"Eva"
O sorriso do Dr. Molina era daquele tipo de sorriso que diz "olha que coincidência" sem precisar usar palavras. Eu começava a pensar que o José Miguel havia sido enredado num jogo de interesses maior do que ele imaginava.
- A farmacêutica da sua família. - A resposta do Dr. Molina, direcionada ao meu irmão, começava a encaixar as coisas. - Engraçado é que logo depois que a Morgana começou a trabalhar no hospital o Genivaldo deixou de nos visitar, foi substituído por outro representante, sendo que ele representava a farmacêutica há anos. Ele saiu da farmacêutica?
- Não, ele ainda está lá e é um dos nossos melhores representantes. Ele está na farmacêutica há trinta e cinco anos, é um bom profissional, conhece muita gente. - O Edson coçou a cabeça. - Eu posso ligar para ele, mas não sei se devemos alertá-lo tanto.
- Não, não devemos, até porque, pelo que a polícia investigou, ele não teve nenhuma relação com os remédios desviados e nem tem contato com os sobrinhos. - O Dr. Molina contou.
- Você tem razão, Edson. Vamos ouvir o resto e depois decidimos o que fazer com o representante. - O Matheus sugeriu e voltou a olhar para o médico. - Quando vocês descobriram os responsáveis pelo desvio da medicação?
O Dr. Molina olhou diretamente para o José Miguel e eu já podia adivinhar o que ele ia dizer.
- No dia do acidente do José Miguel. Aquele dia tinha sido atípico na emergência, porque teve um incêndio numa fábrica de pães que fica perto do hospital. Tinha acontecido no fim do expediente e todas as vítimas foram levadas para a emergência do Santè. Foi caótico, pessoas com queimaduras leves até quase completamente queimadas, uma das emergências mais tristes que o hospital já recebeu. Nós tínhamos uma sala de espera abarrotada, pessoas desesperadas e uma emergência que parecia tentar apagar o próprio incêndio.
- Eu me lembro daquele caos, os gritos, a correria. Mas eu estava totalmente focado na Cora. - O José Miguel falou com a voz lúgubre.
- Quando eu vi a Cora, eu pensei que ela também tinha sido vítima do incêndio, porque o rosto dela... - O médico respirou fundo. - Bom, parece que ela se chocou contra a árvore, além de atravessar o parabrisa. Enfim, ela foi colocada na sala vermelha, por causa da gravidade das lesões. Nós colocamos biombos separando os pacientes que estavam lá, ela e mais dois do incêndio. Quando eu cheguei o enfermeiro estava procurando no carrinho de parada o material para intubá-la, deveria estar na quarta gaveta, mas ao invés do material, o que estava lá eram medicamentos de alto custo que não são usados na emergência. A Morgana correu logo e empurrou o enfermeiro, dizendo que aquele carrinho estava fora de uso. Ela fechou a gaveta, empurrou o carrinho para o fundo da sala, buscando o material em outro carrinho do lado de fora.
- A Cora foi intubada? - O José Miguel olhou para o Molina como se aquilo fosse o maior absurdo do mundo.
- Sim, ela estava gravíssima, era preciso preservar as vias aéreas. Os paramédicos não fizeram o procedimento porque conseguiram estabilizá-la com ventilação não invasiva e transportá-la rapidamente até o hospital, mas no hospital ela teve uma parada, foi nesse momento que decidiram intubar. Ela foi reanimada e eu fiz o parto. Quando eu saí a situação dela era gravíssima e os outros médicos estavam tentando mantê-la estável, mas o prognóstico era péssimo.
- Ela não estava intubada. - O José Miguel murmurou com os olhos vermelhos.
- Ela estava, José Miguel. Mesmo tendo cuidado apenas do parto e dos bebês, isso eu posso garantir a você. Eu fiz o parto, não havia hemorragia, eu suturei e saí para te dar a notícia. A parte do corpo dela mais afetada foi a cabeça, a barriga sofreu uma pancada forte, mas não havia sinal de hemorragia, embora ela tenha tido um trauma craniano, múltiplas faturas, lacerações graves, um trauma na coluna e na medula, entre outras coisas. - O médico descreveu um quadro terrível que me fez arfar em choque.
- Eu falei com ela! - O José Miguel se levantou e encarou o médico, que manteve a serenidade e balançou a cabeça.
- Não, você não falou. A Cora estava em parada cardiorrespiratória quando eu saí da sala vermelha. - A certeza do Dr. Molina era cortante e a confusão no rosto do José Miguel era desesperadora.
- O que aconteceu naquele maldito dia? - O José Miguel sussurrou. O desalento dele cortou o meu coração. Eu o peguei pela mão e o fiz olhar para mim.
- O que quer que tenha acontecido, nós vamos descobrir! - Eu garanti.
- Vou pedir ao Vinícius para me mandar o prontuário da Cora. - O Dr. Molina pegou o celular e enviou uma mensagem. - O que realmente aconteceu com você naquela noite? Alguma chance de um delírio pós traumático, Nelson? - O Dr. Molina olhou para o psiquiatra que estava sentado observando tudo, em profunda análise.
- Não, a sogra vem cobrando reiteradamente uma promessa que a esposa arrancou dele no leito de morte. - O psiquiatra contou.
- Impossível! A Cora estava intubada e, pelos meus anos de experiência, eu te dou certeza, ele não teria tempo de vê-la com vida de novo. Ela estava por um fio. - O Dr. Molina insistiu.
- É, parece que nós vamos precisar mesmo encontrar o Dr. Larápio e a enfermeira mão leve para saber o que de fato aconteceu. - O Matheus sugeriu.
- Talvez seja mais fácil encontrar o resto da equipe. Assim que o prontuário chegar nós saberemos quem atuou no caso da Cora. - O Dr. Molina explicou que o prontuário deveria conter um relatório detalhado do atendimento, com o nome de todos os envolvidos.
- Bom, então temos que esperar o prontuário. Até lá, doutor, conta o que o senhor fez depois que viu os medicamentos no carrinho. - Eu pedi, voltando o foco para os dois irmãos foragidos.
A Julia passou a hora seguinte contando como a Carmem se envolveu com cada um dos empresários cujos nomes estavam ali no quadro e tudo antes de deixar a Lince. A Julia também contou que soube sobre a Carmem perseguir o pai do José Miguel e sobre a mãe dele colocar a Carmem para correr.
- Quem diria, a concubina de satã é uma safada! - O Matheus comentou quando a Julia encerrou o seu relato dos escândalos empresariais que foram soterrados com monstes de dinheiro. - Julia, você tem que ir para a nossa festa, será o "baile de desmascarar".
O Matheus anunciou e a Julia, com um sorrisinho de quem gostava da idéia, concordou com um aceno de cabeça.
- Muito bem, agora vamos ver o que encontramos na sala do Dr. Mequetrefe. - O Matheus se adiantou e pegou os documentos sobre a mesa. - Minha parte preferida, o prontuário da invocação do mal. Rossi, você já deu uma analisada naquele exame que a Tati te mostrou?
- Já e já está claro que da segunda vez a Carmem não tentou se matar. - O José Miguel esfregou os olhos.
- Ela nunca tentou se matar! - O Matheus sorriu para o José Miguel, que o encarava como se ele falasse de seres em outro planeta. Por um momento eu agradeci a presença do Nelson, porque o José Miguel ia precisar dele depois de tudo isso.
N.A.:
Olá, queridos... como estão?
Meus lindos, vocês ganharão capítulos extras no fim de semana, acho que vocês entendem, né?! Mas eu vou fazer um mimo daqueles bons para vocês.
Mas hoje, eu quero desejar a cada um de vocês um Feliz Natal muito especial! Eu desejo que cada um de vocês, suas famílias e seus amigos queridos, tenham um Natal especial, com abraços que sejam de sinceridade e cristalino amor. Desejo sonhos realizados, esperanças renovadas, fé inabalada! Que toda a a alegria desta data em que comemoramos o aniversário de Jesus reflita na vida de cada um de vocês numa explosão de cores e sons que acalmam a alma, alegram o coração e fazem a vida pulsar com cada batida do coração e que vocês possam mesmo sentir essa energia. Eu desejo que os presentes trocados contenham leveza de coração e sejam símbolo de afeto, que esse amor que vocês espalham aqui por essa tropa e todo o carinho que vocês têm comigo se multiplique em infinitas graças nas vidas de vocês. Que as bênçãos da meia noite se espalhem pela vida toda e que a ceia seja mais do que compartilhar uma refeição, que seja compartilhar fé e amor. Eu desejo que vocês e suas famílias estejam mais unidos e que a nossa tropa continue unida. Eu gostaria de desejar tantas coisas, mas nada seria suficiente para o que o meu coração sente que vocês merecem, então eu desejo que vocês tenham muitos desejos e que a vida flua feliz por cada um deles. Por fim, eu lhes desejo um Feliz Natal e que esse desejo chegue a vocês como um presente de fé, esperança e afeto! Obrigada por cada minuto desse ano que foi complexo, mas muito feliz compartilhado com vocês!
Um beijo estalado no coração de cada um e um abraço apertado dessa autora que se emociona todos os dias com vocês!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...