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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 89

"José Miguel"

A Eva me olhava como se eu fosse completamente louco. Eu conhecia esse olhar, foi o mesmo olhar que o Matheus me deu quando eu contei a ele. Mas acontece que eu não era louco, eu era só um homem atormentado pela culpa, uma grande culpa. Eu a olhei por um momento, eu nunca tinha tentado explicar isso para ninguém, mas eu tentaria explicar para ela, eu queria que ela me conhecesse por dentro.

- Você já sentiu culpa, Eva? Uma culpa avassaladora, que te consome, que te paralisa, que te deixa irracional e você só consegue enxergar que é culpado por algo monumental que não tem conserto? Uma culpa que te impede de seguir em frente? Que te impede de racionalizar as situações e até de perceber o que está diante de você? Que te faz sentir que você espalha o mal e faz você se isolar das pessoas para não causar mais dano, te torna excessivamente perfeccionista, te envergonha? Você já sentiu isso?

- Assim, dessa forma, nunca! - Ela balançou a cabeça.

- Eu sinto isso há cinco anos! Eu tenho pesadelos horríveis, vívidos, com o acidente, como se aquela noite se repetisse num loop infinito na minha cabeça. Eu quase não durmo e quando durmo tenho pesadelos. Eles só não vieram nas noites que passei com você, foram as noites em que eu dormi o melhor sono.

- Você teve um pesadêlo hoje, mas você chamava o meu nome. - Ela falou com a voz suave.

- É a segunda vez que eu tenho esse pesadelo. A Cora ensanguentada de um lado te dizendo que eu sou casado e me puxando. E você do outro lado chorando dizendo que eu menti pra você e você se afasta até desaparecer. É mais assustador que o pesadelo do acidente! Talvez ele tenha vindo hoje porque eu estou assustado, nervoso, morrendo de medo de te perder.

- Você precisa de ajuda profissional para lidar com isso! - Ela sugeriu e passava a mão pelo meu rosto, secando as lágrimas que eu nem tinha me dado conta que derramava.

- Eu conheci um psiquiatra. O Nelson. Ele está me ajudando. Eu simplesmente não sabia o que fazer, porque você entrou na minha vida assim, como um furacão jogando tudo para o alto. E quando eu te dizia que não podia ficar com você, eu estava numa batalha interna, porque eu não podia te perder, mas eu estava sendo devastado pela culpa de quebrar a minha promessa. E aí a Carmem...

- Ela exige que você cumpra a sua promessa.

- Sim. Porque além de prometer ser fiel a Cora por toda a vida, eu também prometi manter a Carmem ao meu lado, cuidar dela e deixá-la continuar morando na casa. Talvez ela tenha medo de perder o meu apoio ou talvez ela só esteja vivendo na dor dela pela perda da filha e se iluda com a situação como está, como se isso mantivesse a Cora viva para ela. Só que viver com a Carmem é um inferno!

- Ah, não... - A Eva saiu do meu colo e ficou de pé a certa distância com as mãos na cintura. - Daquela cobra de aplique eu quero distância, Rossi! Não sou obrigada!

- Eu sei, estou trabalhando nisso. Eu contratei uma dama de companhia pra ela e estou me mudando para o apart. Eu vou cuidar para que ela tenha o que precisa, mas, depois do que ela fez hoje, eu vou colocar distância entre nós. Ela não tem o direito de se meter assim na minha vida, isso foi longe demais. O Enzo tem razão, eu posso cuidar dela a distância. Mesmo que ela ameace com outra tentativa de suicídio, dessa vez eu não vou ceder, talvez ela precise de ajuda profissional e se ela cometer a loucura de ameaçar se matar de novo eu vou interná-la.

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