"Matheus"
O Mauro pareceu mergulhar em si mesmo. Virou o whisky e se serviu de outro, entregando uma garrafa de água para a Gabriele.
- Parece que essa história mexe com você. Você gostava da Cora? - Eu perguntei.
- A Cora era tão podre quanto a mãe, mas eu tinha pena dela, ela foi criada por aquela mulher, ela simplesmente teve a Carmem como modelo, aprendeu a ser uma pessoa ruim. Ela não nasceu má, ela foi treinada para ser assim. Desde pequena, ela via a mãe conseguir o que queria através da manipulação, da chantagem e do medo. - Ele divagou.
- Pois eu já acho que a maldade estava no DNA dela, filha do cretino do Domani e da cobra de botox, não tinha como ser diferente. - A Gabriele bebeu a água e se aninhou nos meus braços.
- Pode ser, Gabi, mas às vezes a maldade é só uma lição de casa bem aprendida. Ela poderia ter quebrado o ciclo, claro, mas a Carmem tinha muito poder sobre a Cora, a Carmem a enlouquecia, entrava na cabeça dela de uma maneira doentia. E no final, o exemplo da mãe foi tão forte que virou a própria natureza dela. - Ele deu um sorrisinho triste.
- Qual era a sua relação com ela, Mauro? - A Gabriele perguntou suavemente.
- Eu senti alguma coisa por ela. Dizem que coração é terra que ninghuém pisa e que não se pode explicar as coisas dele, eu não sei te explicar como, mas eu gostava dela, porque quando ela estava longe da mãe e sem pensar nas ambições ela era divertida, era raro, mas eu vi isso nela algumas vezes. Nós namoramos escondido antes dela se casar. Mas eu era só um pobre diabo sendo manipulado pela Carmem também e ela não permitiria que eu estragasse os seus planos. Ela era fixada na família Rossi, eu tenho até pena do José Miguel. - Ele confessou.
- É, tem pena, mas arma todas contra ele e vive contando desaforos. - Eu bufei, mas ele apenas deu um sorrisinho torto e continuou.
- A Cora dizia que o nosso namoro era um segredo tão grande que ela não contava nem para o próprio diário. Eu queria fugir com ela, mas ela era ambiciosa demais, queria o dinheiro do José Miguel, tanto quanto a mãe. Aí nós terminamos, ela se casou com ele e eu acompanhei dos bastidores. Pouco antes dela engravidar dos gêmeos nós nos envolvemos de novo e quando ela apareceu grávida eu desconfiei que poderiam ser meus. - Ele deu um riso triste. - Podia ser de qualquer um naquela cidade, a Cora era uma safada como a mãe. - Ele respirou fundo e se recompôs. - Mas a Carmem a aterrorizou e ela me pediu para fazer um DNA as escondidas.
- Aí você fez um com as amostras do José Miguel e um com as suas amostras. - Eu finalizei.
- Como você sabe? - Ele me encarou. - Minha sala no hospital. Aquele traidorzinho safado do Michel. O que mais você encontrou?
- Tudo o que me interessava. Da próxima vez, seja mais gentil com quem tem a chave dos seus segredos. - Eu avisei. - Por que você não entregou o resultado para a Cora? Por que você fez o que a Carmem queria?
- Porque a Carmem descobriu que a Cora tinha me procurado para fazer o DNA e ela queria internar a Cora num hospital. Além de ter sido obrigado pela Carmem e esconder o resultado, eu vi a minha chance de fugir com a Cora. E quando a Cora me pediu o remédio para abortar eu dei, porque eu já sabia de quem eram os gêmeos e era melhor que ela não tivesse laços para se apegar ao José Miguel.
- Nossa, isso foi uma grande maldade, Mauro! - A Gabriele olhou para ele com reprovação. - Como você acha que a Cora ia reagir quando descobrisse?
- Ela ia me matar. E eu me arrependo disso, Gabi. De verdade! Mas eu queria a Cora, eu gostava dela e eu achava que o único jeito de ficar com ela seria se ela percebesse que nem a mãe e nem o José Miguel ligavam para ela. Foi a Carmem quem planejou se livrar dela. E eu sabia que havia uma chance dela se apegar as crianças, uma chance pequena, mas havia, se ela tivesse aqueles bebês e eles fossem tirados dela, ela poderia nunca concordar em fugir comigo e deixar os filhos. Mas eu não sabia o que ela ia fazer. Eu sugeri que ela fingisse passar mal e simulasse uma queda da escada.
- Ela fez pior que isso, ela provocou aquele maldito acidente de caso pensado, porque ela tinha tomado o remédio. - Eu falei irritado com ele.
Aquela covardia com dois seres que ela deveria defender, dois seres que sequer tinham culpa de estar sendo gerados, usados como peões num jogo de maldade.
- Isso tira o meu sono, Matheus, pode acreditar. - Ele fechou os olhos, um lampejo de dor passando pelo seu rosto.
- Mauro, o que aconteceu naquele hospital, depois que o médico deu a notícia que os gêmeos não sobreviveram? - A Gabriele perguntou com delicadeza.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...