“José Miguel”
Nós chegamos ao hospital e encontramos a Candinha na sala de espera. Ela se levantou e veio em minha direção, ela me olhou com visível preocupação e me deu um abraço.
- Candinha, o que aconteceu? – Euperguntei apreensivo.
- Eu encontrei a Carmem caída na sala, com todos aqueles frascos de remédio ao redor dela, alguns frascos vazios, comprimidos no chão. Mais ou menos a mesma cena de quatro anos atrás. – A Candinha me olhou.
-Ela fez de novo! Ela tentou sze matar outra vez! Ela disse que faria. – Eu lamentei e me sentei.
Eu me lembrei da cena que eu encontrei quatro anos antes, a Carmem caída no quarto, cercada por frascos de comprimidos e uma carta para mim ao seu lado. Na carta ela explicava porque queria morrer e, de acordo com ela, ela não aguentava viver com a desonra da minha promessa para a Cora sendo desfeita e mais um desfile de argumentos desse tipo.
Tudo porque eu havia dito a e, na véspera, que eu compraria um apartamento para que ela se mudasse, porque morarmos sob o mesmo teto não fazia bem para nenhum de nós dois. Eu garanti que continuaria dando a ela o meu apoio, emocional e financeiro, mas morar na mesma casa estava mais nos mantendo em um luto permanente do que nos ajudando a superar as perdas que tivemos.
- Se eu não soubesse que você vai se sentir culpado por isso, eu estaria torcendo para essa cobra morrer logo e te deixar em paz. – A Candinha bufou, ela estava irritada com a Carmem, mas eu só conseguia pensar que estava acontecendo tudo de novo.
- Candinha, você está torcendo pra ela morrer, a trouxe para um dos piores hospitais da cidade! – O Matheus riu e abraçou a Candinha. – Por que você não levou a megera pro Santè?
- Porque o médico da infeliz trabalha aqui e ela não aceita ser examida por outro e, como eu tenho certeza que eles vão fazer uma lavagem estomacal nela e ela vai ficar boazinha logo, eu só quis evitar os gritos e as reclamações. Ou uma parte deles.
Enquanto a Candinha e o Matheus conversavam a minha cabeça dava voltas em torno das coisas que a Carmem havia me dito nos últimos dias. E dava voltas em torno da carta de quatro anos antes, que deixava muito claro de quem era a culpa pelo gesto desesperado dela, estava claro na última parte daquela carta que ficou bem gravada em minha mente. A parte que dizia: “Parabéns! Você tem mais uma morte em suas mãos. Você matou os seus filhos, a sua esposa qu te amava e agora conseguiu me matar. Você matou a mim, a única pessoa que compreendia você!”.
Eu me curvei apoiando o rosto entre as minhas mãos, com os cotovelos descansando em meus joelhos. Ela tinha feito de novo!
- Candinha, me dê a carta! – Eu pedi, porque tinha certeza que havia uma nova carta.
- Que carta? - A Candinha me olhou tentando disfarçar sua apreensão.
- Você sabe muito bem. A carta que com certeza você encontrou ao lado da Carmem. – Eu exigi.
- Não, não encontrei carta nenhuma. – Ela tentou se fazer de boba, mas a Candinha estava na minha vida há tempo demais, eu conhecia o seu jeito de fazer as coisas, então eu apenas estendi a mão com a palma aberta para cima e esperei. Ela bufou. – Certo, tem uma carta, mas eu não vejo motivo para você ler. Essa megera vai estar bem em três dias, vai voltar para a sua casa e continuar destilando o veneno dela em você, esse veneno que te paralisa completamente, que é pior do que o veneno que mata de uma vez. Eu não vou te entregar a carta porque você não precisa ler os impropérios que ela escreveu só para te torturar mais um pouco. Pronto, falei!
- Candinha, a carta! – Eu exigi mais uma vez.
- José Miguel, a Candinha tem razão! – O Matheus abriu a boca, mas eu queria ver a carta.
- Ela tem razão, mas a carta é pra mim. Candinha, a carta! – Eu falei mais uma vez.
A Candinha bufou, abriu a bolsa e me entregou o papel dobrado muito a contragosto. Eu desdobrei o papel e comecei a ler:
“José Miguel,


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