Damon
“Você só pode estar brincando, né?” Li a resposta de Violet, que seguiu com uma figurinha de uma criança coreana pensativa.
“Temos que saber coisas básicas sobre o outro para convencer nossas famílias que estamos mesmo juntos” Respondi a mensagem.
“Geralmente isso é feito durante um jantar ou com uma rodada de cerveja. Isso é maluquice até para nós” - Figurinha de uma criança coreana revirando os olhos.
Bufei irritado. Demorei quase duas horas para montar um arquivo com tópicos de coisas sobre mim que minha mãe perguntaria em algum momento. Achei ser uma solução eficiente para o problema de não conhecermos um ao outro.
“O que está fazendo agora?”
“Você é do tipo marido controlador? Isso não estava no P*F”
Larguei o celular em cima da mesa e passei as mãos pelo meu cabelo, frustrado. Era exatamente por isso que eu estava tão bem com a decisão de nunca me casar.
“Você pediu um encontro, então terá um. Temos que nos conhecer antes do casamento”
“Estou indo comprar um vestido de casamento. Podemos deixar para amanhã?”
Olhei para o relógio para ter certeza do horário, era três da tarde de uma quinta-feira. Quem faz compras as três da tarde de uma quinta-feira?
“Me mande a localização. Encontro você”
Guardei o celular no bolso interno do paletó e estava prestes a ligar para Stevens quando a mesma apareceu na minha sala com um toque suave na porta — minha nova secretária. Se é que posso chamá-la de nova ainda, já que estava aqui há quase dois meses, o que, sendo bem sincero, já era um recorde. Comigo, o cargo de secretária era praticamente um cargo rotativo, o que era uma maldição para mim e um teste de paciência para quem quer que aceitasse o trabalho. Era exaustivo precisar ensinar tudo do zero para alguém novo sempre que a última decidia seguir em frente ou eu decidia que já era o suficiente.
Mas Stevens… bom, até agora ela estava aguentando. Esforçada, eu tenho que reconhecer. Parecia estar genuinamente interessada em aprender, mesmo que às vezes ficasse um pouco perdida com a avalanche de tarefas que vinham no pacote. Ela não tinha experiência como secretária, o que era visível em pequenos detalhes aqui e ali, mas era boa em seguir ordens, e isso já colocava ela na frente das últimas candidatas.
Stevens era uma mulher bonita. Alta, postura ereta, sempre impecavelmente arrumada. Seus longos cabelos louros, com ondas sutis, caíam sobre os ombros e davam a ela uma aparência de capa de revista, o que, eu não nego, chamava a atenção. Não que eu tivesse tempo para me perder nesses detalhes, mas era impossível ignorar o fato. Ela tinha uma presença que não combinava bem com o ambiente, pelo menos não no cargo que ocupa.
Stevens entrou na sala com um maço de papéis nas mãos, anunciando que eram as cópias que eu havia solicitado.
— Pode deixar em cima da mesa — pedi.
Ela se aproximou e colocou as cópias na superfície com uma precisão exagerada, como se estivesse montando um mosaico ao invés de apenas deixar os papéis ali.
— Vou precisar sair por um tempo — continuei, agora a encarando. — Se alguém ligar, anote todos os recados em ordem de prioridade. Entendido?

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