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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 191

"Elias"

Nós havíamos passado a manhã inteira procurando os médicos e enfermeiros que haviam participado do atendimento da falecida esposa do José Miguel, mas eles já não trabalhavam mais no Hospital Santè. O curioso é que todos eles foram sendo dispensados logo após aquele atendimento, com diferença de dias ou alguns no mesmo dia, mas todos foram dispensados e em todas as fichas constava o mesmo relatório, os profissionais não estavam capacitados para a emergência de um hospital.

E tornando tudo um pouco mais difícil, os outros dois médicos não estavam no país, ambos estavam fazendo uma especialização fora. Já os enfermeiros, todos os dados estavam desatualizados no conselho.

Nós decidimos conversar com cada um que esteve no plantão daquela noite, eles relataram coisas que eu preferia não saber. Uma enfermeira mais velha chorou enquanto contava sobre o homem que morreu na sala vermelha pedindo para que dissessem a esposa e aos filhos que os amava. Outra contou que todos os meses ainda visitava a moça que ficou desfigurada porque foi atingida por uma viga de madeira. As duas se lembravam da grávida do acidente, mas nenhuma delas sabia os detalhes, apenas que a mulher e os bebês morreram e o marido estava desesperado.

- E agora, o que fazemos? Sem encontrá-los, não tem como saber o que aconteceu de fato e mesmo os encontrando talvez eles nem se lembrem. - Eu sugeri e a Tatiana e o Dr. Molina se olharam e deram um risinho.

- Uma noite daquelas? Impossível esquecer! Ninguém que tenha estado de plantão naquele dia pode esquecer as cenas tristes que viu. Eu estive na emergência algumas vezes naquele dia e ainda posso ouvir os gritos de dor dos pacientes. Eu ainda me lembro do cheiro de pele queimada que pairava no ar. - O Dr. Molina respirou fundo e fechou os olhos, uma expressão desolada na face. - Eu ainda sonhava com o parto daqueles gêmeos e o desespero do José Miguel até poucos dias atrás.

Enquanto conversávamos sobre como poderíamos tentar encontrar os enfermeiros que atenderam a Cora naquela noite o celular da Tatiana chamou, era o Enzo e ele fez algumas perguntas. Ela defendeu a competência do tal Michel com tanta veemência, como se ele fosse muito especial para ela. Logo depois o celular do Dr. Molina tocou e ele saiu para atender.

- Pra quem não queria saber dele, você defende muito o capitão gelatina, não é?! - Eu comentei. Não sabia de onde vinha a irritação que me consumia naquele momento e nem porque eu tive que abrir a boca. Os olhos dela voaram para mim.

- Está com ciúme, Zangado? - Ele perguntou e eu dei uma risada seca.

- Nem nos seus melhores sonhos. - Eu respondi entre dentes.

- Sei! - Ela sibilou e soltou os papéis que segurava.

Ela deu um meio sorriso, se levantou e parou bem na minha frente. Se curvou para que seus olhos ficassem na altura dos meus e seu nariz quase tocou o meu.

- Deixa eu te dizer uma coisa, eu fui traída, humilhada e pisoteada uma vez, mas foi uma só e eu aprendi a lição. Qualquer um que tente fazer algo assim comigo de novo, se acordar para ver um novo dia, vai acordar com um peru decaptado e dois ovos estalados, você entende o que eu quero dizer? - Eu até estremeci com o que ela disse. - O capitão gelatina e eu estávamos nos conhecendo, não era nada sério e ele tem sido importante para ajudar o Rossi, só por isso eu peguei leve com ele.

Ela se levantou devagar, o decote dela passando bem diante dos meus olhos e me fazendo esquecer a ameaça para quem ousasse traí-la. Antes que ela se afastasse, eu segurei o pulso dela.

- Foi muito ruim? - Eu quis saber.

- O quê? - Ela piscou confusa.

- O que seu ex fez com você. - Eu olhei nos olhos dela e não vi dor ou tristeza.

- Foi péssimo o suficiente para que eu não me engane de novo. Mas passou, eu segui em frente e agora eu sei o meu valor. - Ela colocou as mãos na cintura, numa pose imponente.

- Talvez depois do meu divórcio...

- Nem termina, Zangado, porque eu já sei que você não tem o melhor dos currículos. - Ela voltou para a sua cadeira e se sentou, como se não tivesse acabado de me cortar.

- Mas você disse...

- Que eu posso te analisar depois do seu divórcio? - Ele deu um sorriso malicioso. - Eu não preciso te levar a sério para te analisar, Zangado.

- Vocês mulheres são complicadas. - Eu estreitei os meus olhos para ela, que já tinha uma resposta na ponta da língua, mas foi interrompida por alguém batendo e abrindo a porta.

- Tati... - Uma moça de uniforme azul claro colocou a cabeça para dentro e olhou em volta. - Posso entrar?

- Claro, Val! - Ela respondeu e a outra mulher entrou.

- Eu soube que vocês estão procurando o Dimas. Tem algum problema?

- Na verdade nós estamos procurando alguns funcionários que o Dr. Aroldo demitiu e o Dr. Molina está em dúvida se foi uma demissão justa. - A Tatiana não revelou a verdade, me deixando em dúvida se ela não confiava na outra mulher ou se só não queria espalhar a notícia mesmo.

- Ah, a demissão do Dimas não foi justa mesmo! Ele ficou arrasado. - A mulher falou. - Olha, nós estávamos saindo na época. Eu gostava muito dele, mas ele foi demitido e, por causa do motivo da demissão, ele não estava conseguindo mais emprego na área. Ele ficou muito deprimido. Acabou fazendo um curso de confeitaria e hoje em dia ele faz bolos e doces.

- Que mudança! - A Tatiana ficou surpresa.

- É, mas agora ele está bem. - A moça pensou um pouco. - Vou te passar o número do telefone e o endereço dele.

Enquanto a moça anotava as informações a Tatiana aproveitou para perguntar se ela sabia algo dos outros, mas ela balançou a cabeça dizendo que não. A Tatiana agradeceu antes que ela saísse e depois se virou para mim.

- Bom, temos alguma coisa! - Ela sacudiu o papel no ar, no exato momento que o Dr. Molina voltava para a sala. - Encontramos um, doutor.

Eu fechei a porta e dei a volta, antes de entrar no carro eu descobri com o Enzo onde era a tal feira, porque uma coisa eu já tinha entendido, aquele garoto sabia de absolutamente tudo! Então eu me sentei ao lado dela e liguei o carro sem dizer nada.

- Não vai colocar uma daquelas músicas ridículas? - Eu perguntei e ela deu de ombros.

- Hoje não. - Ela deu de ombros, mas o silêncio dela era pesado demais para mim, então eu coloquei uma música que eu tinha percebido que ela gostava e comecei a cantarolar.

- "And I need you, and I miss you, and now I wonder..." - Eu repetia baixinho a letra de "A Thousand Miles" e ela começou a rir. Entao eu aumentei o volume e comecei a cantar desastrosamente mais alto e por fim ela estava gargalhando até cantar comigo.

- Você é ridículo! - Ela abaixou o volume rindo, mas não desligou, continuou cantando as músicas com naturalidade, como se já fizesse aquilo no meu carro há muito tempo.

Eu parei na rua lateral do local onde acontecia a feira gastronômica e ela me olhou séria de novo.

- Elias, você não precisa fazer isso. - Ela falou, todo o bom humor de antes se dissipando.

- Não preciso. Mas nao vou perder a oportunidade de provar para você que eu sou o cara mais simpático que você já conheceu. - Eu brinquei, mas ela não sorriu. - Vamos, Lady Agulha, você vai se deleitar com a minha adorável companhia. - Eu insisti, mas ela parecia irredutível me olhando com aqueles olhos inquisidores. - Vamos, Tati, eu gosto da sua companhia, talvez você até me faça gostar de uma feira gastronômica. Vai perder a oportunidade de se gabar por aí que me fez gostar de feira gastronômica?

- Eu já posso me gabar que fiz você cantar alto no carro. - Ela me olhou por um momento. - Tá, mas eu tenho regras para a feira gastronômica. Uma vez lá dentro tem que ficar até eu querer ir embora; tem que comer sem fazer cara de enjoadinho; tem que sorrir para as pessoas e agradecer; e não pode assustar as criancinhas! - Ela falava e erguia os dedos na minha frente. Eu fiz que sim e ela abriu a porta do carro, sem me esperar.

- Só não prometo não assustar as criancinhas o resto eu posso fazer. - Eu murmurei dentro do carro enquanto ela saía.

- Olha, já está bancando o engraçadinho! - Ela se abaixou e me encarou antes de fechar a porta.

N.A.:

Olá, queridos... como estão?

Meus lindos, hoje tem capítulo extra, capítulo gigantão, muito amor envolvido e a peste e o carrapato aprontando as deles. Cancun vai ferver! rs... Aproveitem sem moderação.

Beijo no coração, meus lindos!

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