"José Miguel"
O dia tinha sido insano! A Cora ressurgindo dos mortos me abalou mais do que eu gostaria de admitir. A Cora... eu nem sabia se aquela mulher realmente era a Cora ou se era uma impostora mandada pela Carmem. Mas uma coisa eu sabia, ela sairia da minha vida do mesmo jeito que entrou: sem ser convidada, sendo expulsa por uma porta que eu nunca mais voltaria a abrir, deixando para trás apenas o rastro de cinzas de uma história que eu já tinha enterrado.
- Me explica, Rossi, como aquela mulher pode estar viva? Eu passei o dia inteiro pensando e não compreendo! - O Matheus irrompeu pela minha sala.
- Pensei que você viria antes. - Eu me recostei na cadeira e o encarei.
- Eu queria ter vindo, mas eu tive que trabalhar, às vezes eu preciso estar lá na Bittencourt. - Ele se jogou na cadeira em minha frente emburrado. - Aliás, você precisa ir até lá, tem coisas que precisam de você. Eu sei que a sua vida está uma loucura, mas infelizmente eu preciso que você apareça de vez em quando.
- Eu sei, essa semana ainda eu vou até lá. - Eu concordei.
- Agora me explica, que loucura foi essa? Nós a enterramos, não foi? - Ele parecia tão espantado quanto eu.
- Foi o que eu pensei, mas você estava lá, o rosto estava enfaixado e nós não podemos ter certeza se realmente a enterramos. E eu não consigo te dizer se é ela ou não. Eu só sei que a mulher que apareceu hoje tem aquele jeito insuportável da Cora, como se o mundo a devesse algo. - Eu esfreguei o rosto com as mãos.
- E você já pediu um DNA? - O Matheus perguntou ansioso como sempre.
- O Dr. Romeu já está providenciando um exame datiloscópico, um DNA a Carmem poderia tentar manipular. - Eu expliquei e ele me observou com os ombros caídos, quase como se desanimado.
- Isso vai levar tempo. - Ele lamentava tanto quanto eu. - E como está a Eva com tudo isso?
- Agarrada no meu amorzinho, Cachorrão! - A Eva estava entrando com várias pastas nos braços e eu me apressei para ajudá-la.
- Menos mal, porque a Peste está surtando. - O Matheus respondeu enquanto a abraçava.
Assim que eu deixei as pastas sobre a mesa, o meu celular tocou e eu não reconheci o número, atendi formalmente e a voz feminina que me respondeu parecia desesperada.
- Sr. Rossi, o senhor precisa vir rápido. A sua esposa está tendo uma crise nervosa. Eu tentei acalmá-la o dia todo, mas agora tudo saiu de controle e eu não consigo mais. Ela está gritando, aos prantos, chamando por você, quebrando coisas. Eu não consigo acalmá-la, ela está hiperventilando, ela está em colapso e se algo acontecer com ela será sua culpa. - A voz dalava de forma acelerada, quase sem parar, alterada e ríspida. Ao fundo eu ouvia gritos e objetos se quebrando.
- Quem está falando? - Eu perguntei com a mesma rispidez que fui bombardeado, embora eu já soubesse quem estava fazendo o escândalo que eu ouvia. Eu estava cada vez mais certo de que aquela mulher deformada era realmente a Cora.
- Alzira. Eu sou a cuidadora que a clínica enviou para a sua esposa. Venha logo, ela vai acabar se ferindo e a culpa será sua! - A mulher gritou e desligou o telefone.
- O que foi? - O Matheus perguntou imediatamente. Ele e a Eva estavam olhando para mim.
- Uma cuidadora. Se lembra dos escândalos que a Cora fazia? Com quebradeira e gritaria? - Eu perguntei e o Matheus fez que sim. - Pois eu voltei ao inferno. - Eu declarei irritado. - Preciso ir até lá. Até a cuidadora já sabe me culpar pelas coisas que a Cora faz e disse que ela pode se ferir por minha culpa.
- Você não tem que ir! Ela que morra e dessa vez não levante mais do túmulo. - O Matheus até tinha razão, eu não tinha que ir, mas eu não podia simplesmente ignorar.
- Eu preciso ir, Matheus. Se é a Cora, eu ainda estou preso a ela... - Eu me arrependi no momento em que eu disse, porque eu vi o rosto da Eva, o que eu disse a atingiu, mas ela se recuperou rapidamente, escondendo o que sentiu de mim. - Além do mais, aquela casa está no meu nome, se os vizinhos chamarem a polícia eu posso ter problemas.
- Eu vou com você! - O Matheus e a Eva declararam ao mesmo tempo.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...