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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 235

"Caridade"

Eu recoloquei aquela máscara no rosto, ela era horrível, mas menos horrível do que a realidade da minha pele repuxada e marcada. Só então eu atravessei o hall silencioso daquele edifício, as rodas da cadeira, que substituíam as minhas pernas, rangiam levemente sobre o piso de granito da recepção, um som que parecia amplificado pelo silêncio hostil que me cercava e pela vergonha a qual eu havia sido submetida.

Todos ali olhavam para mim e eu sabia exatamente o que eles pensavam, eu era o fantasma do passado que voltou para atormentar o José Miguel, eu era como uma "Fênix do inferno", uma "Fênix" deformada, erguida do sofrimento que me transformou nisso. E para ele, eu era apenas o monstro que ele descobriu nas páginas do diário e passou a odiar.

Quando eu cheguei a rua, eu puxei o ar com força para os pulmões. A dor eu levava na alma, aquela exposição cruel, ter sido obrigada a tirar a máscara, o horror nos olhos dele e a impassividade daquela mulher que parecia não ter um fio de empatia por alguém na minha condição. Mas eu sequer poderia culpá-los, não foram eles que me fizeram deixar o conforto e o amor que o Dimas me oferecia. Pelo contrário, fui eu quem vim atormentá-los, tudo por culpa daquela mulher que eu odiava mais que me olhar no espelho.

E o pior é que mesmo a minha condição não os impediu de me insultar, não despertou a menor piedade neles. Eu nunca fui tão humilhada em toda a minha vida e olha que eu já tinha passado por coisas demais. Mas eu tive que ficar lá e ouvir cada insulto, aceitar cada humilhação como se me chicoteassem, como se eu merecesse aquele castigo público.

Eles olharam para o meu rosto destruído, para as cicatrizes que as sucessivas cirurgias mal sucedidas deixaram e não viram a minha dor. Viram apenas o monstro que combinava com a alma descrita naqueles diários. E a Eva... nossa! A noiva, a escolhida... permaneceu ao lado dele, bela e intacta, uma estátua de perfeição que tornava a minha existência ainda mais grotesca. Olhar para ela era a minha maior humilhação. A beleza dela era um golpe direto na minha dignidade, como se ressaltasse ainda mais o que eu tinha me tornado.

A Carmem estava me obrigando a estar aqui, mas a humilhação de ser a Cora era um fardo que eu não sabia se conseguiria carregar. Ser odiada, ser vil, ser fria, debochada, cruel, era tudo pesado demais para carregar agora que eu não passava de um fantasma deformado e inválido. E isso era o que eu era para eles, um fantasma os assombrando e o receptáculo de todo o ódio acumulado por tudo o que estava escrito nos diários.

Uma lágrima teimou em cair e eu não me preocupei em secá-la. Talvez eu tenha sido inocente em pensar que a minha condição abrandaria o coração do José Miguel ou assustaria aquela mulher e ela fosse abandoná-lo tão rápido quanto a Carmem queria. Mas eu me enganei e isso seria mais difícil do que eu pensava.

Eu olhei para a calçada e vi a tia Alzira ao lado do carro adaptado que ela havia contratado para nos levar até a empresa. Ela insistiu em esperar e eu fiquei grata por isso, mas talvez eu fosse precisar ainda mais dela.

- O que aconteceu? - Ela perguntou assim que me aproximei.

- Vamos para a casa, lá eu te conto tudo. - Ela me ajudou a entrar no carro e passou o endereço para o motorista. E quando o carro arrancou, eu a puxei mais para perto e falei baixo. - Preciso que você continue comigo e para quem perguntar, você é uma cuidadora enviada pela clínica. - Eu pedi e ela concordou, dando dois tapinhas na minha mão.

Nós fizemos o restante do percurso em silêncio e quando entramos naquela casa eu senti o peso de tudo o que me aguardava. Eu não queria estar ali, eu queria voltar para o Dimas, eu não suportaria tudo o que eu enfrentaria ali.

- Não tem ninguém na casa. - A tia Alzira voltou para a sala depois de dar uma volta pela casa e verificar tudo.

- Ele me odeia! - Eu falei de repente e a tia Alzira parou no meio da sala, se sentando para me ouvir. - Ele me tratou como se eu fosse um verme, pior que isso. Ele me olhou com horror. Eles me ameaçaram.

- Como te ameaçaram? Ah, Caridade, eu acho que o Dimas estava certo, você não devia ter vindo. - Minha tia reprovou a minha decisão mais uma vez.

- E o que eu ia fazer, tia? Você sabe de tudo, sabe que aquele demônio da Carmem pode me mandar para a cadeia. - Eu respondi aos prantos. - Mas agora ele também ameaça me prender. Olha em que situação eu fiquei!

- Você e o Dimas deveriam ter ido embora há muito tempo, isso sim! - Minha tia insistiu. - Agora pare de chorar, isso não vai resolver nada. O que mais ele falou para você?

Capítulo 235: O peso de ser um fantasma 1

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