"Julio"
Quando eu recebi a mensagem do Enzo me convocando eu comecei a rir, aquele garoto não perdia nada de vista. Eu tinha muitas vantagens na Lince e muita flexibilidade no trabalho, então rapidamente eu coloquei outro segurança na portaria e fui para a casa da Eva.
Mas quando eu cheguei e vi o Enzo, um jovem de dezoito anos, colocando um cara pelo menos dez anos mais velho que ele no seu devido lugar, eu fiquei impressionado. Aquele garoto tinha sido bem educado. E depois de colocar o Leon pra correr e ter certeza de que a Eva estava bem, eu liguei para um serralheiro que eu conhecia e que me devia alguns favores.
O serralheiro chegou rápido e consertou o portão, fazendo um ótimo reforço para que idiotas como o Leon não conseguissem arrombar de novo com um chute. Depois que ele foi embora eu me virei para o Érico e ele tinha aquele jeito de sorrir que parecia iluminar como o próprio sol.
- O que foi? - Eu perguntei um pouco desconcertado.
Eu não ficava desconcertado, eu sempre sabia o que fazer, o que dizer, mas o Érico tinha aquele jeito magnético que te fazia querer estar perto e ter a atenção dele e eu me sentia como fosse desejeitado demais perto dele. Mas aí ele sorriu e sorrindo ele era ainda mais bonito e absolutamente carismático e eu me peguei sorrindo pra ele como um bobo.
- Nada, nada, Guarda-costas, só... pensando em como agradecer por você se preocupar com ela. - Ele respondeu sem tirar os olhos de mim.
- Eu gosto muito dela, então não precisa agradecer. - Eu pensei por um momento e voltei atrás. - Se bem que, dependendo de como você for agradecer, talvez eu aceite.
- Eu pensei em um café. - Os olhos dele brilhavam com a sugestão de mais que um café.
- Ah, pois você vai fazer esse café enquanto o Julio me faz companhia. - A Eva surgiu ao nosso lado e me pegou pela mão. - Vamos entrar, Julio.
- Como você está, Evita? Já se acalmou? - Eu passei o braço nos ombros dela e nós seguimos para dentro, com o Érico em nosso encalço.
- Aquele idiota do Leon! Quem ele pensa que é para arrombar o portão da minha casa e partir pra cima de mim assim? Um grande filho da puta mesmo! - A Eva desabafou.
- Na verdade ele é filho de uma carola da igreja, maninha! - O Érico brincou.
- Carola da igreja... sei! - A Eva bufou e eu comecei a rir, ela ficava realmente fofa com raiva. - Aquela ali é uma pecadora infiltrada na igreja. E vou te falar, tem muitas por aí assim, que vivem na igreja se fingindo de santas, mas a verdade é outra, que fingem ser boas e usam a igreja de escudo. A mãe do Leon é dessas. Ai, eu mereço uma sur-ra só por ter algum dia na vida me interessado por aquele porcaria!
- Calma, querida, não se cobre tanto, todos nós temos algo que nos envergonha no currículo amoroso. - Eu ofereci a ela um sorriso indulgente e ela me olhou com os olhos agradecidos.
- Vou fazer logo o café e já volto, Guarda Costas, pra você nos entreter com a sua vergonha amorosa. - O Érico deu aquele sorriso fácil outra vez e passou por nós, indo em direção à cozinha.
- Se eu vou contar, você também vai. - Eu avisei e ele deu uma gargalhada.
- Quem disse que eu tenho uma vergonha amorosa no meu currículo? - Ele respondeu com aquele jeito divertido de quem estava sempre de bem com a vida.
- Se você não contar eu conto! - A Eva implicou com o irmão que se virou e mostrou a língua pra ela, o que a fez dar uma risadinha divertida. - Obrigada, Julio, por tudo o que você tem feito por mim desde que nos vimos pela primeira vez. - Ela falou ao me puxar para o seu lado no sofá.
- Estarei sempre disponível para você, Evita, para tudo o que você precisar. Eu gosto muito de você.
- Eu preciso de uma massagem nos pés. - Ela brincou e eu puxei os pés dela para cima.
- Você é fofa e folgada como um gato! - Eu brinquei e ela riu, enquanto eu começava a massagem.
Nós continuamos conversando sobre como tinha sido divertido o que aprontamos com o Leon e a Carmem esobre como o Enzo tinha sido criativo com o filme. A Eva acabou pegando no sono rápido demais, eu fiquei em dúvida se foi pela massagem ou se isso era coisa de grávida. Eu coloquei os pés dela cuidadosamente sobre o sofá e fui até a cozinha.
Enquanto eu dava os passos até lá eu sentia uma ansiedade boa, que causava um frio no estômago e deixava o coração palpitando e fazia um sorriso involuntário surgir no rosto.
- Você parece meio perdido aí. - Eu brinquei quando entrei na cozinha.
- Eu não moro nessa casa há muito tempo, não sei onde minha mãe guarda as coisas. No momento estou procurando o pó de café. - Ele fechou o armário de baixo e me olhou com as sobrancelhas franzidas como se pedisse socorro.
- É exatamente o que parece para mim.
Ele pousou a xícara na bancada e se virou para mim, o espaço entre nós se fechando naturalmente. Não era apressado, era apenas o reconhecimento de que havia um interesse real e mútuo. Nós não estávamos apenas nos unindo para cuidar da Eva ou passando um tempo juntos, estávamos claramente construindo o início de algo.
E enquanto ele me encarava, assim tão de perto, a diversão se desfez e uma camada de seriedade nos cobriu. O silêncio que se estendeu deixou o ar mais carregado, se misturando com uma atração que parecia estar sendo aquecida em banho-maria e aquela cozinha parecia ter encolhido, bem como o tempo parecia ter parado.
- Hãm-hãm! - Um limpar de garganta alto demais nos fez voltar à realidade. - Chegamos, família! - O Enzo anunciou da porta, onde estava ao lado da Marta e segurando sacolas. - Ainda bem que passamos na padaria, Matinha, olha, já tem até café pronto!
Nós abaixamos as cabeças com um sorriso e nos viramos em direção a eles, numa sincronia de pessoas que se conhecem há uma vida. Eles colocaram as sacolas sobre a mesa.
- Como foi a tarde de vocês, rapazes? Vi que o meu portão já está consertado. - A Marta se aproximou e nos cumprimentou ocm beijos no rosto.
- É, graças ao Julio esse portão está consertado e reforçado. Aí eu passei um café enquanto conversávamos... - O Érico tentava sem sucesso parecer que nada estava acontecendo e eu escondi o meu sorriso na xícara de café.
- Conversavam? Sei. E o sorrisinho que o Julio está tentando esconder na xícara é felicidade em me ver, com certeza. - O Enzo me deu uma cotovelada amigável. - Não sabia que você ficava vermelho tão fácil, Julio.
- Não tem sorrisinho nenhum, Enzo. - Mentira, tinha. Mas eu negaria.
- Ah, meus meninos, vocês não enganam ninguém! - A Marta passou por nós e se sentou. - Agora arrumem a mesa e nos sirvam um café. E você, Julio, fica para o jantar, mas vai me ajudar a cozinhar. E não aceito recusa.
- Será um prazer, Marta! - Eu dei um grande sorriso para ela e olhei discretamente para o Érico. - Parece que nós somos muito discretos.
- Nem um pouco e eu não estou nem aí! Nossa tarde foi ótima e ainda temos um jantar. - Ele piscou pra mim e fez o meu coração explodir no meu peito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...