"Matheus"
Meu coração parou de bater por um segundo quando eu cheguei ao aeroporto e vi aquele babaca segurando a minha Peste. Mesmo que de longe eu não pudesse ver, eu sabia que tinha alguma coisa errada, porque ela não estaria tão perto dele se não estivesse sendo obrigada.
Eu apontei os dois para o Paco e enquanto ele correu para deter o Poncho, os outros quatro integrantes da equipe foram até a Ximena. Em minutos a situação estava contida e os dois fujões estavam presos. No entanto, eu observei o Mauro que, assim que percebeu os homens se aproximando da Ximena se esgueirou para longe e se escondeu a certa distância observando a movimentação. Eu precisava cercá-lo, precisava falar com ele antes que ele se enfiasse dentro de um avião qualquer.
Nós interceptamos o Mauro e ele não ofereceu resistência, saiu do aeroporto conosco e nós voltamos para o hotel, onde eu pedi mais um quarto, ao lado do que já estávamos ocupando. Nós não ficaríamos, mas eu queria dar privacidade a Peste.
- Primeira coisa, cuide dela. Você sabe fazer um curativo decente, não sabe? - Eu perguntei para o Mauro assim que entramos no quarto.
- Eu não sou idiota, Matheus. - Ele respondeu ofendido.
- Ah, qual é, Mauro. Seu diploma é comprado, eu já sei disso. - Eu respondi irritado, ainda de pé e inquieto.
- Quer saber, Matheus, sim, eu comprei meu diploma, mas só porque eu não precisava da faculdade. Eu fiz metade do curso, uma chatice, porque eu já tinha feito o curso inteiro de enfermagem, eu sabia mais que os professores que ficavam na minha frente. - O Mauro parecia ter perdido a paciência.
- Ah, enfermeiro você é?! Ótimo! Cuide dela! - Eu repondi irritado e ele bufou.
- Inacreditável! Bem que a Carmem fala que você é um chato. - Ele reclamou enquanto abria a maleta e tirava os itens para fazer o curativo. - Isso tudo é por causa da Carmem, não é?!
- Olha que inteligente! - Eu bufei.
- Eu sabia que mais cedo ou mais tarde aquela criatura estúpida ia me dar problema. Mas eu ainda precisava fazer uma retirada. - Ele reclamou enquanto embebia um algodão em um líquido transparente e levantava delicadamente o queixo da Gabriele que estava sentada ao lado dele.
- Retirada? - A Gabriele o encarou.
- É, Gabi, dinheiro, money, o mal que move o mundo. Eu precisava ter o suficiente para fugir da Carmem. - Ele contou e encarou a Gabriele por um momento. - Você me enganou, Gabi. Eu fui sincero com você. Simpatizei com você.
- Olha, Mauro, você é até um cara legal, mas com o caráter meio torto, não acha? Diploma comprado, amizade com aquela mulher que só faz maldades, arranca dinheiro dela, um monte de mentiras contadas por aí... não deveria se chatear comigo, eu só quero ajudar um amigo.
Ele passou o algodão pelo corte da Gabriele e soprou, como se cuidasse do joelho ralado de uma criança.
- Tá bom, eu entendo. - Ele pegou outro algodão e continuou o trabalho meticuloso e delicado. - Quem é você de verdade?
- Ela é minha namorada, Charlatão! - Ele estava sendo gentil demais com a Gabriele, era bom que soubesse logo onde estava se metendo. A Gabriele me olhou como se eu tivesse dito um absurdo, mas não falou nada.
- Então eu não me enganei tanto assim, tem algo de especial em você, afinal para arrancar esse aí da vida de mulherengo que ele levava tem que ser uma mulher única.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...