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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 249

"José Miguel"

Já tinha se passado quase um mês desde que as mentiras da Carmem foram descobertas e desde então eram apenas dias de paz. Eu chegava em casa todos os dias com a Eva e tinha uma noite calma, com risos e planos para o futuro. Nós ainda não tínhamos decidido como decoraríamos o quarto do bebê, mas todas as noites nós falávamos sobre o assunto e estávamos inclinados a descobrir primeiro se seria um menino ou uma menina.

Eu estava vivendo algo que eu jamais imaginei que poderia e às vezes eu ainda me perguntava se eu merecia tudo aquilo. Graças ao Nelson, que eu ainda estava vendo toda semana, eu entendi que a felicidade era um presente e merecê-la significava apenas abraçá-la e aceitá-la, então era o que eu estava fazendo, apenas abraçando e aceitando, dando o melhor de mim todos os dias para continuar vivendo o melhor dos mundos.

- Amorzinhooo... cheguei! - A voz da minha noiva me tirou dos meus pensamentos.

A Eva entrou sorridente em minha sala, a barriga dela já era perceptível e a maternidade combinava com a ela, a deixava mais iluminada. Ela atravessou a sala e se sentou no meu colo.

- Senti sua falta! - Eu dei um beijo nela e a aninhei no meu colo. - Como está a Caridade?

- Pronta para a primeira cirurgia na semana que vem e muito nervosa. Mas ela está feliz e muito grata. - Ela deu um grande sorriso. - Ela ainda está preocupada com o processo do incêndio.

- É, o Dr. Romeu me disse que apresentou as alegações, mas que vai demorar um pouco para sair uma decisão. Mas ele está confiante. - Eu comentei.

- Se ele está confiante é porque vai dar certo. - Ela sorriu. - Fui visitar a Mel. Ela ainda está indignada que perdeu "os últimos capítulos da derrocada da Carmem", como ela disse. Ela também te mandou um abraço e reclamou que você não foi mais vê-la.

- Eu estive com ela quando a Caridade ainda estava se passando por Cora. Eu estava tão preocupado com o que podia acontecer... e ela percebeu. Ela sabe ler as pessoas. Mas depois disso, eu só fui vê-la aquele dia em que fomos juntos, no dia da sua consulta.

- Manda flores para ela. E semana que vem nós podemos ir visitá-la juntos outra vez. - A Eva sugeriu.

- Sua próxima consulta. - Eu me lembrei e ela fez que sim. - Será que dessa vez nós vamos descobrir? Estou preocupado que o nosso bebê chegue e não tenha um quarto.

- Ele tem um quarto, apenas não está mobiliado. - Ela riu.

- Ah, nós já tivemos algumas idéias e se juntarmos algo que eu gosto com algo que você goste?

- É, pode dar certo. Falamos disso em casa mais tarde. Agora eu tenho que voltar ao trabalho, meu chefe é muito mau humorado. - Ela brincou e enquanto me dava um beijo alguém bateu na porta.

- Mas sempre aparece um chato! - Eu falei.

- Eu ouvi isso, Rossi! - O Matheus gritou do outro lado da porta e eu tinha certeza de que ele não tinha escutado nada.

- Chato! - Eu respondi alto e ele abriu a porta rindo.

- Não adianta disfarçar, vocês me amam! - Ele era um convencido que sabia a verdade. Ele se sentou em minha frente e o sorriso se foi.

- Ah, não! O que foi agora? Quando você se senta e para de sorrir é péssimo sinal. - Eu reclamei e ele suspirou.

- Temos um problema. - Ele falou, parecia disposto a dar a notícia em pílulas homeopáticas.

- E o que seria esse problema? - Eu o encarei.

- A invocação do mal pareceu. - Ele contou e um arrepio percorreu a minha espinha.

Depois de quase um mês sem notícias da Carmem, já confiante de que tinha me livrado dela, ela resolve dar as caras, mas ela não ia atrapalhar a minha vida de novo.

- Ela estava na casa. Sua antiga casa. - Ele explicou.

- Ah, pronto, ela está causando problema com os novos donos. Diga que podem chamar a polícia, eu não me importo. - Eu respondi.

- Na verdade, a coisa foi um pouquinho mais séria.

- Ah, Matheus, chega! Conta logo tudo, não fica soltando informação aos poucos. - Eu reclamei e ele respirou fundo.

- Onde ela está? - Eu perguntei, ainda assimilando tudo.

- O Nelson a levou para um hospital onde um amigo dele é o diretor. Como o Nelson atende você, ele não pode atender a Carmem, então ele passou o caso para o amigo dele. Eu acompanhei e ela está em um ótimo lugar. Ela será observada e tratada nas próximas semanas e, se não apresentar melhora, se não for uma dissociação temporária da realidade, ela será transferida para um serviço residencial terapêutico, o amigo do Nelson vai cuidar disso se for preciso e nós vamos apenas pagar a conta, porque eu sei que você não a deixaria jogada na rua se a condição dela não for temporária. - Ele explicou e eu percebi que ele já tinha pensado em tudo.

- A Carmem está com transtorno mental?! - Eu me recostei, chocado com a situação daquela mulher. - Ela fez tanto mal, é como se tudo se virasse contra ela.

- De certa forma parece que foi isso mesmo. - O Matheus concordou. - O Nelson e o amigo dele acham que a situação dela não é temporária, por causa do que eu contei. Eles disseram que a obsessão dela pelo seu pai, transferida para você, foi o maior sinal de que a saúde mental dela estava se deteriorando. Somado a isso a perda de limites, acreditar que tinha um vínculo especial com vocês dois, sem capacidade de entender o não, as coisas que ela fez para chegar a vocês e manter você ao lado dela, a falta de empatia, de controle, a perda da filha, tudo foram sinais de que ela não estava bem, mas ela se segurou por anos, através das regras sociais do meio onde ela estava inserida.

- E quando ela perdeu tudo, os amigos que ela adorava, as pessoas que ela controlava, a casa... - Eu respirei fundo e fechei os olhos.

- Não se atreva a pensar que é culpa sua, Rossi! - A Eva respondeu do outro lado da mesa. - O problema sempre esteve lá, você não tem culpa! Se não fosse você, o obsessão dela seria outra.

- Rossi, o Nelson vai conversar melhor com você, mas eles entendem que o melhor para ela é não te ver mais. Não ver nenhum de nós. Ela será bem cuidada e nós vamos pagar as despesas para isso. É tudo o que você pode fazer e ela nem merecia isso. - O Matheus concluiu.

- Não fala assim, Matheus! Vai ser melhor pagar o mal que ela fez com o bem, mesmo que o único bem seja mantê-la num lugar digno e com tratamento humanizado. - Eu respondi. - Crie um fundo para isso...

- Já fiz, quando você passar na Bittencourt eu te mostro tudo. Você está bem com isso?

- Como a Eva disse, não foi culpa minha e você já está cuidando das coisas como eu faria. Estou bem. - Eu confirmei.

- Então eu vou indo, vou buscar minha Peste no trabalho. - Assim como chegou o Matheus saiu e a Eva se aproximou de mim outra vez.

- O que você acha de me levar pra casa e passarmos um tempo naquela banheira enorme que temos no nosso banheiro? - A Eva conseguiu arrancar de mim um sorriso e ao mesmo tempo evaporar a Carmem da minha cabeça.

- Vou desligar o computador!

Cinco minutos depois já estávamos aos beijos no estacionamento, ansiosos para chegar em casa.

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