"José Miguel"
Eu estava olhando para o Matheus e me sentindo o maior idiota da terra, pensando em como eu me deixei ser feito de bobo como se fosse uma criança sem malícia. Quando eu tinha me tornado esse cego, incapaz de perceber que estava sendo passado para trás?
- Ela estava espumando pela boca quando eu a encontrei desmaiada da primeira vez, Matheus. - Eu sussurrei com o rosto enfiado nas mãos.
- É, ela estava espumando, graças a uma pastilha de antiácido efervescente. Rossi, a nascida do inferno tem um repertório de truques bem vasto. Você não é idiota, só não imaginou que ela podia ser tão baixa. Mas como você ia saber? Você espera o melhor das pessoas, Rossi, e isso não é defeito. - O Matheus se aproximou.
- Como você sabe que era antiácido? - Eu perguntei ainda me sentindo humilhado por ter sido enganado tão facilmente.
- Porque nossa equipe da faxina encontrou uma caixa de pen drives escondida na sala do Dr. Virose. Ele gravou várias, se não todas as conversas com a nascida do inferno, acredita? E antes que você pergunte, sim, tem várias com a vadia morta também. Eu ainda não assisti a tudo, é muita coisa. - O Matheus explicou.
- Mas não é só isso, Rossi, tem o prontuário dela também. - A Gabriele me entregou a pasta contendo as informações médicas da Carmem.
Eu passei as páginas rapidamente e encontrei as informações sobre a primeira suposta tentativa de tirar a própria vida que a Carmem fez. De acordo com o relatório ela estava perfeitamente bem, tendo sido internada unicamente para um checkup anual.
- Vê o vídeo, vai te deixar com mais raiva. - O Matheus me cutucou e ligou a televisão.
A imagem da Carmem e do Mauro rindo de mim me deixou possesso de raiva, o ódio que eu sentia emanava de dentro de mim em ondas. No vídeo a Carmem se gabava de ter me enganado e me ter comendo na palma da mão dela, enquanto o Mauro ria de como eu era idiota. Logo eu entrei no quarto com um chocolate quente e uma caixa de biscoitos amanteigados que ela havia me pedido convenientemente quando o Mauro chegou e com a voz fraca e baixa.
Eu me lembrava daquilo, foi um dia depois do tal incidente. Eu estava me corroendo de culpa e me sentindo ingrato e cruel. Assim que eu entrei no quarto, o Mauro já tinha o discurso pronto, apontando a minha irresponsabilidade, o quanto eu estava sendo cruel com uma pobre mulher que estava engolindo a própria dor para me apoiar e todo o tipo de acusação que me fez sentir ainda pior.
"Não, Mauro, não culpe o José Miguel, ele já tem muito na consciência. Eu é que sou um estorvo." A Magda reclamou fracamente com lágrimas nos olhos, ao que o Mauro prontamente rebateu: "Claro que não, querida, ele precisa entender que deve tudo a você! Que é você quem o mantém de pé, cuidando dele todo esse tempo. Mas ele também precisa saber que você tem quem a defenda, embora devesse ser ele a defender a mãe da esposa dele, esposa que ele matou."
Ouvindo aquilo outra vez eu me lembrei exatamente de como eu me senti, um ser cruel, perverso e praticamente destituído de humanidade, completamente indigno de continuar vivo e um covarde por não conseguir dar fim a mim mesmo. Mas agora eu via a cena inteira, via os risos e o deboche deles, via como estavam felizes em me manipular. Era uma baixaria, completamente nojento.
- Chega! - Eu funguei e balancei a cabeça. - Pra mim chega! O que eu já sei é suficiente para que eu queira realmente matar a Carmem, eu não quero saber mais nada.
- Rossi, você precisa saber. - O Matheus desligou a televisão e me encarou.
- Matheus, você vai verificar tudo, não vai? - Ele fez que sim ante a minha pergunta. - Eu não quero ver esses vídeos. Então você me conta o que for importante, porque eu já sei que os últimos sete anos foram uma mentira, que a Cora era uma piranha e que a Carmem não vale nem um segundo da minha atenção. Eu já entendi que ela quer o dinheiro, que ela acha que pode ter comigo o que não teve com o meu pai e que ela seria capaz de enterrar a própria filha em uma clínica qualquer. A única coisa que eu quero agora é tirá-la da minha vida e mantê-la bem longe de mim, da Eva e do meu filho.
- Se é assim, eu tenho permissão para aprontar com a vadia mãe? - Ele deu um grande sorriso e eu concordei. - Ótimo! Então vamos ao plano. Berta vai deixar a esposa do demo escapar amanhã e assim que ela sair a Candi vai avisar ao Enzo que, junto com o Julio, vai seguí-la. Érico e Edson vão ver o que descobrem com o tio dos irmãos confusão foragidos do Santè. Julinha vai convidar para a nossa festa os ilustres empresários que a invocação do mal chantageou ou, talvez, quem sabe, as esposas deles. Dr. Molina, Tati e Zangado vão falar com o resto da equipe que atendeu a vadia morta naquele dia...
- Eu prefiro providencial. - O Matheus sorriu.
- Eu não vou! Vou ficar com a Evita, o Rossi trabalha o dia todo, a Eva precisa de alguém que a proteja. - A Gabriele bateu o pé.
- Sei! E vai ser você, com menos de um metro e sessenta de altura e mãos delicadas quem vai proteger a Evita? - O Matheus riu e a Gabriele se colocou de pé, bem em frente a ele, como se o desafiasse.
- Evita ficar muito perto de mim, Peste, você me dá tesão e a sala está cheia! - O Matheus falou sem cerimônia e todo mundo viu as bochechas da Gabriele sendo tingidas de vermelho.
- Só serve pra ser gostoso mesmo! - A Gabriele respondeu irritada.
- É, pessoal, acho que é a nossa deixa! - O Enzo se levantou convidando a todos nós para nos retirarmos enquanto o Matheus e a Gabriele se encaravam como se fossem arrancar as roupas um do outro ali mesmo.
Rapidamente todos nós nos depedimos e deixamos a casa do Matheus, cada um tinha uma atividade a realizar, todos ali estavam mais do que dispostos a me ajudar e eu não sabia como retribuir o que cada um estava disposto a fazer. Eu tinha caído nas armadilhas de duas mulheres mesquinhas e cruéis e não fosse pelo Matheus, que reuniu todas aquelas pessoas por mim, e pela Eva, que foi como um milagre na minha vida, me iluminando como um farol brilhante e me fazendo sentir tão amado, eu teria me fechado para o mundo e duvidaria que existisse bondade e pessoas leais.
Apesar da minha mente estar agitada em um turbilhão de pensamentos e lembranças de dias insuportáveis e de sofrimento, eu tinha duas coisas muito claras a fazer, uma delas era me livrar da Carmem e afastá-la totalmente de mim e da minha família, a outra era começar a construir o meu futuro com a Eva, nosso filho estava a caminho, eu precisava de mais do que um apart para recebê-lo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...