"Eva"
Ele estava olhando diretamente nos meus olhos como se me garantisse que o que ele dizia era verdade, como se quisesse gravar no fundo da minha mente que ele me queria mesmo. E o olhar dele era magnético, era quase impossível quebrar aquele contato visual que me tornava totalmente vulnerável a ele, mas eu precisava saber de toda a história dele. Eu fechei os olhos e tentei focar no que importava naquele momento e não na vontade que eu sentia de beijá-lo.
- Você disse que nunca teve a intenção de se envolver com ela, mas você se casou com ela. Eu vi a certidão de casamento, vi a foto! - Eu atirei para ele e ele respirou fundo.
- O que mais você viu?
- Um ultrassom. Aquela mulher disse que você é pai de gêmeos, que seus filhos têm cinco anos e...
- Meus filhos morreram naquele maldito acidente. - A voz dele saiu quebrada e eu vi as lágrimas cintilarem nos olhos dele.
- Ela disse que você provocou o acidente que deixou sua esposa paraplégica. - Eu contei e vi os seus ombros caírem e a sua expressão de lamento.
- Eu sabia que a Carmem ia fazer um escândalo quando descobrisse você, mas eu não pensei que ela mentiria tanto, que ela chegaria tão longe. - Ele balbuciou. - As coisas não são como ela te contou. Eu preciso que você me escute. - Ele pediu, quase suplicando.
- Eu estou aqui, estou te ouvindo. Eu quero acreditar que a conversa que você queria ter comigo era sobre tudo isso. Eu quero que tudo o que aquela maldita cobra de aplique disse seja mentira, eu quero que você possa ser meu, mas eu não entendo porque você me escondeu o seu passado, porque você tem aquele apart que agora tem um monte de coisas suas lá, mas antes não tinha nada. Mas se o que ela me disse é mentira, por que você me manteve em segredo?
- Era sobre tudo isso que eu queria conversar com você sim. Eu não te mantive em segredo! - Ele se aproximou e passou a mão pelo meu rosto. - Eu só não queria que o meu passado te afastasse de mim, eu queria te proteger das coisas desgradáveis que a Carmem fala, eu queria que você não se decepcionasse comigo. Mas é exatamente o que está acontecendo e eu não sei se depois disso você ainda vai querer ficar, eu não sei se você vai suportar todo esse peso que vem junto comigo.
- Me faça querer ficar! Me conta tudo e me deixa decidir se eu aguento ou não. No final a decisão é minha, não é?
- Sim, a decisão é sua. Eu odeio ter feito você chorar. - Ele suspirou, passou os polegares pelo meu rosto.
- Me conta a verdade e não me faça chorar de novo. Você disse que não queria se envolver com a Cora, mas se casou com ela. - Eu apontei e ele se recostou na cadeira.
- Sim, eu me casei com ela. Depois de levar a Cora pra cama algumas vezes, eu percebi como o meu comportamento era errado e destrutivo. E aí eu fiz a tatuagem do lobo, para me lembrar quem eu era e não voltar a cometer erros. Eu parei de beber tanto, não saía mais todas as noites e, quando a Cora me procurou no escritório, eu me desculpei e coloquei um ponto final naquilo. A Cora chorou, fez uma cena, disse que me amava, mas eu não sentia nada por ela e fui sincero, tentei ser o mais delicado possível, mas ela ficou magoada. Pouco depois o Matheus a demitiu, porque ela era uma péssima funcionária e ele não a suportava.
- Mas vocês voltaram a se encontrar. Como? - Eu queria saber os detalhes, cada um.
- Sim, cerca de um mês depois ela me procurou na empresa do Matheus, eu já tinha voltado para a Lince, mas o Matheus me ligou e eu fui até lá. A Cora estava grávida, de um filho meu. Isso foi muito profundo em mim. Eu já não tinha ninguém, era como se eu sequer tivesse propósito na vida, eu não encontrava motivação para fazer nada, estava vivendo no piloto automático. Mas a idéia de ser pai me deu um propósito e eu fiz o que meu pai me ensinou, assumi a responsabilidade e me casei com a Cora. Foram três meses entre conhecê-la e nos casarmos, foi uma loucura, mas eu senti que eu precisava fazer isso pelo meu filho. Eu me agarrei aquele filho como se ele fosse a minha salvação.
- Você tinha certeza de que o filho era seu?
- Engraçado, o Matheus me fez a mesma pergunta. - Ele balançou a cabeça com um pequeno sorriso que não chegava aos olhos. - Ele não suportava a Cora e ele odiou a Carmem assim que a viu. Mas eu não tinha porque duvidar. Eu simplesmente abracei o que estava sendo colocado na minha frente. Eu aceitei o que a vida estava me dando, porque eu sentia que ela já tinha me tirado tudo.

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