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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 179

"José Miguel"

Eu dei dois passos para trás e me sentei na ponta do sofá, ao lado da Eva. Eu senti a mão dela tocar o meu ombro e depois segurar as minhas mãos. Era como se eu estivesse em suspenso, como se eu não pudesse nem mesmo respirar antes de ouvir o veredicto daquele resultado.

- Rossi, a Tati e os seus ajudantes encontraram muita coisa na sala do Mauro na noite passada. Eu dei uma olhada em tudo hoje, mas eu vou começar te mostrando o resultado do exame de DNA que a Cora fez. É o resultado oficial, está datado e assinado, em papel timbrado. E, embora o Mauro tenha colhido o material no hospital açougue, ele teve o cuidado de mandar para um laboratório muito confiável. - O Matheus estava segurando dois envelopes.

- Por que dois envelopes, Matheus? - Eu quis saber, pois só deveria haver um. Ou será que o Mauro já tinha forjado um falso?

- Porque são dois exames. Em um, as amostras retiradas da vadia morta foram comparadas com uma amostra sua que ela ofereceu, pelo que consta no exame foram fios de cabelo. Na outra, uma amostra de sangue do próprio Mauro. E o que isso significa eu não sei, porque no diário não tem nenhuma referência de que a vadia morta tenha se metido na cama do "Dr. Vamos Ver", então pode ter sido só uma garantia de que ele teria um resultado negativo para forjar o exame com a sua amostra ou que ele realmente tinha chance de ser o pai.

- Tá! - Eu dei um grande suspiro e peguei os envelopes. - O dele deu negativo, então.

Eu abri o que tinha o nome dele e, como eu esperava, era negativo. Talvez ele realmente achasse que poderia ser o pai, pois o nome dele estava em cada página daquele laudo. Depois eu olhei para o envelope com o meu nome, com o coração descompassado.

- Posso abrir isso em particular? Eu sei que eu estou entre amigos, mas... - Eu olhei para o Matheus, aquele momento era como me expor do avesso da pele.

- Esse momento é íntimo demais, todos nós entendemos. A casa é sua. Nós estamos aqui por você. Você tem todo o tempo do mundo. - O Matheus me garantiu e eu fiquei de pé.

- Vem comigo, amorzinho? - Eu chamei e a Eva me acompanhou até o quarto que eu ocupava na casa do meu amigo.

Assim que entramos eu fechei a porta e me sentei na beirada da cama. Eu coloquei a mão sobre o peito, como se tocasse as assas e dissesse para aqueles bebês, onde eles estivessem, que eles eram meus independente do que a ciência dissesse. Só então eu tirei os papéis do envelope e li cuidadosamente.

- Sabe, a Candinha me contou como você estava feliz com a chegada deles, que você fazia questão de conversar com eles, mesmo a Cora achando ridículo. - Ela se ajoelhou diante de mim e me fez olhar para ela. - Eu sei o quanto você os ama e sempre vai amar. E eu tenho certeza que eles sentiam isso, mesmo ainda dentro da barriga da mãe. Saber a verdade só vai te dar a compreensão real da sua vida, mas não vai mudar o que você sente. Eu passei muito tempo sem entender porque o Domani não me aceitava como filha, aí um dia a minha mãe me disse que os pais colocam o filho no coração e isso não tem nada a ver com o sangue, tem a ver com amor e o Domani não conseguia amar. Diferente de você, que colocou seus bebês cravados firmemente no seu coração.

O toque suave da mão dela no meu rosto e as palavras ditas com tanto carinho e convicção foram como a força que me faltava para abrir aquele envelope. Era muito difícil olhar para os últimos sete anos e me dar conta de que a minha vida tinha sido uma mentira, que eu fui manipulado friamente e que eu deixei o diabo entrar na minha casa.

- Como você se sente? - Ela perguntou, passando os dedos pelo meu cabelo, um gesto que me dava uma sensação de ser realmente amado, como se o amor dela transbordasse nas pontas dos dedos e se prendesse nas pontas do meu cabelo.

- Agora eu estou em paz! Eles eram realmente meus, não só pelo amor infinito que eu sinto por eles, mas também pelo DNA. Me dói profundamente que eles tenham sido arrancados de mim por puro egoísmo. Ela nunca os quis, apenas os usou e descartou, como objetos baratos. Eu não consigo sentir compaixão por ela, não consigo perdoá-la, não ainda.

- Isso é humano, José Miguel! E você não tem que perdoar porque ela morreu ou porque é um gesto nobre. Você deve perdoar quando o seu coração estiver pronto para isso realmente. E se ele nunca estiver pronto para esse perdao, está tudo bem também. Não é à toa que dizem que errar é humano e perdoar é divino. Você não é obrigado a perdoar, mas se perdoar, precisa ser sincero. - Ela falou serenamente, porque via em mim o que eu realmente era, apenas um homem. E naquele momento ela deixou claro que ela não esperava de mim grandes gestos, que ela me amava mesmo quando não parecia ter nada para amar.

- Eu te amo! Você é a mulher com quem eu quero compartilhar a minha vida e construir a minha família. - Eu declarei e ela sorriu.

- Bom, nós meio que já estamos fazendo isso. - Ela falou em tom brincalhão passando a mão pela barriga e eu a beijei com um sorriso sincero substituindo as lágrimas. - Eu tambémn te amo! - Ela sussurrou com os dedos enterrados no meu cabelo.

- Acho que nós precisamos voltar para a sala. - Eu me lembrei e ela concordou. Eu me levantei e ofereci a mão para ajudá-la. Com ela de pé diante de mim, eu pedi por algo que já tinha se tornado um hábito nosso. - Você está sempre me bagunçando. Me arruma, amorzinho?

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