"Matheus"
Eu observei o Mauro, cada traço no rosto dele. Ele parecia realmente alheio às minhas desconfianças, me olhava como se eu estivesse ficando louco.
- Por que você me pergunta isso? Claro que ela morreu, você também estava no velório. Aquele mau gosto de caixões abertos, expondo para todos os despojos dela e dos filhos. - Ele balançou a cabeça e passou a mão pelo rosto inconformado.
De uma coisa eu tinha certeza, o Mauro realmente gostava da Cora.
- Mas a Carmem anda sugerindo que a Cora está viva. - Eu soltei e ele me olhou como se tivesse ouvido que a terra seria atingida por uma bola de fogo.
- Isso é impossível! - Ele sibilou.
- Por quê? - A Gabriele o encarou, os olhos dele deslizavam entre ela e eu.
- Porque foi o que eu ouvi da Morgana naquele dia, que só um milagre salvaria a Cora. Depois, tudo o que eu ouvi, da Morgana, do Aroldo e da Carmem, foi que a Cora estava morta. - Ele falou e os olhos encheram de lágrimas.
- Não sei se deveria, mas acredito em você e vou te fazer uma proposta. Eu conheço um ótimo advogado que pode te livrar da cadeia sobre o assunto do diploma comprado, mas você precisa nos ajudar a desmascarar a Carmem. - Eu propus.
- Você vai me atirar no inferno, Matheus!
- Talvez. Mas o que você prefere, ir para a cadeia por ter exercido medicina por tanto tempo com um diploma comprado e por vários outros crimes que eu tenho como provar ou ter uma chance de não ir para a cadeia, se livrar da Carmem e sumir das nossas vidas? - Eu propus e ele riu.
- Meu contrato está apenas passando para as mãos de outro demônio. - Ele bebericou o whisky.
- É uma forma de ver. Mas você sabe que eu não vou manter você preso a mim e cometendo mais crimes. É simples, Mauro, você me ajuda a desmascarar a Carmem, eu te devolvo a sua liberdade e você some. Só isso. Eu não preciso dos seus serviços sujos. - Eu joguei para ele e ele me olhou por um longo momento.
- Está bem, mas eu quero falar com o advogado antes de enfrentar aquela aberração do inferno. Depois que o advogado me garantir que eu não serei preso, eu faço o que você quer. - Ele decidiu. - Aliás, o que exatamente você quer?
- Eu vou dar uma festinha, cheia de convidados especiais e nós vamos desmacarar a Carmem na frente de todo mundo. Nós vamos confrontá-la e eu quero que você esteja do nosso lado. - Eu contei e ele riu.
- Vai ser interessante. Por mim, temos um acordo! - Ele se recostou no sofá e fechou os olhos.
- Ótimo, temos um acordo! Só não relaxa demais porque nós vamos sair daqui a pouco. - Eu informei. - E você, Peste, se importa de arrumar as malas? Eu preciso ficar de olho no nosso amiguinho para ele não fugir. Assim que estiver tudo pronto nós podemos ir, o avião já está nos esperando.
A Gabriele me deu um beijo e foi para o outro quarto. Assim que chegássemos teria um segurança de olho em cada passo do Mauro, eu não o perderia de vista até que nos livrássemos da concubina do demo.
- Você vai me manter em rédea curta até conseguir o que quer, não é? - O Mauro perguntou, ainda de olhos fechados.
- Vou. - Eu respondi e ele pareceu não se incomodar. - Algum problema com isso?
- Nenhum. Sabe, eu convivo com a Carmem há muito tempo. Sabe o que eu acho? - Ele parecia tranquilo demais, como se tudo o que aconteceu não o abalasse.
- O Juan é um policial que estava trabalhando disfarçado no cassino, reunindo provas das atividades ilícitas que aconteciam lá. O Poncho seria interceptado para ser testemunha. Mas quando chegou para a polícia local que o Poncho era na verdade o Aroldo, um foragido usando documentos falsos, o Juan foi avisado e deveria prendê-lo. Os outros policiais estavam disfarçados no entorno da clínica para dar apoio ao Juan. Então nós fomos para o aeroporto. Foi um golpe de sorte e felizmente chegamos a tempo.
- Então eram todos policiais. Ainda bem, porque aquele homem é meio doido.
- E você não? Olha, Peste, nós precisamos conversar muito sério. Você não tem bom senso, não se protege. Eu não posso viver assim, morrendo de medo que você se meta em encrenca e que eu não chegue a tempo. - Eu reclamei e ela me olhou como se não entendesse o que eu estava dizendo.
- Carrapato, eu me cuidei, eu estava disfarçada e eu estava mantendo distância.
- E o Aroldo te pegou. Gabi, eu preciso saber que você vai ficar no taxi quando me prometer que vai ficar no taxi. - Eu a encarei e um sorrisinho malicioso brilhou no rosto dela.
- Qualquer um diria que você se preocupa comigo, Carrapato!
- É! Porque eu realmente me preocupo com você, Peste! - Eu me virei sobre ela e abaixei a voz. - Você é meu evento exclusivo, Peste, eu quero você inteira, respirando, gemendo pra mim quando eu estou dentro de você.
- Carrapato, eu não podia deixá-los escapar. Aqueles dois sabem a verdade. Nossos amigos precisam saber o que eles sabem.
- Eu sei, Peste, mas você é mais importante que essa verdade. Mas agora vai levar um tempo até que eles sejam extraditados e nós vamos ter que esperar um pouco para falar com eles. Até lá, nós vamos exorcizar a invocação do Mal das nossas vidas.
Eu a beijei com calma, com tempo, eu poderia beijá-la durante toda a viagem e era o que eu queria fazer, apenas beijá-la, ter um tempo com ela, sem afobação, sem pensar em mais nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...