"Eva"
Quando as portas do elevador se fecharam eu ainda mantive a fachade de calma e controle que eu havia exibido para a Cora, mas por dentro eu estava uma bagunça de dúvidas e medo. Será que realmente era ela? Mas se não fosse o José Miguel saberia. Ou não? Eu realmente não sabia o que pensar, apenas sabia que eu precisava manter a calma e apoiar o José Miguel. Eu estava com ele, eu prometi e não sairia correndo.
Mas eu também vi o impacto que o rosto deformado dela causou nele. Aquele rosto... era impossível não sentir compaixão. Mas, por outro lado, a arrogância dela também despertava a raiva em mim. Como ela ousava, depois de tudo o que fez, aparecer aqui e achar que poderia cobrar alguma coisa? Ela era o exemplo de que nem todos aprendem com a dor.
Nós fizemos o percurso até a sala dele em absoluto silêncio, como se tentássemos manter a nós dois em equilíbrio depois daquele embate que nos deixou com a dúvida do que estava por vir. Ele fechou a porta da sala, a tensão pesava no ar. Eu respirei devagar, tentando manter a calma, mesmo com medo do que ele poderia me dizer, com medo que o ressurgimento daquela mulher mudasse ou quebrasse algo entre nós.
- Como você está? - Eu parei em frente a ele, com medo do que ele me responderia, mas já nervosa com o nosso silêncio.
- Irritado, com muita raiva mesmo, preocupado. - Ele segurou a minha mão e a levou aos lábios, deixando um beijo carinhoso ali. - Não é todo dia que o passado b**e à porta e com um rosto que eu não reconheço mais.
- Mas você saberia se não fose ela, não saberia? - Eu perguntei aflita.
- Não. Impossível com aquele rosto. O cabelo se parece, está mais comprido, mas não significa nada. A voz está mais baixa, como se tivesse sido modulada num padrão mais contido. Mas aqueles olhos carregados de veneno, de despeito... a arrogância e o deboche... - Ele balançou a cabeça. - A prepotência é a mesma, assim como o hábito de me culpar por tudo. Algumas coisas que ela disse... ela me chamava de "marido" quando discutíamos, com aquele mesmo tom debochado. Ela também dizia que eu tinha me casado com ela e tinha obrigação de continuar casado. Enfim... eu não sei. Eu só tenho certeza de duas coisas, uma é que eu preciso falar com o Dr. Romeu e a mais importante é que sendo a Cora ou não, não muda nada entre você e eu. Você está comigo, não está, amorzinho?
Era tudo o que eu precisava naquele momento, saber que apesar do choque, apesar do desconforto, apesar de tudo, ele continuava comigo.
- Eu estou com você, amorzinho! - Eu sorri e passei os braços em volta do pescoço dele. - Mas vamos tentar tirar essa fulana das nossas vidas o mais rápido possível, seja quem ela for.
- Eu concordo! - Ele deu um beijo no meu pescoço e enterrou o rosto ali. - Mas eu não vou mentir para você, o rosto dela me impressionou. Tão deformado, com todas aquelas cicatrizes, todas as marcas... eu sei que ela se chocou contra aquela árvore e que o rosto ficou uma massa em carne viva, ossos quebrados... como se a casca da árvore tivesse arrancado a pele dela. Eu vi no momento do socorro, tinha muito sangue e... foi horrível, mas ver aquele rosto hoje, me fez pensar por um segundo por quanto sofrimento ela passou até chegar a este ponto.
Eu senti um calafrio com as palavras dele, a imagem do rosto daquela mulher estava gravada no meu cérebro e era triste de ver. Mas eu não podia me abalar com a imagem, eu sabia como ela era e pelo tom da conversa de hoje, ela não tinha mudado, talvez tivesse se tornado até mais ressentida.
- É horrível sim, mas ela continua sendo a pessoa mesquinha que era antes do acidente, você mesmo viu. A tragédia não a fez refletir mudar quem ela é por dentro. Ela é a mesma dos diários, só que agora tem as marcas do que ela mesma causou. A sua piedade não pode te cegar para quem ela realmente é. - Eu tentei consolá-lo.
- Como você conseguiu ficar tão calma diante dela? Diante daquele rosto? Eu realmente tive medo que você saísse correndo. - Ele perguntou e ergueu a cabeça para me olhar.
- Eu fiquei calma porque eu te amo e eu confio no seu amor. Além do mais eu não vou dar a ela o prazer de me intimidar, era isso que ela queria, arrancar a minha compaixão e me colocar pra correr, mas isso ela não vai conseguir. Ela não pode ter controle sobre nós. - Eu segurei o rosto dele entre as mãos. - Por mais difícil que as coisas fiquem, eu estou com você!
- Que bom ouvir isso! - Ele me deu um beijo rápido. - Mas eu não sei se deixar que ela voltasse para aquela casa foi uma boa idéia.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...