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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 90

"Matheus"

O José Miguel me pediu os documentos que estavam no meu cofre, um dossiê completo sobre o casamento com a Cora, o acidente, as mortes, um arquivo de dor que ele manteve arquivado na sala dele na Bittencourt por muito tempo e ao qual ele recorreu com muita frequência no passado. Até o dia em que eu achei que era uma auto flagelação sem sentido e tomei dele aquele arquivo, guardando no meu cofre, para que ele parasse com aquilo.

A|ntes de tirar aquela pasta dele, muitas vezes eu o encontrei depois do trabalho ali naquela sala tendo aquela imagem de ultrassom e as fotos do acidente espalhadas sobre a mesa e o relatório final da perícia diante dos olhos, como se procurasse ali algo que nunca encontraria, como se quisesse que aquele relatório o acusasse pelas mortes daquela mulher e dos filhos. Era doloroso ver a culpa que ele segurava e não havia nada que o fizesse ver a verdade. Mas também, com a invocação do mal dia e noite martelando na cabeça dele que ele era o culpado por toda aquela tragédia, até dava para entender porque ele havia se convencido disso.

Eu ainda acreditava que ele deixaria aquele luto perpétuo e voltaria a ser feliz, ele precisava e merecia, e quando a Eva entrou na vida dele eu sabia que as coisas mudariam. Ela era o que ele precisava para sair daquele ponto de dor.

E, por isso, quando ele me ligou dizendo que a Carmem tinha contado tudo para a Eva e dizendo que precisava dos documentos, eu nem pestanejei, não importava que eu tivesse deixado um cliente importante no meio de uma reunião, isso eu resolveria depois, o que não podia esperara era a chance do meu amigo ser feliz de novo.

Eu peguei o arquivo e me dei conta de que o José Miguel, nervoso como estava, havia esquecido de me dizer para onde eu deveria ir, então eu mandei uma mensagem e a sua resposta chegou quando alcancei o meu carro, me fazendo sorrir ao ler que eu deveria ir para a casa da Gabriele. Eu estava sempre pronto para ajudar o José Miguel, ele era muito mais que um amigo, mas ultimamente ajudar o meu amigo acabava me ajudando também, afinal a Eva era a melhor amiga da peste da Gabriele, isso era como o universo conspirando a meu favor. Eu estava rindo quando saí do estacionamento da Bittencourt.

E quando eu cheguei ao prédio da Gabriele eu percebi que teria que agir, mesmo que isso deixasse a peste furiosa, o que eu até achava bonitinho. É claro que a minha peste estava criando caso com o José Miguel, ela queria proteger a amiga, mas ela nem sabia da história, então era melhor tirá-la do caminho deles.

- Me solta, Carrapato! - Ele gritou e balançou os pés.

- Quieta, Peste! - Eu dei um ta-pa na bunda dela.

- Seu atrevido! - Ela protestou e eu dei outro ta-pa. - Carrapato! - Ela reclamou parecendo chocada e eu ri, antes de colocá-la no meu carro.

- Fica quietinha e eu te conto tudo o que está acontecendo. Mas se continuar reclamando eu vou te levar para a minha casa e calar essa boquinha linda com meus beijos. - Eu ameacei.

Ela bufou e cruzou os braços como uma crianaça zangada. Eu ri, tirei o paletó do Rossi das mãos dela e joguei no banco de trás, passei o cinto de segurança sobre ela, o prendendo no lugar.

- Sai pra lá, Carrapato, se você está pensando... - Ela tentou protestar, mas eu encostei o meu nariz no dela.

- Ah, Peste, se você soubesse o quanto a minha imaginação é sexy, ia querer descobrir tudo o que eu estou pensando. - Eu passei só a ponta da língua sobre os lábios dela e ela ofegou. Eu me afastei e sorri, aquela peste atrevida podia negar o quanto quisesse, mas estava louquinha por mim!

Eu fechei a porta e dei a volta no carro para me sentar ao lado dela. Ela estava irritada e olhando pela janela, mas o silêncio não durou muito.

- O que está acontecendo, Carrapato? O que o seu amigo aprontou? E que história é essa que o Rossi é viúvo?

- Longa história, Peste, quando chegarmos eu te conto tudo com calma. - Eu avisei e vi o seu olhar confuso.

- Quando chegarmos onde? - Ela perguntou e eu olhei pra ela com um sorriso.

- Seja bem vinda! - Eu declarei eu declarei depois que ela entrou no hall conjugado a minha sala de estar. Ela entrou devagar, observando cada detalhe.

- Não se parece muito com você. É lindo e confortável! - Ela comentou caminhando até as grandes portas de vidro na sala.

- Está dizendo que eu não sou lindo? - Eu perguntei e ela me encarou para que eu a visse revirar os olhos.

- Eu esperava algo mais masculino, exalando testosterona, não uma sala enorme com grandes sofás confortáveis em tom creme. Tem até plantas aqui! - Ela falou como se estivesse muito surpresa e eu ri.

- Entao eu sou lindo! - Eu falei e ela revirou os olhos outra vez antes de se virar e continuar até as portas de vidro.

Eu a observei olhando pelas portas de vidro que estavam fechadas, de costas para mim, era tão confortável tê-la aqui, um lugar que eu mantinha protegido e para onde eu só convidava pessoas que realmente importavam para mim, o que se resumia a minha mãe, o Rossi e a Candinha.

De repente eu me senti estranho, como se eu estivesse me despindo para ela, não apenas me despindo da minha roupa, mas da superfície que eu mantinha para as outras pessoas, aquela superfície que nunca antes ninguém tinha arranhado e agora parecia desmoronar diante dela. Eu limpei a garganta, encontrando a minha voz.

- Eu disse que a minha casa é um santuário. Fique à vontade, eu já volto.

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