"Gabriele"
Eu estava preocupada com a Eva, queria saber o que tinha acontecido, mas o Matheus conseguia me deixar sem palavras muito facilmente. Ele era um atrevido, convencido, cheio de piadinhas, o que eu até achava fofo e um gostoso, gostoso demais para o meu juízo. Mas ele era um erro, eu precisava continuar focando nisso, ele era um erro, porque ele me usaria e jogaria fora e eu já tinha passado por isso uma vez e não era legal. E aí estava o problema, ele era um erro que beijava bem demais!
Eu estava chocada com a casa dele e o quanto eu me sentia bem ali, como era confortável para mim. Era o tipo de lugar onde eu poderia viver, quase como se tivesse sido decorado de acordo com o meu gosto. Eu dei uma risada nervosa com esse pensamento, só me faltava eu começar a fantasiar isso.
- Nao, Gabi, é o Carrapato e o Carrapato pega, mas não se apega! - Eu murmurei para me lembrar daquele detalhe importante. Eu não estava disposta a ter o meu coração partido outra vez.
Quando ele voltou para a sala eu estava sentada naquele enorme sofá, me controlando para não tirar os sapatos e colocar os pés para cima. Ele havia tirado o paletó e a gravata, ainda assim os seus ombros eram muito largos e os braços fortes. Ele tinha aberto alguns botões na camisa branca e dobrado as mangas, revelando a pele clara e lisa. Ele colocou uma grande bandeja sobre a mesa de centro, dentro havia uma tábua de queijos, torradinhas e frutas, duas taças e uma garrafa de vinho.
Ele deixou um caderno com capa de couro e uma pequena chave em uma correntinha ao lado da bandeja e serviu o vinho nas taças, me entregando uma e depois derramou um pouco de mel sobre um pedaço de queijo, colocou sobre ele uma fatia de figo e levou a minha boca que se abriu voluntariamente. Cada movimento dele era sedutor, assim como aquele silêncio que parecia um prelúdio.
Eu fechei a boca sobre as pontas dos dedos dele, aceitando o bocado que ele me ofereceu e ele passou o polegar sobre o meu lábio inferior antes de levá-lo a boca. Aquele homem era uma perdição e eu o estava contemplando enquanto mastigava e engolia.
Ele sorriu e tomou um gole do vinho na taça em sua mão, se aproximou e me beijou, enfiando a língua na minha boca, me oferecendo o sabor do vinho na sua e a mistura dele com o vinho e o gosto do queijo, o mel e o figo em minha boca era simplesmente a coisa mais divina do mundo!
Eu senti as suas mãos nos meus tornozelos, puxando os meus pés para cima e ele se afastou da minha boca, de olhos fechados, lambendo os lábios. Eu esperei por alguma gracinha, mas ele apenas tirou os sapatos dos meus pés e os massageou, me fazendo fechar os olhos de prazer. Era lógico que aquele Carrapato tinha mãos que sabiam o que fazer, mas eu precisava manter o foco. Eu dei um grande gole no vinho que por milagre eu não tinha derramado e tentei puxar os meus pés.
- Calma, Peste, eu só quero que você fique à vontade! - Ele falou e manteve os meus pés no seu colo, me fazendo recostar no sofá confortavelmente.
- Carrapato, vamos ao que interessa. O que aconteceu entre o Rossi e a Evita? - Eu preguntei logo, afinal eu fui impedida de entrar em casa.
- Longa história, Peste. Acontece que o Rossi foi casado e a mulher morreu num acidente. Ela estava grávida, o Rossi estava dirigindo e se culpa até hoje. Mas, a morta deixou um demônio atormentando o Rossi e esse demônio encontrou a Evita e fez um inferno. O Rossi vai resolver as coisas com a Evita, eu tenho certeza, mas aquela nascida do inferno vai ser um problema.
- Ai, Carrapato, que jeito de falar das pessoas. Vai, quem é essa demônia que se atreveu a mexer com a minha amiga? - Eu quis saber e ele riu.
Pela hora seguinte o Matheus me encheu de informaçao sobre o passado do Rossi e me fez realmente sentir pena do amigo dele, que parecia ter saído diretamente da coitadolândia.
- E foi isso, até a Evita aparecer o Rossi se sentia casado com a morta e era fiel a ela, enquanto a invocação do mal fazia essa lavagem cerebral nele. - O Matheus concluiu e eu estava de queixo caído.
- Me amarrota que eu tô passada! - Eu encarava o Matheus querendo que ele me dissesse que era tudo uma piada de mau gosto. - Como um homem como o Rossi cai nessa pilha?
- O Rossi é uma boa pessoa, Gabi, ele tem sentimentos nobres, ele assume responsabilidades, ele tenta não errar.
- Ah, não, me desculpa! Mas se casar com a morta não foi um erro, meu amor, você é um bilhete premiado de loteria!
- Não, Peste, péssima comparação, porque esse bilhetão aqui está avaliado em bilhões. - Ele riu e eu sabia que ele tinha razão, aquela empresinha dele era uma mina de ouro sem fim.
- Eu não estava falando disso, Carrapato! - Eu o olhei irritada. - Ah, você entendeu.
- Entendi. - Ele riu. - Eu também acho que a morta foi um erro enorme, mas o Rossi não estava bem naquela época. E acho que está melhorando só agora... efeito Evita!
- A Evita é uma pessoa incrível. - Eu suspirei. - E ela gosta dele, mas eu não sei se ela consegue lidar com a esposa de satã!
- Coitado de satã! - Ele riu. - Por isso você vai me ajudar a cuidar do nosso casal.
- Tô dentro! Como a gente inferniza a locatária do inferno? - Eu tinha certeza que ele tinha algum plano. Então ele pegou o caderno com capa de couro e me mostrou.
- A gente começa lendo o diário da morta!
- Quê? Não, Carrapato, isso é ir longe demais até pra mim. O diário de alguém é como entrar dentro da pessoa, não... aliás, como você tem isso?
- O Rossi tirou as coisas da morta da casa semana passada e nós encontramos isso. Ele não quis ler, como eu disse, meu amigo é cheio de princípios. Eu dei um jeito de esconder, porque acho que aqui tem algo que pode ser útil. Ele acha que queimou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe