"José Miguel"
Eu escutei tudo o que o Enzo, o Julio e a Melissa estavam dizendo, mas aquela idéia era estapafúrdia e eu jamais concordaria com elam por mais que a Melissa tentasse me garantir que era genial.
- De jeito nenhum, Melissa! Eu nao vou colocar a Eva nessa situação. - Eu avisei e a Melissa fez um biquinho. - Além do mais, como você acha que vai conseguir enrolar a Carmem?
No momento em que a Melissa abriu a boca para me responder, uma batida na porta transformou o que ela estava prestes a dizer em um sorriso acompanhado de olhos brilhantes.
- Me chamou, Melissa? - O Brandão entrou na sala dela com a postura altiva de sempre, mas quando me viu deixou de sorrir. - O que foi dessa vez, Rossi? Eu estou quieto no meu canto, eu aprendi a lição.
- Ótimo! Continue assim. - Eu respondi emburrado.
- Senta, Pipoqueiro. - A Melissa apontou a cadeira vaga ao meu lado e eu ouvi a risadinha baixa do Enzo.
- Pipoqueiro? - Eu encarei a Melissa e o Brandao deu um suspiro pesado ao meu lado.
- É, Perfeito, porque ele faz muito barulho, pula de mulher em mulher querendo atenção e no fundo é só diversão barata. - O Enzo terminou de falar às gargalhadas.
- O que está acontecendo? - Eu perguntei, tentando não rir do desconforto do Brandão, afinal ele também não era o meu santo de devoção e me incomodava só de respirar.
- Não olha pra mim porque eu não fiz nada. - O Brandão tratou de se justificar rapidamente.
- Ótimo! Continue assim. - Eu resmunguei.
- Perfeito, você quer saber como vamos atrair a praga encarnada para a nossa brincadeira e eu te digo: nós vamos usar o que temos de pior, o Pipoqueiro! - A Melissa apontou para o Brandão com um sorriso brilhante.
- Ah, muito obrigada viu, Melissa! Puxa, pensei que já tivéssemos aparado as nossas arestas. - O Brandão reclamou e a Melissa riu.
- Você está em fase probatória, Pipoqueiro, o que significa que você me bajula e faz as minhas vontades. - A Melissa cortou a choradeira do Brandão.
- Melissa, você não está pensando em fazer o Brandão... - Eu nem ousava concluir a frase.
- Seduzir a praga encarnada? Pode apostar que sim! - Ela confirmou e eu abaixei a cabeça nas mãos.
- Jesus! De onde saem as suas idéias sem limites, Melissa? - Eu balbuciei.
- Ah, eu fui uma criança muito feliz e com muita liberdade criativa, Perfeito! - Ela tinha um sorriso encantador e falsamente inocente.
- Não sei quem é essa tal praga encarnada, mas se for bonita, eu tô pra jogo! - O Brandão abriu aquele sorriso cafajeste e eu tive que rir. Ia ser até um bom castigo para ele.
- Nossa, mas não vale um vintém mesmo, né não, Pipoqueiro?! - O Julio implicou sentado ao lado do Enzo.
- O que foi, prestativo? Você não foi chamado aqui na conversa ainda não! - O Brandão respondeu irritado.
- Está vendo, Pipoqueiro, porque você não sai da recuperação e vive reprovando? Você não se comporta. - A Melissa chamou a atenção do Brandão. - Mas prestativo faz sentido, gostei!
- Ah, Melissa foi ele que começou. - O Brandão reclamou.
No segundo seguinte a sala da Melissa parecia a sala da diretora da escola quando o Matheus e eu éramos chamados por aprontar com algum colega. O Brandão e o Julio reclamavam, o Enzo ria e eru pensava 'quando foi que eu voltei para a quinta série'.
- Xiu! Todo mundo caladinho agora. Ai, ai, ai, vocês têm que ser amiguinhos! - A Melissa ralhou, mas eu não me atrevi a rir, embora quisesse muito, vendo o Brandão de cabeça baixa ao meu lado.
- Perfeito, nós precisamos dar a praga encarnada uma dose do próprio veneno. E pra isso precisamos do Pipoqueiro e da Eva. - A Melissa insistiu e eu balancei a cabeça em negativa. - Ainda bem que a Eva é uma mulher forte e independente.
- O que você quer dizer, Melissa? - Eu me aproximei da mesa.
- Que a decisão é minha, Sr. Perfeito! - Eu me virei e vi a Eva parada à porta, escoltada pelo Érico.
- Feia não, Pipoqueiro, é um dragão raro! - O Julio respondeu rindo.
- Puta que pariu, isso vai manchar o meu currículo! - O Brandão revirou os olhos e eu tive que rir. Talvez incluí-lo no plano da Melissa não fosse assim tão ruim.
- Pipoqueiro, você me deve! - A Melissa lembrou ao Brandão.
- Tá, eu já sei que a minha alma te pertence, Melissa! Vai, pode contar comigo, vou me sacrificar pelo bem maior. - O Brandão respondeu com a voz cansada.
- Pode marcar, Mel, Eu estou dentro! - A Eva respondeu empolgada. - Pena que o Cachorrão não está aqui, ele ia adorar ver isso!
- Amorzinho... - Eu reclamei, mas sabia que não tinha nada que eu pudesse fazer.
- Amorzinho, relaxa, eles não vão tocar em nós. O Julio vai colocar os amigos dele no lugar para me proteger, os seguranças da Mel estarão lá e o Brandão vai estar lá, tenho certeza que se algo der errado ele vai me ajudar. - Ela argumentou e eu lancei um olhar cortante para o Brandão.
- Te prometo, Rossi, que não vou deixar nada de ruim acontecer com a Eva. - O tom dele era solene e o pior foi que eu acreditei na regeneração daquele infeliz.
- Está bem! Mas eu vou estar por perto. - Eu avisei.
- Todos nós vamos estar por perto, Perfeito. - O Julio se apressou protetor.
- E quando vai ser isso? - Eu quis saber.
- Ainda esta semana, antes do seu grande baile, porque nós queremos fotos e vídeos para a decoração da sua festa! - A Melissa sorriu como se falasse de flores.
- Adoro gente assim, quando é boa é ótima, mas quando é pra se vingar... é perffeita! - O Érico elogiou a Melissa, que ficou toda envaidecida.
- E eu estou pegando leve porque a minha condição de grávida me deixa emotiva demais. - A Melissa sorriu docemente. Se esse era o pegar leve dela, eu nem queria imaginar o que era o pegar pesado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...