"Gabriele"
Eu estava ficando inquieta, sentada ali só observando e receosa de que aqueles três desaparecessem. Onde estava a polícia? Por que demoravam tanto? Felizmente o vôo daqueles três também estava demorando.
Mas quando o Poncho se levantou eu me preocupei, será que eu ia perdê-los agora? Contudo os outros dois ficaram quietinhos e eu tinha certeza que se estavam ali juntos, viajariam juntos. Talvez o Poncho só precisasse ir ao banheiro ou tomar um café, era melhor que eu ficasse quieta e observasse a Ximena, na verdade mesmo eu só precisava de um deles.
- Está me seguindo, bonitinha? - A voz fria e baixa do Poncho no meu ouvido me causou arrepios e não foram arrepios bons como o Carrapato causava. Eu tentei me virar, mas senti algo no meu pescoço. - Não se vira, isso é um bisturi, faz maravilhas, mas também faz muitos estragos. Presta atenção, bonitinha, agora você vai se levantar devagar e vai vir comigo sem fazer escândalo.
- Ir com você pra onde? - Eu perguntei, não dando a ele o prazer de perceber que eu estava com medo.
- Não interessa pra onde. Você não veio me ver? Então, agora vai até conversar comigo e me explicar direitinho quem é você.
- E se eu não for?
- Ah, você vai! E vai sem gritar ou chamar a atenção de ninguém, porque olha, tem muita gente perto, mas ninguém está realmente olhando para nós dois. Isso é o que eu gosto em lugares cheios, você se mistura e ninguém te vê. Então, bonitinha, se eu cortar a sua garganta aqui e agora, ninguém vai perceber antes que você já esteja numa póça de sangue e eu esteja longe. E se eu cortar a sua garganta você não vai conseguir gritar. O que você prefere, morrer agora ou ter uma chance de me convencer que está me seguindo porque se apaixonou perdidamente por mim à primeira vista?
A medida que ele falava a voz dele ficava mais fria, mais desprovida de emoção, era como lâminas de gelo atingindo o meu ouvido.
- Eu não estou te seguindo, foi apenas uma coincidência. - Eu estava mantendo a calma por fora, mas na minha cabeça eu corria de um lado para o outro com os braços pra cima gritando socorro.
- Isso eu decido. Vamos. - Ele me puxou para cima.
Eu estava sentada numa cadeira da ponta o que facilitou para que ele não precisasse me soltar. Eu deveria ter me sentado em uma das cadeiras do meio, porque ele estando atrás e eu na frente, ele teria que me soltar para que eu caminhasse até o final da fila de cadeiras. Lição aprendida, cadeiras do meio eram vida!
Eu fiquei de pé e senti a outra mão dele segurar a minha cintura, o que me deixou em pânico, minha calma calculada se esvaindo e dando lugar para o desespero e a histeria. Mas no momento em que ele girou a minha cintura para que eu fosse na direção que ele queria, alguém falou atrás dele.
- '¿Tienes prisa, Ponchito?' - A voz grossa e com um sarcasmo calculado me fez duvidar se eu deveria estar aliviada.
- '¡Mierda!' - O Poncho xingou e eu estava tão perto dele que pude ouvir o clique de uma arma.
- 'Libera a la chica.' - O homem exigiu.
- 'Ella tiene el dinero. La cantidad para pagar mi deuda. Me robó, es una perra que me engañó.' - O Poncho estava quase implorou.
- Você está me chamando de cachorra? Filho da puta! Vou te mostrar quem é a cachorra! - Eu dei um pisão no pé dele e me soltei.
Eu senti a lâmina escorregar muito perto da minha pele, mas eu não liguei. Me virei pra ele e lhe dei um t@-pa no rosto que fez a minha mão doer. Ele não ia falar comigo daquele jeito. Eu nem estava entendendo o que o cobrador gângster estava fazendo no aeroporto, talvez estivesse seguindo aquele infeliz.
- 'Es un hijo de puta, un idiota, un pedazo de m****a, un bastardo sin pelotas. No honra los pantalones que viste, ni las deudas que contrae. ¡Sé un hombre, idiota!' - Eu bradei em voz alta, estava completamente irritada. - '¿Quieres saber la verdad, señor? Ese imbécil es un ladrón y un fugitivo de la policía. Poncho ni siquiera es su nombre. Es un canalla que nadie echaría de menos. Por lo que a mí respecta, puedes meterle un palo por el culo y arrancarle la piel con ese bisturí que tanto le gusta.'
- 'La muchacha es valiente. Y tiene un vocabulario diverso.' - O homem respondeu com um sorriso, como se eu tivesse o divertido muito.
- 'Ella es realmente boca sucia.' - O Matheus apareceu atrás do homem que segurava o Poncho. - Você prometeu voltar pra mim inteira, Peste.
- Eu estou inteira, Carrapato. - Eu respondi, sentindo o alívio em vê-lo ali.
Ele se aproximou e passou o dedo pelo meu pescoço, examinando atentamente. Então se virou para o Poncho. Eu passei a mão pelo pescoço e então eu me dei conta, quando eu me afastei o bisturi me cortou, mas foi um corte sem importância.
- '¿No te enseñaron a tratar a las mujeres? No se lastima a una mujer.' - O Matheus estava com raiva.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...