"Matheus"
Eu tinha certeza de que aquele exame de DNA tirava uma grande nuvem negra da cabeça do José Miguel, mas havia muito ainda que ele precisava saber. Eu havia lido cada página do caderninho da Carmem e cada página encontrada no consultório do médico açougueiro. O Mauro era um completo idiota ambicioso sem talento e sem caráter. Eu ainda não sabia como exatamente ele e a cafetina do inferno tinham se conhecido, mas eu suspeitava que seria uma história interessante. Mas além disso, eu ainda tinha duas pontas soltas. Quem eram aqueles dois?
- Você fez um ótimo trabalho aqui, está parecendo um daqueles seriados de investigação criminal. - O Enzo estava vendo o quadro que a Gabriele e eu montamos na sala com todas as conexões da Carmem e o o que sabíamos de cada um.
- Idéia da Peste, ela adora esse tipo de coisa. - Eu ri. A Gabriele era meio obcecada por todo tipo de conteúdo relacionado a investigação criminal.
- Estou vendo. - O Enzo riu. - Mas e aqueles dois nomes com as interrogações ali embaixo. - Ele apontou os nomes de um homem e uma mulher. Os únicos que eu não sabia quem eram e nem qual a ligação deles com a Carmem.
- Pois é, esses eu ainda não sei quem são. - Eu bati o dedo na boca e pensei ainda olhando os nomes, ali tinha algo grande.
- Cara, essa Carmem é o cão mesmo, olha quantos figurões na lista dela?! Até traste do Reinaldo. - O Enzo riu.
- É seu avô, garoto. - Eu impliquei com ele e ele riu.
- Não, meu avô é o vô Álvaro, esse aí foi só um desvio de rota que minha avó Haydè fez errado. - O Enzo falou cheio de si e eu ri. - Espera, você disse que ela trabalhou na Lince. Será que a Julinha a conhece?
- A secretária do Heitor? - Eu perguntei surpreso.
- A Julinha está lá há tanto tempo que é preticamente sócia daquela empresa. Vou ligar para ela. Você tem uma foto da fofura do inferno aí? - Eu enviei uma foto da Carmem para ele, que se afastou com o telefone na orelha.
- Pelo visto, a Gabriele continua fã de "investigação criminal". - O Elias apareceu ao meu lado.
- Você nunca sorri? - Eu me virei para ele que me olhou sério.
- Nunca é uma palavra muito grande. - Os olhos dele varriam o quadro e a Tatiana se aproximou e se curvou observando as informações mais embaixo no quadro.
- Ele segura o riso, mas acha engraçadas as coisas mais ridículas. E ele finge que não, mas é fã de "Taylor Swift". - A Tatiana soltou e o Elias a encarou surpreso.
- Nós passamos só uma noite juntos e você já pensa que me conhece? - Ele falou sério, mas o tom de divertimento na voz o traiu.
- Opa, opa, opa! O que eu perdi? - Eu perguntei já me dando conta da tensão entre os dois e percebendo que eu tinha um vasto universo para explorar ali.
- Veja bem, zangado, nós não passamos a noite juntos, nós passamos metade dela trabalhando e a outra metade sentados numa lanchonete com os seus irmãos nos empanturrando de açúcar e gordura trans. - A Tatiana se ergueu e o encarou, o nariz dela a um palmo de distância do dele.
- Confessa, eu te dei o maior prazer da sua vida. - O Elias tinha um sorrisinho convencido meio de lado, com as mãos no bolso.
- Não vou negar que aquela lanchonete vinte e quatro horas quase subterrânea tem o melhor milk shake de morango que eu já tomei. Mas, isso não muda o fato de que nós não passamos a noite juntos. E sim, você é uma pessoa fácil de ler, então eu posso dizer com certeza que você se faz de mal humorado para que as pessoas não se aproximem porque tem medo do julgamento delas. - Ela ergueu a sobrancelha, como se o desafiasse a contradizê-la.
- Você é muito cheia de si, não é? - Ele perguntou com os olhos estreitos e a expressão fechada.
- Zangado, eu trabalho com gente, de todos os tipos, de todos os jeitos, nos melhores e piores momentos. Vai por mim, eu sei exatamente o que tem por baixo dessa casca grossa que você veste para se sentir confortável. - A Tatiana atirou sem medo.
- Sabe o que seria divertido mesmo, colocar esse Dr. Mauro contra a imperatriz do caos. - o Elias murmurou enquanto ainda olhava o quadro atentamente.
- Repete, Zangado. - Eu pedi e ele me encarou e estalou a língua.
- Você vai pegar no meu pé, não vai? - Ele perguntou e eu fiz que sim com um grande sorriso de quem não ia dar paz para ele. - Que seja! Olha só, vocês vão dar uma festa. Você não acha que o maior aliado da apocalíptica se virar contra ela, no meio de todos os amigos comuns aos dois, não seria mais emocionante do que vocês jogando as verdades na cara dela? Ela pode distorcer tudo, porque, embora vocês tenham os diários, ela pode dizer que foram forjados.
- Gente, você não é só um corpinho bonito não, você pensa! - A Tatiana implicou com o Elias que revirou os olhos.
- É uma boa idéia! Mas como trazer o "Dr. Maracutaia" para o nosso lado? - Eu perguntei e o Elias me encarou.
- Com uma coisa que você tem de sobra. - O Elias sugeriu e eu ri.
- Carisma? - Eu brinquei e ele revirou os olhos bufando.
- Dinheiro! - Ele concluiu.
- Tati, quando o médico charlatão volta? - Eu perguntei.
- Espera, vou descobrir. - Ela se afastou por um momento e quando voltou já tinha todas as respostas. - Ele volta semana que vem. Foi para Cancun de novo, ele vai pra lá uma vez por mês.
- Cancun? Uma vez por mês? Aí tem coisa! - Eu pensei por um momento, não seria ruim fazer uma pequena viagem. Afinal, a minha peste estava de férias!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...