"Enzo"
Eu estacionei em frente a casa do enfermeiro confeiteiro. Eu não tinha marcado horário com o Dimas, mas eu ia dar um jeito de falar com ele.
- Me explica de novo, Enzo, porque você tinha tanta pressa de vir semmarcar hora? - A Marta perguntou ao meu lado.
- Para pegá-lo desprevenido, Martinha. Eu tenho quase certeza de que a mulher que foi falar com o José Miguel hoje é a mesma que nós vimos nessa casa, a esposa do Dimas. - Eu expliquei.
Naquela manhã eu tinha me atrasado porque precisei ir até a faculdade, mas assim que eu cheguei o Julio me contou sobre a mulher que tinha ido falar com o José Miguel eu senti que tinha algo errado. Então eu fui direto na central de monitoramento das câmeras e pedi para ver quem era a mulher.
E assim que eu vi, eu me lembrei de alguém que eu tinha conhecido uns dias antes. Não exatamente conhecido, mas tinha visto muito de perto por uns poucos segundos.
- Era uma mulher numa cadeira de rodas, com um rosto cheio de cicatrizes, Martinha. Eu não tenho certeza, poderia ser outra, mas quais são as chances? Duas mulheres nas mesmas condições, uma casada com o antigo enfermeiro do Santè e a outra atrás do José Miguel? Não, tem algo errado. E nós precisamos pegá-lo desprevenido, sem que ele tenha chance de pensar em como nos enganar.
- Mas se é a mesma mulher, Enzo, isso não explica se é a Cora ou não. - A Marta tinha razão nisso.
- Não explica, Martinha, e o José Miguel também não tem certeza, por isso eu te liguei. Nós temos um bom plano para estar aqui e estamos aqui porque o Dimas sabe quem é aquela mulher e porque ela apareceu para assombrar o José Miguel agora. - Eu expliquei. - Preparada?
- Prontíssima! - A Marta sorriu confiante para mim.
- Então vamos direto para a campainha. - Eu sorri e nós saímos do carro indo em direção ao portão.
Para a nossa sorte, assim que nos aproximamos o portão foi aberto e uma mulher sorridente saiu segurando uma caixa, com o Dimas logo atrás dela segurando outra. Quando nos viu, ele ficou desconcertado. Deu um sorriso rígido, pediu um minuto e ajudou amulher a colocar as caixas no carro e só depois que se despediu dela veio até nós.
- Enzo, Marta, nós temos um horário? - Ele parecia realmente em dúvida, mas as olheiras que ele tinha diziam que isso era efeito de uma noite sem dormir.
- Na verdade, querido, nos perdoe a audácia, mas nós estávamos aqui perto e eu insisti com o Enzo que precisávamos falar logo com você! - A Marta deu aquele sorriso cativante e abraçou o Deimas, o desarmando completamente.
- Ah... claro... é... vamos entrar. - Ele convidou, ainda tentando entender a nossa visita.
- Você sabe como são as avós, Dimas, não aceitam um não! - Eu peguei a deixa e o cumprimentei de forma descontraída para quebrar o gelo.
- Sem problema. Entrem! Mas, tem algo errado com a nossa encomenda? - Ele perguntou enquanto caminhávamos até a confeitaria.
- Ah, não querido, nada de errado, pelo contrário. - A Marta sorriu e passou o braço pelo do Dimas. - É que o meu neto anda com umas idéias e eu estou bastante empolgada.
Nós nos sentamos na mesma mesinha da última vez e o Dimas ofereceu bebidas. Eu olhei em volta e havia uma desordem no lugar que não tinha antes.
- Me desculpem a bagunça, mas eu estou um pouco sobrecarregado hoje. - O Dimas se apressou a justificar as caixas desmontadas sobre a mesinha do outro lado, a confusão de fitas e papéis de seda, os copos sujos sobre o balcão e a vitrine praticamente vazia.
- Não se preocupe, você precisa de ajuda? Eu sou ótima com organização e não me importo em te ajudar. - A Marta ofereceu solícita e ele olhou para ela sem jeito.
- Olha... - Ele hesitou por um momento, como se pensasse se deveria ou não aceitar a ajuda. - Você sabe fazer laços? É que é a minha esposa quem faz essas coisas e ela não está me casa hoje. Eu tenho várias encomendos para entregar e...
- Não fala mais nada! Vou te ajudar. - A Marta se prontificou. - Enzo, você cuida da louça suja, eu monto as embalagens e te ajudo e colocar os doces nelas. Tem algo que ainda precise ser terminado?
- Na verdade algumas coisas. - Ele pareceu ficar atordoado enquanto a Marta assumia o controle de tudo. - Nós tivemos um problema ontem e acarretou em muito atraso para o meu trabalho.
- Já ouvi falar disso. É interessante, mas acessar o publico do mercado de luxo é quase impossível e essas pessoas que estão aqui, você realmente as conhece? - Ele comentou depois de ler todo o conteúdo da pasta.
- São todos amigos e familiares. - Eu garanti.
- Olha, Enzo, é muito interessante, mas infelizmente a proposta chegou em um momento ruim. Minha esposa e eu teremos que nos mudar e a encomenda de vocês é a última que eu vou entregar. - Ele explicou.
- Me desculpa a intromissão, Dimas, mas vocês estão com algum problema? Nós podemos ajudar? Porque ninguém fecha um negócio assim e se muda. - A Marta o interrompeu.
- É... é que uma tia da minha esposa ficou doente no interior e nós temos que nos mudar para cuidar dela. Ela não tem mais ninguém. - Ele deu um sorriso sem graça, mas aquela desculpa não convencia ninguém.
- Entendo. E lamento! Mas se você mudar de idéia, nossa proposta está de pé. - A Marta ofereceu. - Mas agora querido, acho que você precisa descansar. E se precisar de ajuda enquanto a sua esposa está fora, me liga. Enzo, vamos indo, meu neto, vamos deixar o Dimas descansar.
Eu não entendi porque a marta estava nos tirando dali, nós ainda não tínhamos nada, mas ela se levantou e não me deixou nem argumentar.
- Obrigado, Marta, é muita gentileza. - O Dimas a abraçou e depoisnos acompanhou até o portão, agradecendo algumas vezes mais pela ajuda.
- Martinha, não entendi você! - Eu falei assim que entramos no carro.
- Ai, Enzo, você é esperto, mas ainda precisa aprender uns truques de cachorro velho. - A Marta riu e eu liguei o carro. Assim que saímos da rua do Dimas a marta começou a falar. - Nós ganhamos a confiança do Dimas hoje e ele estava tão atrapalhado e atrasado que nem prestou atenção ao que estávamos fazendo. Eu entrei na casa, para ajudá-lo com os preparos. Você quer ter a certeza de que a mulher que está atrás do José Miguel é a mulher do Dimas, então eu consegui tirar uma foto de um porta retrato dentro da casa e vi um recibo médico sobre a cômoda, que eu também fotografei. O nome dela é Caridade. Nós já temos como começar a investigar e com um pouco mais de informação pressionar o Dimas. Entendeu?
- Martinha "Mata Hari"! - Eu brinquei e ela riu. - Você é demais, Marta! Com isso nós temos um começo, mas eu posso apostar que é a mesma mulher. Agora é ter certeza e arrancar a verdade do nosso confeiteiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...