Damon
Minha mãe estava sentada diante de mim, impecável como sempre, com um conjunto escuro e discreto, a combinação perfeita de elegância e severidade. O rosto firme e o olhar de poucos amigos deixavam claro o quanto ela desaprovava tudo o que acabara de ouvir, a história que eu e Violet passamos horas planejando na noite anterior. Havia uma tensão gelada no ar, uma que eu conhecia bem.
— Damon, você está se precipitando — ela afirmou, sem rodeios, cruzando as mãos sobre o colo, os olhos cravados em mim com a mesma intensidade que uma águia observa sua presa. — Isso é pelo testamento, não é? Acha mesmo que essa farsa será suficiente? — Ela se inclinou um pouco para a frente, a voz baixa, mas afiada. — Se for esse o caso, garanto que você não verá a cor desse dinheiro.
Eu podia sentir a raiva borbulhando, mas respirei fundo, mantendo a compostura.
— Mãe, não é nada disso. Violet… Violet é especial. Estou apaixonado por ela.
Um sorriso quase debochado surgiu no canto da boca dela, e ela cruzou os braços.
— Apaixonado, é? — ela replicou, o tom cheio de ceticismo. — Então, me diga, Damon, que cor ela prefere? Ela gosta de vinho ou de flores? E, se gosta, de quais?
Senti o corpo inteiro congelar.
— Mãe, com certeza você poderá conhecê-la em breve e… ver por si mesma — disfarcei, mas a resposta soou patética até para mim.
Ela arqueou uma sobrancelha, o olhar frio como aço.
— Conhecê-la, é? Ver por mim mesma? — Ela riu, um som seco e sarcástico.
A postura da minha mãe endureceu ainda mais, as mãos sobre o colo revelando a tensão nos dedos longos e bem cuidados. Ela me olhou com uma expressão de desprezo contido, como se cada palavra que eu tivesse dito fosse uma prova a mais do meu fracasso diante dela.
— Ah, Damon… casamento? — Ela fez uma pausa, como se saboreasse a ironia da palavra, me analisando de cima a baixo. — Vamos ser honestos. Você nunca soube o que é isso. Casamento exige amor, uma paixão verdadeira, e você… — Ela soltou uma risada seca, amargurada. — Você nunca soube o que isso significa.
O desprezo em sua voz era um veneno que corria de maneira fria e calculada.

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