eu a preparei, eu a instiguei, eu criei o plano e incuti na cabeça dela por anos, ela agarraria o filho e eu o pai. Mas o pai morreu tão cedo! Quando eu soube da morte dele eu fiquei devastada, tive que assistir ao sepultamento escondida, vendo aquela mulher posar de viúva sofrida, e depois que todos foram embora eu me sentei diante do túmulo e chorei o meu luto. Aquele homem deveria ter sido meu.

E aí, um ano depois a mãe do José Miguel morreu. Disseram que foi a tristeza que a matou, que depois que o marido morreu ela ficou cada vez mais triste e definhou, ficou doente e não resistiu. Era tão ridículo! Mas tinha facilitado o meu caminho e bem na hora de colocar o meu plano em prática. Eu poderia ter perdido o homem que eu queria, mas eu teria o dinheiro dele. Além do mais, a Cora e eu já estávamos passando por muitas privações desde que o pai dela resolveu cortar a pensão.

Aquele cretino do Domani. Engravidar dele foi tão fácil, eu tinha certeza que ele temeria o escândalo e deixaria a aquela mosca morta da Marta. Mas não, o Domani era um demônio, ele vivia para o dinheiro e o sucesso, as pessoas eram efeito colateral, as mulheres só serviam para serem usadas por ele e os filhos eram uma pedra no sapato. Infelizmente, quando eu aprendi isso a Cora já tinha nascido, porque se eu tivesse me dado conta antes, eu não teria parido aquela inútil.

Mas o Domani encontrou o que merecia, só demorou um pouco mais. No dia em que li nos jornais sobre a prisão dele eu comemorei! Ele merecia coisa pior. Mas ele também me ensinou que eu não prenderia homens levianos como ele, muito menos com um filho, porque homens como o Domani, não se deixavam prender por nada. Então eu passei a mirar nos homens dedicados à família, esses davam mais trabalho, mas mantinham promessas e tinham medo de escândalos. Eu tive vários, mas me apaixonei por um, esse foi o meu erro.

Eu me apaixonei pelo pai do José Miguel, o único que eu nunca consegui alcançar. Tão lindo! O filho era simplesmente a cópia fiel do pai, inclusive na elegância e no cavalheirismo. A Cora nem tinha refinamento para lidar com um homem desses. Mas ela era o meio que eu tinha para entrar na vida dele. E deu certo, porque aquela garota era dissimulada como o pai. A Cora conseguiu se casar com o José Miguel, mas tentou me deixar de fora, ela era egoísta demais para dividir qualquer coisa, igualzinha ao pai.

Então, assim que ela simulou o aborto da falsa gravidez que ela inventou para se casar, eu me enfiei na casa deles. Ela não podia fazer nada a não ser me aceitar lá e fazer de tudo para que eu ficasse, afinal, foi o Mauro quem ajudou a forjar todos os exames daquela falsa gravidez e o Mauro comia na palma da minha mão.

E ao lembrar daquele dia, um pensamento me passou rapidamente, aqueles dois estavam muito quietos ultimamente, já tinha um bom tempo que não tentavam me arrancar mais nada. Será que entenderam o recado que eu mandei da última vez? Era melhor assim, eu ja tinha coisa demais para arrumar por aqui. A promessa que eu arranquei do José Miguel naquele hospital estava por um fio.

Ah, aquela promessa! Nos últimos anos ela sustentou tudo entre nós e o manteve sob o meu domínio, completamente culpado e devastado, ele fazia tudo o que eu dizia que deixaria a Cora feliz, ele entendia que tinha uma dívida a pagar. Uma dívida para a qual ele teria que entregar a própria vida para mim e eu estava tão perto. Não fossem aqueles estorvos do Matheus e da Cândida, o José Miguel teria se tornado o meu marido no primeiro ano. Mas aqueles dois estavam sempre atrapalhando.

Mas agora também tinha aquela mulher e olha só que mundinho pequeno, a mulher que estava tentando tirar tudo o que era meu não era ninguém menos que a filha do Domani com a mosca morta. Isso era uma piada sem graça do universo. Eu precisava agir e a única arma que me restava contra aquela intrusa, era aquele chato do Leon. Ainda bem que eu consegui enrolá-lo depois que ele me ligou todo irritadinho porque tinha sido preso. Incompetente! Um idiota completo, mas eu precisava dele, porque uma coisa era certa, aquele rapaz era ambicioso.

- Yuhuuu! Urtiguinhaaa... hora do nosso refresquinho da tarde, pra gente se hidratar enquanto rezamos o terço. Trouxe o energético que você pediu! - A Berta entrou no quarto com a bandeja.

Eu a colocaria para dormir de novo, eu precisava me livrar dela porque o remedinho não duraria muito mais. Mas dessa vez eu não dormiria, eu precisava sair, por isso pedi um energético, para ter disposição e não pegar no sono de novo.

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