"José Miguel"
A Eva estava me olhando como se eu fosse um completo estranho e eu não sabia como tudo aquilo parecia para ela. Mas eu tinha que contar tudo e torcer para que ela decidisse ficar comigo, para que ela gostasse de mim o suficiente para decidir encarar todo o peso do meu passado e o que ele ainda fazia comigo.
- Tem alguma coisa além de esposa, filhos e uma empresa multimilionária que você também esconda? - Ela perguntou num fio de voz.
- Não, a sogra com potencial de um ataque nuclear e o amigo que não consegue sair da quinta série você já conhece. - Eu sorri para ela, tentando tornar o momento menos tenso. - Eva, é muito difícil lidar com pessoas que só se aproximam por dinheiro e eu era jovem demais quando abri a empresa com o Matheus, ela deu muito certo e eu só queria ter uma vida comum.
- Tá, tudo bem. Vamos voltar ao que realmente me interessa. A Cora estava grávida e você se casou, mas se isso foi há sete anos, então você teve mais filhos além dos gêmeos? - Ela perguntou voltando a razão de estarmos ali, para começar.
- Nao. A Cora estava grávida, mas sofreu um aberto espontâneo no quarto mês. Foi difícil, doloroso, ela se tornou ainda mais possessiva, ainda mais difícil, e foi quando ela exigiu que a Carmem morasse com a gente e exigiu que eu comprasse a casa onde eu moro hoje.
- Exigiu? - Ela juntou as sobrancelhas.
- Sim, a Cora sabia que eu tinha um bom cargo na empresa do Matheus, ela não sabia que eu era sócio, mas sabia que eu tinha condições de comprar a casa que ela queria. Ela a decorou e levou a mãe para morar conosco. Eu já estava casado, eu queria fazer aquele casamento dar certo, eu queria ter uma família de novo, por isso eu tentava deixá-la feliz, mas eu comecei a pensar que era impossível fazê-la feliz. E depois que a Carmem foi morar conosco foi ainda mais difícil.
- Ela se metia? Claro que ela se metia! - A Eva revirou os olhos, parecia já ter uma boa idéia da personalidade da Carmem.
- Ela sempre se mete! Eu tentei de tudo para acalmar a Cora, até fazia o que eu não gostava, como ir a todas aquelas festas e boates. Ela gostava de ter uma vida social agitada, saía todos os dias, e eu não estava interessado nisso, mas eu saía com ela, fazia a minha parte, até que ficou muito desagradável, porque sempre que saímos terminava em escândalos, gritaria e confusão. Aí ela começou a ir para as festas e boates sozinha e quando saíamos juntos era para coisas que tivesse a mínima possibilidade de problema, como um restaurante ou coisa assim, mas ela sempre fazia um escândalo, sempre achava que alguma mulher estava olhando pra mim.
- Deve ter sido difícil. - Ela pareceu se solidarizar comigo.
- Foi um inferno! Mas depois de um tempo ela engravidou de novo, dos gêmeos. Eu pensei que as coisas iriam se acalmar.
- E não se acalmaram?
- Ela foi socorrida para o Santé, por algum milagre ela estava consciente. Eles fizeram um parto de emergência, mas o gêmeos não sobreviveram. E a Cora também não sobreviveu. Mas antes de morrer ela chamou a mãe e depois me chamou. E ela me culpou pelo acidente e me fez prometer que me manteria fiel ao nosso casamento, que eu jamais teria outra mulher. Eu estava completamente desolado, jurando a ela que nunca a tinha traído, porque era essa verdade, então ela exigiu o meu juramento como prova da minha fidelidade e do meu arrependimento por ter matado a ela e aos nossos filhos naquele acidente.
- Mas foi ela quem puxou o volante! - A Eva protestou no meu peito.
- Mas eu estava dirigindo. O acidente foi horrível. Perder os meus filhos me causou uma dor excruciante. Eu me senti como um morto vivo. A Carmem já tinha enchido a minha cabeça de reclamações do lado de fora e a Cora ainda fez muitas acusações enquanto agonizava. Eu estava dilacerado e não me importava com nada, então eu prometi, eu queria que ela tivesse paz e eu precisava do perdão.
- Você prometeu ser fiel a uma morta? - A Eva se afastou do meu peito e me olhou chocada.
- E eu fui fiel a ela por todos esses anos, eu só quebrei a minha promessa quando você entrou na minha vida. - Eu contei e ela me olhou como se eu fosse louco.
- Você está me dizendo que passou cinco anos fiel a uma mulher morta? - Ela insistiu e eu fiz que sim. - Eu nunca vi, nem ouvi, um absurdo desse tamanho!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...